Todo mundo já falou sobre este livro, mas originalidade é superestimada, mesmo...
| Li essa versão bonita - o Grande Irmão que mandou comprar |
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Jambo Ookamooga
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6:47 PM
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Como sempre, fiz minha listinha. E como pelo primeiro fim de ano na história deste blog (e desta vida) estou empregado, coloquei o top 10 direto no site da Mixmag, onde estou trabalhando. As explicações estão todas aqui e aqui. No blog ponho só a lista. Mas recomendo acessar os links e prestigiar o trabaio dos irmão.
10. Spilling Over Every Side - Pretty Lights
9. Mundialmente Anônimo - Maquinado
8. This Is Happening - LCD Soundsystem
7. Say Goodnight To The World - Dax Riggs
6. Efêmera - Tulipa
5. Sea of Cowards - The Dead Weather
4. Mini Mansions - Mini Mansions
3. Plastic Beach - Gorillaz
2. I'm New Here - Gil Scott-Heron
1. Grinderman 2 - Grinderman
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Jambo Ookamooga
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6:01 PM
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Nunca pisei numa favela. As circunstâncias do mundo em que vivemos transformam essa afirmação numa coisa feia, é como se eu estivesse assinando meu atestado de playboy. Mas poxa vida, é verdade: nunca pisei numa favela. Vou mentir por quê?
Favela é um lugar de merda. Obviamente tem o tráfico, o esgoto a céu aberto, barracões que mal conseguem se manter em pé, acesso dificultado e se for em morro ainda rola uma subida filha da puta (playboys paulistas, mimados e hipócritas como eu, passam pelo mesmo drama quando sobem alguma rua em Perdizes a pé, ha ha ha). Não tem como gostar desse lugar, de morar nesse lugar. Deus abençoe o morro, dele saiu um dos dez maiores gênios brasileiros (me refiro ao Cartola, mas dá pra pensar em muito mais gente que mereceria o título), mas aquilo ali não é lugar decente pra ninguém.
Daí dá a merda que deu no Rio e alguém acha que é legal subir o morro e acabar com o tráfico. Sobem, tiram os traficantes, prendem todos. Tem gente que acha que deviam era ter matado. Sei lá. O fato é que tiraram os traficantes do morro, estão tentando fazer alguma coisa contra o poder deles. E você sabe como é traficante, né? Traficante pica-grossa vive na favela como se fosse um monarca, manda e desmanda. A maioria é sangue ruim mesmo, gente que não vale a pena continuar viva. Mas olha aí, a PM não matou nenhum.
Mesmo assim, rola uma patrulha chatíssima de gente que manja de favela tanto quanto eu, gente que é esperta pra chuchu, que é justa pra dedéu, que sabe de tudo. Gente que fica no twitter o dia inteiro desmoralizando "a classe mérdia". Que acha que é feio que a população queira a execução de traficantes. Acontece que é muito fácil falar, do seu apartamento com acesso à internet banda larga, que porra, a favela é legal sim. É muito fácil desenhar suas tirinhas cômicas super sagazes e críticas e jogar no G1 como a sentinela do bom senso. É muito legal pagar de compreensivo e esquerdete pra comer as menininhas e ter a admiração dos colegas do curso de jornalismo.
A real é que o povo diz que quer a morte dos bandidos porque é assim que o povo se expressa. Porque a voz da massa fala da forma menos sofisticada e mais direta. Mais vale, em vez de fazer oposição burra e hipócrita a um clamor que é mais um slogan do que qualquer outra coisa, abstrair a ignorância e entender o recado. A população cansou da violência e "eliminar os vagabundos", seja com tiro, seja trancafiando num presídio, serve como simbolismo para isso tudo.
Se nada for feito depois, vão aparecer outros traficantes. Se não aparecerem traficantes, serão milicianos. Se não forem milicianos, vai ser alguma outra merda, alguma outra falcatrua que vai render muito dinheiro. "Sobe o morro e mete bala" é, ou deveria ser, apenas um equivalente a "parem de lucrar com a miséria alheia".
As soluções parecem óbvias: condições básicas (saúde-educação-cultura-trabalho), legalização das drogas, penas severas aos corruptos que fomentam a insolucionabilidade de todos esses problemas... Nós, playboys que nunca pisaram na favela e postam tirinhas perspicazes no G1, devemos agora brigar por tudo isso, fazer com que essas medidas sejam finalmente implantadas. Ironizar uma manifestação espontânea popular, no entanto, não ajuda em nada, apenas mostra praquela gatinha o quanto você é justo, compreensivo e defensor dos direitos humanos. Super fofo da sua parte, hein?
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Jambo Ookamooga
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10:27 AM
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Saiu originalmente aqui.
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Jambo Ookamooga
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5:14 PM
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Durante o feriado, enquanto espero pelo Grande Dia, resolvi reler meus mangás de Dragon Ball, que estão aqui na casa da minha mãe. Não sei dizer se Dragon Ball seguiu alguma coisa já existente ou se é o começo de tudo, mas definitivamente sua narrativa - tanto o ritmo quanto os clichês, que estão todos ali – segue o padrão clássico de quadrinhos da revista japonesa Shonen Jump.
Esse tipo de forma de contar uma história e agregar valor a seus personagens é uma coisa tipicamente japonesa. É um lugar comum que nem as novelas por aqui. Mas qualquer um que já tenha lido os quadrinhos ou assistido a desenhos como Naruto, Yuyu Hakusho e Cavaleiros do Zodíaco percebe um padrão.
Mais ou menos assim, geralmente há um personagem principal com características marcantes, alguma excentricidade e personalidade de líder. Conforme a história avança, o herói vai encontrando pessoas em diversas situações inusitadas, que geralmente só acontecem por causa de uma aventura ou por causa de uma busca. Um caso clássico e que ultrapassou as barreiras do interesse por quadrinhos e cultura japonesa é o de Pokémon. Na trama, Ash Ketchum vai conhecendo companheiros e antagonistas, cada um representando um tipo de pessoa no universo em que o mangá acontece. Seus pokémons meio que refletem ou completam suas personalidades e têm suas características peculiares também.
Nunca li um quadrinho sobre uma banda, mas acredito que se existir um e ele tiver esse ritmo de “busca” ou “aventura”, pode ser facilmente imaginado. Visualizo um vocalista-líder percebendo que só conseguirá tocar suas músicas da forma que elas devem ser tocadas se encontrar a banda perfeita. Para isso, ele embarca numa jornada pelo planeta atrás dos melhores músicos. O clichê indica que o percussionista seria um africano, que encarnou o espírito de Fela Kuti, o naipe de metais seria formados por músicos durões de New Orleans, etc etc etc. Chamo atenção para o hipotético guitarrista, um cara meio excêntrico e sombrio. Haveria também um músico extremamente leal e o “garoto”, aquele músico jovem e talentoso, mas ainda meio imaturo e a gente pode continuar nessa por horas.
Esse grupo dos mangás existe e tem nome: Dave Matthews Band. A incrível jornada do carismático Dave o levou a montar a banda “de músico” mais bem sucedida da nossa geração. Com seus poderes, os integrantes da orquestra tentam mudar o mundo através da música, sempre com muita personalidade e carisma. Durante sua turnê pelo mundo, Dave e sua turma encontram inimigos ardilosos, rivais honoráveis e aliados preciosos.
Ou quase isso. Sempre reservei um certo desprezo pela Dave Matthews Band sem saber por quê. Quer dizer, é uma puta música de bicha, de casalzinho em lua de mel e de casalzinho bicha em lua de mel. Normalmente ignoro esse tipo de caso, torcendo só para que apertem pause o mais rápido possível, mas desde o começo considerei silenciosamente o DMB a grande mancha negra no cast do SWU, pior que Jota Quest e Capital Inicial, muito pior do que Linkin Park, talvez só um pouco menos aceitável do que a hedionda Avenged Sevenfold. A birra foi se explicar só hoje há pouco, quando assisti à transmissão do seu show pela TV.
O grande problema é cada integrante parecer um personagem, um bravo guerreiro da música ocidental, guiado pelo seu líder cheio de empatia. Cada um desses músicos parece um boneco colecionável, com seu cabelo peculiar e sua técnica apurada. Quer dizer, chega um ponto em Dragon Ball em que os poderes dos personagens mais importantes é tanto que destruir o mundo é parte da rotina, é só mais um hematoma numa luta que vai para níveis não-terrenos. E os rapazes continuam super descolados!
A Dave Matthews Band esbarra nisso. A técnica de cada Davezette é tanta que nenhuma música parece complicada o suficiente. Mesmo assim, eles recusam a “tarefa” de tocar música erudita ou “punheta” que seu “ dom” impõe. Continuam fazendo música pop, vendável, sexy, compulsiva, sempre com um sorriso brilhoso. Tem o baterista rasta de camisa de time de futebol americano, o guitarrista com óculos vermelhos extravagantes e muitas caras e bocas durante o solo, o violinista com roupa de rapper e cabeleireiro do Djavan...
Todos eles aliens de diferentes planetas que nunca interagiriam se não fosse o carisma conciliador do Grande Dave. Eles parecem como Kuririn e Piccolo em Dragon Ball, Brock e Misty em Pokémon, Yahiko e Sanosuke em Samurai X (para ficarmos nos mais populares) e mais uma infinidade de personagens sem nada em comum de uma infinidade de mangás que nunca lemos.
Já passei da fase dos mangás. Com 14 anos, aquelas histórias pareciam geniais e originais, mas hoje em dia, consigo encontrar todas as repetições que eles trazem. Seja como for, ainda curto dar uma relida neles de vez em quando. O que não curto de jeito nenhum é ver esse tipo de narrativa parecer se repetir na música. Ainda mais sendo o personagem principal o boa-praça -coração-de-ouro Dave Matthews. A música pop só existe por causa dos anti-heróis.
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Jambo Ookamooga
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8:10 PM
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Último texto a sair pela Tribuna de Indaiá. É diretamente relacionado a este post aqui, que saiu também pelo jornal (mas acabou saindo antes no blog), mas contemporiza um pouco a coisa, ou seja, fala de discos atuais. Quer dizer, isso tudo a meu ver. Vai ter gente que acha que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Particularmente, tanto faz. O que os une é o fato de eu gostar bastante de ambos.
Agora, antes do texto, momento featured post. Segunda-feira tem QotSA aqui na República do Abacaxi Cortadinho e se você também vai lá idolatrar a rapazeadinha, recomendo ler este relato sobre o primeiro show que vi dos caras pra aquecer. Dependendo da qualidade da apresentação, tento fazer um texto legal sobre o SWU.
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Jambo Ookamooga
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7:13 AM
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E minha colaboração na Tribuna de Indaiá não existe mais. Vou postando os últimos textos, mas é capaz que o blog dê uma morrida de novo. Chato...
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Jambo Ookamooga
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6:57 AM
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A característica mais fascinante de Lester Bangs, e a que o fez famoso, era sua paixão pelo ato de escrever sobre música. Mais do que escutar, mais do que apreciar, ele era capaz de transformar uma resenha numa obra tão completa e intrigante quanto o álbum em questão. É notável o caso de Astral Weeks, de Van Morrison, cuja fama é precedida pela excelente análise de Bangs. Nela, o jornalista se infiltra em cada aposento da mente do disco – sim, do disco – e deles tira conclusões incríveis, antes inimagináveis. Há quem diga que o texto chega a ser melhor do que a música em si.
Mas não adianta todo esse falatório se você está sem entender até agora quem foi Lester Bangs. Basicamente, foi o maior jornalista musical de todos os tempos. Um terço pelo talento, um terço pelo barulho que suas resenhas faziam e outro terço pelo estilo de vida. Como uma espécie de beatnik ou rockstar, Bangs foi bêbado, drogado e, certas vezes, até um misantropo. Suas brigas com Lou Reed, vocalista do Velvet Underground e uma das figuras mais podreira da história da música, escondiam uma admiração mútua que o músico não permitiria se não visse em Bangs um igual.
Numa época em que a crítica musical tinha importância mastodôntica por não ter concorrentes similares à internet e à MTV, os jornalistas eram vistos pelos caras das bandas como os “inimigos”. Muito provavelmente é daí que vem aquela idéia de que todo crítico é um músico frustrado. O poder dado ao redator era tanto que ele podia escrever qualquer impropério sobre qualquer artista quando bem entendesse, da forma que lhe parecesse mais insultante.
Bangs, por sua vez, era diferente. Claro, ele tinha seus momentos: descia a lenha sem dó no Led Zeppelin, por exemplo. Mas, na essência, acreditava na democratização da música e ridicularizava o mito da diva, o culto à personalidade do músico intocável, à figura do dândi iluminado que muitos roqueiros dos anos 70 acreditavam ser. Ele sabia que o músico era um trabalhador como qualquer outro, antecipando o conceito de música independente em 10 ou 15 anos. Lester Bangs também dizia que o único motivo para se forjar um herói era para jogá-lo por terra novamente. Por isso o punk e sua decadência igualitária foram sua redenção. Ele até chegou a se aventurar na música e Lester Bangs and the Delinquents, projeto em conjunto com Mickey Leigh (irmão de Joey Ramone), deu vida a um disco bem digno.
A influência de Lester é ampla. Na contracapa de seu Reações Psicóticas, editado aqui no Brasil pela Conrad e que inspirou este humilde escriba a escrever estas linhas, há até uma citação de Kurt Cobain: “Os textos dele me ajudaram a entrar em contato com pessoas como eu”. Além disso, o jornalista foi uma espécie de conselheiro do diretor Cameron Crowe (Vanilla Sky, Jerry Maguire) quando este ainda era um garoto que tentava ser crítico da Rolling Stone. Suas conversas podem ser vistas no filme Quase Famosos, onde Bangs é interpretado por Philip Seymour Hoffman.
No filme, ele mostra uma justa desconfiança em relação à Rolling Stone. Poucos anos antes brigara com seu editor Jann S. Wenner, a quem chamava de groupie disfarçado por não admitir que batessem nos artistas queridinhos da revista. Depois de sair da Rolling Stone, Bangs passou por Detroit (na revista Creem), Nova York (Village Voice) e contribuiu para Playboy, New Music Express e ainda outras. Morreu em 1982 de overdose de tranquilizantes, na mesma época em que trabalhava no seu primeiro livro não musical.
Dizem que Lester Bangs era, antes de tudo, um desperdício, já que devotou todo o seu talento somente para a música. Mas ele era cria de época em que curtir um som realmente importava e as pessoas realmente tinham algo para dizer. Isso, claro, fortalecia a crítica e permitia que tratados como a resenha de Atral Weeks tivessem significado à altura de um conto da alta literatura. Bangs fazia algo que há muito se tornou cafona, mas que talvez seja a salvação para essa pindaíba criativa que nos acomete de tempos em tempos: ele levava a cultura a sério.
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Jambo Ookamooga
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6:23 PM
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And now, the end is near,
And so I face the final curtain.
My friends, I'll say it clear;
I'll state my case of which I'm certain.
I've lived a life that's full -
I've travelled each and every highway.
And more, much more than this,
I did it my way.
Jerry é caminhoneiro e acaba de voltar a Ohio de uma entrega especialmente especial direto do oeste. Ou coisa parecida. Jerry sentia falta de Rosie, sua mulher. Mas sente saudades de outra Rosie. Aquela de 30 anos atrás, quando iam ao drive-in (jesus!) e aos bailes do colégio. Ou aquela Rosie de 20 anos atrás que cozinhava divinamente e, depois de manter a casa impecável e cuidar dos filhos, ainda tinha tempo para um chamego no final do dia. Essa Rosie morreu. Ela e Jerry agora são dois velhos com vestidos, aventais, botas e botões de camisa soltos.
Regrets? I've had a few,
But then again, too few to mention.
I did what I had to do
And saw it through without exemption.
I planned each charted course -
Each careful step along the byway,
And more, much more than this,
I did it my way.
Há um baile para gente como Jerry e Rosie no boliche da cidade. No boliche as pessoas se vestem como pessoas de boliche, tarantinamente, com casacos vermelhos cintilantes, bonés e chapéus. Vestidos. Uma banda foi paga para fazer um verdadeiro flashback, um show que irá levar todos nós aos nossos anos dourados, quando era permitido sonhar. “My Way”. Jerry hesita. Abraça Rosie docemente, mas sem muita convicção.
Yes, there were times, I'm sure you knew,
When I bit off more than I could chew,
But through it all, when there was doubt,
I ate it up and spit it out.
I faced it all and I stood tall
And did it my way.
“Sou um homem, caralho! Quantos por aí podem dizer isso? Por vezes errei, mas sempre honrei minhas bolas!” Respiro; Suspiro. “Respeitei minha pátria, amei minha mulher, trabalhei com afinco. Sinatra me entende... Sou um homem, caralho!”
I've loved, I've laughed and cried,
I've had my fill - my share of losing.
But now, as tears subside,
I find it all so amusing.
To think I did all that,
And may I say, not in a shy way -
Oh no. Oh no, not me.
I did it my way
Jerry lembra de seu pai, mas Rosie nunca quer saber das suas histórias. Vagabunda. "Se fosse metade da mulher que foi minha mãe..." Americanos de muito brio. Jerry vinha de uma família de muita estirpe. Orgulho. Altivez. Justiça. Era uma família americana e justa. “I pledge allegiance to the flag”. Sinatra entende. Sintonia, Sinatra e a Bandeira, mas Jerry também estava atento. Não tolerava um certo vagabundo desde o tempo em que trabalharam juntos no armazém.
For what is a man? What has he got?
If not himself - Then he has naught.
To say the things he truly feels
And not the words of one who kneels.
The record shows I took the blows
And did it my way.
Jerry, um Homem. Já era hora de resolver essas coisas como um homem. Um gracejo, um pisão e o taco de sinuca era seu. Jerry observou bem seu antagonista antes de sua tacada mais importante, mas foi surpreendido por outro taco no meio das costas. Uma porrada na cervical que fez até com que ele cuspisse um pouco da merda que estava bebendo a noite toda. Antes de apagar, notou que a banda já não tocava mais Sinatra, aquele Americano Orgulhoso.
Yes, it was my way
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Jambo Ookamooga
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10:09 PM
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Você precisa ouvir Zu. A pesquisa de campo abaixo prova tudo.
Pam diz:
que isso?
pedro diz:
uma banda muito doida
italiana
Pam diz:
caraleo que medo
pedro diz:
ahuahuahuhauhauhauhauhauha
muito, né?
demente
Pam diz:
deve tocar em rituais
certeza
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Jambo Ookamooga
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8:02 PM
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Se você olhar os primeiros posts deste blog, vai ver que já fui fã de Arcade Fire. Falta eu pra tanta vergonha.
Tribuna 14/08.
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Jambo Ookamooga
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8:34 PM
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Uma entrevista para a tribuna. Fala um pouco da minha cidade, Indaiatuba, mas é interessante notar como essa situação é recorrente na maioria dos municípios pequenos aqui do Brasil.
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Jambo Ookamooga
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8:44 PM
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Mais um texto para a Tribuna de Indaiá. Engraçado que agora, com Rage Against the Machine e QotSA quase fechado, já mudei de idéia. Para mim, o SWU tem muita, mas muita cara de picaretagem. Mas com o nível das atrações que eles têm confirmado fica difícil não dar as caras. Quanto a isso, já me retratei em outra coluna, admiti que era um hipócrita de merda.
Não vou perder apresentações incríveis por causa da malandragem de alguns produtores culturais. Mas vou ao festival com um tremendo pé atrás, sabe...
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Jambo Ookamooga
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8:43 PM
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Todas as mulheres são vagabundas. Todos os homens são cafajestes. Toda unanimidade é burra. Todo mundo tem que sofrer um pouco na vida. Todo tatuado é um câncer na sociedade. Todos os políticos são corruptos. Todo homem mente sobre o tamanho do pau. Toda mulher finge orgasmo. Todo maconheiro é viciado. Todo mendigo é bêbado. Todo dia.
Quem cochicha o rabo espicha. Quem não cola não sai da escola. Quem não respeita os mais velhos é mal educado. Quem não respeita os mais jovens é antiquado. Quem já foi pra Paris quer voltar. Quem não gosta de viado é enrustido. Quem gosta de viado é viado. Quem cedo madruga, Deus ajuda. Quem estuda sobe na vida. Quem protesta é rebelde. Quem muito sabe, pouco diz. Quem disse?
Você precisa de um emprego. Você precisa trocar de emprego. Você precisa de uma namorada. Você precisa se conectar ao mundo. Você precisa ter modos à mesa. Você precisa ligar para seus familiares. Você precisa poupar seu dinheiro. Você precisa de um rumo na vida. Você precisa de amigos melhores. Você precisa encher seus pais de orgulho. Você entende?
A culpa é do governo. A culpa é da sua infância. A culpa é dos seus pais. A culpa é dos juros. A culpa é da sua ex-namorada. A culpa é do médico. A culpa é do professor. A culpa é do mecânico. A culpa é do islã. A culpa é da igreja. A culpa é dos judeus. A culpa é dos ateus. A culpa é do capitalismo. A culpa é do comunismo. A culpa é sua.
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Jambo Ookamooga
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5:49 PM
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Uma reflexão meio confusa. Sei lá se gosto. Saiu na tribuna dia 10 de julho.
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Jambo Ookamooga
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9:29 PM
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Quando meus pais foram tentar me batizar (eventualmente eles conseguiram), o primeiro padre disse que, por eles não serem casados, eu era o filho do pecado. Meu pai mandou o cara tomar no cu e molhou a mão do próximo padre, que fez o batismo feliz da vida. Eles não casaram, mas continuaram juntos pelos próximos 17 ou 18 anos, o que torna a história meio que uma anedota familiar.
Mas o motivo dessa história ter algum tipo de significância para mim reside no modo como o “conservador” (nesse caso, o batismo) e o “liberal” (casamento não-oficial, por exemplo) ficam se fundindo na minha vida. Veja bem: sou filho temporão, meu pai nasceu em 1949 e eu sou fruto da era digital, ou coisa que o valha. Minha índole me diz que as regras (quase) todas são no mínimo infringíveis, mas minha família formada nos anos culturalmente reprimidos do pós-ditadura sugere que o bom cidadão é aquele que segue o "curso natural" das coisas.
Do lado da minha mãe, que compreende meus tios e avó, temos pessoas vigorosas e empreendedoras, trabalhando feito camelos, colocando sempre o dever acima da diversão. Do lado paterno – ou seja, meu pai e meus irmãos mais velhos, porque não tenho muito contato com os tios –, as pessoas são práticas, objetivas e pragmáticas, atraídas pelo dinheiro fácil do mundo financeiro (se você for capaz de lidar com números). É fácil perceber que não há muito espaço para a imaginação em nenhum dos dois cenários.
Minha primeira lembrança é na escolinha, derrapando no chão de madeira da sala de brinquedos. Lembro da visão de um dos joelhos para cima, decorado com um machucado ainda novo, avermelhado. Não sei se tinham passado Merthiolate, mas me recordo de uma ou duas experiências chatas com ele. Depois disso, lembro de brincar com tatu bola e de correr do irmão mais velho e semi albino do meu amigo mentiroso, que teimava em me chamar de gordo (e eu não era!)
Nunca entendi por que eu era especialmente perseguido nos colégios, mas também sei que não era santo. Rir da cara dos outros sempre me pareceu algo divertido demais para não fazer. Mais uma vez minha conduta contradizia as normas não-oficiais da família Gesualdi Barboza. Meu pai sempre foi um cara mais ou menos pacifista, o que hoje em dia eu vejo como uma coisa legal. Mas quando ele me dizia coisas como “responde que você pode emagrecer, enquanto ele é feio e isso nunca vai mudar”, me sentia ainda mais desamparado. Claro que isso nunca vai afetar ele, pai! Teria sido menos traumático se tivesse me ensinado a dar uns murros na cara do imbecil.
Então, a irmã de um amigo, da classe do maluco que me perseguia, me ensinou um pouco de defesa pessoal. E sem levantar um dedo. “Chama ele de sundownzinho”. Perfeito. Chamar o garoto semi albino de sundownzinho me pareceu genial. É daí que lembro de correr dele, enfurecido. Ponto para mim, tirei o babaca do sério. E aprendi a maior de todas as lições na prática da discussão verbal: tocar no ponto mais fraco e humilhante do inimigo, sem dó.
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Jambo Ookamooga
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12:16 PM
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Ficou bastante singelo esse texto. Saiu na Tribuna em junho.
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Jambo Ookamooga
às
3:13 PM
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A morte de Ronnie James Dio revelou o tamanho do abismo que existe entre o heavy metal e o “mundo real”. E, como prevíamos, ele é imenso. Seu falecimento teve manchetes em todos os principais veículos de notícia, além de ter inspirado notas de pesar e declarações emocionadas acerca de sua pessoa e seu trabalho. Mas tudo isso, claro, pela grata posição que ocupou durante anos de sua vida: a de membro do Black Sabbath.
Para entender Dio e as declarações do parágrafo anterior, primeiro precisamos entender as duas faces existentes do metal. A face clássica, sombria, iconoclasta, que surgiu do descontentamento hippie, e a face meio constrangedora, dos moleques pré-adolescentes e suas camisas puídas do Nightwish.
O heavy metal viu a luz do dia no final dos anos 60, com a sonoridade selvagem do Blue Cheer e seu primeiro álbum, Vincebus Eruptum. Um pouco depois, Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward formatariam a temática e o humor do estilo com seu Black Sabbath. A idéia era simples: se as pessoas pagam ingressos para se assustar com filmes de terror, por que não tentar um conjunto musical de terror? Aliado a isso, havia o desgosto de quatro jovens da cinzenta Birmingham, sem muitas perspectivas para o futuro nem identificação com os hippies coloridos e despreocupados. Ou seja, o metal nasceu dentro de quatro caipiras entediados e com vontade de assustar um bom número de incautos.
Só que um povo meio burro entendeu errado toda essa mensagem e apareceu com o começo do fim, também conhecido por New Wave of British Heavy Metal. Dentro do movimento, Iron Maiden e Saxon, que levaram a premissa da banda de terror a lugares risíveis. Até hoje, tenho Bruce Dickinson e seu shots de lycra como referência de música ruim. Pior mesmo foi o movimento que desencadearam: o power metal, ou metal melódico. A referência primal dessas bandas, com seus cabelos cheios de laquê e letras sobre elfos e duendes não é aquele Sabbath de 1969, que fazia as criancinhas molharem as calças. É outro.
Ozzy foi demitido do Black Sabbath e substituído pelo vocalista do Rainbow, Ronald James Padavona, o Dio, em 1979. A interpretação de Dio destoava demais do que fazia seu predecessor, porque era forte, épica, expansiva. Claro, Padavona sempre foi melhor cantor do que Osbourne. A partir disso e dos peitos cabeludos – mutcho machos – que inundavam o heavy metal do começo dos anos 80, o Black Sabbath se tornou outra banda, mais teatral, mais óbvia. Dio, junto com outros metalíferos de sua época, tornou-se exemplo de integridade e postural “metal”.
O problema é que, na “vida real”, o mundo estava em outra. O punk e o pós-punk seguiam muito mais pelo caminho niilista do Black Sabbath do que o próprio Black Sabbath. Os embriões do hip hop, a disco music, o revival do country, nada disso apontava para elfos, castelos, morte, bicho-papão. Durante a guerra fria, o escapismo deu lugar ao conformismo e ao combate, por isso guerreiros vestidos com calças de couro em palcos de 12 metros de altura pareciam arcaicos e constrangedores. Daí, o metal institucionalizado por Dio deixou o Planeta Terra para sempre. Hoje em dia, ele reside nessas camisetas de banda e na molecada perseguida na escola. Costuma, inclusive, ficar por lá quando esses adolescentes crescem.
O nefasto da obra de Ronnie Dio não são suas bandas e LPs, e sim seu legado. O respaldo que deu a múmias, castelos, cavalos e espadas forçou a entrada do escapismo num estilo bastante lúcido, ainda que pessimista. Assim, trouxe também o ostracismo para si mesmo (o que, para certos fãs de metal, é um símbolo de honestidade).
Engraçado que, nos últimos tempos, o metal tem ressurgido entre as pessoas “normais”, apesar do desvio de percurso que foi a NWOBHM e a fase de Dio no Black Sabbath. Por causa dessa clausura forçada, alguns metaleiros realmente extremos, influenciados por Thrash Metal e Stoner Rock (por sua vez influenciados diretamente pelo Sabbath do começo – acompanhou?) surgem como a verdadeira opção do underground frente um mainstream cada vez mais afetado, mais ou menos como era em 69. Ainda bem, porque se não fosse a música pesada, talvez minha vida não tivesse mudado quando escutei Queens of the Stone Age e System of a Down aos 12 anos.
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Jambo Ookamooga
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8:15 AM
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Desta vez, uma coluna recente. Saiu neste sábado (19/06). Melhor postar agora pra aproveitar o clima de Copa. Fiz uma pequena mudança ali no meio, mas sussa. Nos próximos dias, volto a postar as colunas mais antigas.
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Jambo Ookamooga
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9:06 PM
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Quando estava sem assunto para a coluna, o Pearl Jam me salvou de novo. Amo essa banda. Esse artigo saiu no dia 15/5.
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Jambo Ookamooga
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7:27 PM
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