21 músicas fundamentais dos anos 2000 para mim. Algumas foram hit, outras não, mas todas têm seu significado. Levei em conta sua representatividade pro mundo, também, e sua força como hit, como música capaz de falar com mais pessoas. Lógico que as idiossincrasias estão aí, mas você me perdoa, né?
Eu poderia ficar horas explicando cada uma, mas é complicado. Recomendo procurar as que você não conhece, de qualquer forma. É tudo puro amor.
Depois, prometo que não volto a falar na década passada. Pra frente, Brasil!
21. No Need to Worry - Yeasayer (2008)
20. Cordão da Insônia - Céu (2009)
19. Fluorescent Adolescent - Arctic Monkeys (2007)
18. The Fallen - Franz Ferdinand (2005)
17. Turn the Page - The Streets (2002)
16. Stillness is the Move - Dirty Projectors (2009)
15. Steady, As She Goes - The Raconteurs (2006)
14. I'm Your Torpedo - Eagles of Death Metal (2008)
13. Dance, Dance - Fall out Boy (2005)
12. Pavão Macaco - Wado (2009)
11. There, There - Radiohead (2003)
10. Everyone Nose (All The Girls Standing In The Line For The Bathroom) - N.E.R.D. (2008)
9. Umbrella - Rihanna (2007)
8. Magrela Fever - Curumin (2008)
7. Toxic - Britney Spears (2007)
6. Viva La Vida - Coldplay (2008)
5. Sentimental - Los Hermanos (2001)
4. No One Knows - Queens of the Stone Age (2002)
3. Sexyback - Justin Timberlake (2006)
2. All My Friends - LCD Soundsystem (2007)
1. Crazy - Gnarls Barkley (2006)
Edição: O Elson me mostrou o grooveshark.com, onde você pode fazer umas playlists, então fiz esta aqui com as músicas do post. A única que não tinha no site era Pavão Macaco do Wado, então você pode dar uma olhada (e não só uma orelhada) nela aqui, no clipe que ele fez pra música.
Friday, January 29, 2010
As 21 Melhores Músicas da Década (Passada)
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Jambo Ookamooga
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Sunday, January 24, 2010
Eureka
Finalmente entendi: a principal influência do Gnarls Barkley não é musica negra, nem pirações eletrônicas/de produção. É o Black Sabbath.

Desta vez tenho certeza: a junção de Cee Lo com Danger Mouse não significa algo simples. Significa que o Universo venceu. Já estamos salvos, vai ficar tudo bem. Vamos dormir em segurança.
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Jambo Ookamooga
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Wednesday, January 20, 2010
E a Céu, Hein?
Se você é uma daquelas pessoas antenadas (e sonhadoras), que lembram de cor a escalação dos festivais gringos mesmo sem ter a mínima possibilidade de ir até um deles, já deve saber que a atração brasileira do Coachella é a Céu. Pra deixar tudo ainda mais bonito, hoje foi anunciado mais um show dela fora do país, desta vez no festival de Roskilde na Dinamarca.
Se nos Estados Unidos a Maria do Céu já tem uma moral alta, na Europa ela deve se dar ainda melhor. Muito porque europeu paga um pau pra música brasileira, ao mesmo tempo que gosta de novidades e misturas. E a Céu tem tudo isso.
Na verdade, o processo já começou. Há algum tempo, o festival dinamarquês vem valorizando e incentivando as apresentações de world music nos seus domínios, mas confesso que não imaginava que colocariam a nossa nova diva num pedestal tão alto. Saca só como eles apresentam sua nova atração no site do festival:
Astrud Gilberto, Erykah Badu and Lauryn Hill, make room for Céu.
The beautiful, 30-year-old singer with the velvety voice has taken an international audience by storm. In fact, no Brazilian artist has gotten as far as Céu on the US Billboard chart since Astrud Gilberto and the by-now worn-out "The Girl from Ipanema".
Céu stands ready with a range of more modern signature tunes for the big country. Her pop music draws on both salsa, bossa nova and hip hop in a hot and sophisticated mix.
Welcome a crown princess of sunny pop music to the far North. The next time she visits these latitudes, she may very well have joined list of queens.
Achei engraçado falarem de salsa ali no meio, mas a gente releva. Colocaram ela junto da Lauryn Hill, olha que preza.Se tudo der certo, a Céu vai abrir caminho para esse monte de gente que está fazendo musica boa por aqui, e pode até ser que a nossa cena finalmente role. Não faz sentido um som tão nosso, no entanto com um potencial tão pop e global, ficar escondido do resto do planeta.
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Jambo Ookamooga
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Thursday, January 14, 2010
Os Anos 00 e Seus 15 Discos
Enfim acabaram os anos doismil. Foram dez anos importantes demais para a maioria das pessoas que lê isto aqui (na maioria, meus amigos, que não passam dos 30 e poucos anos). Claro, qualquer conjunto de dez anos são decisivos na vida de uma pessoa, a não ser que ela tenha estado em coma. Mas esta década em especial marcou a transição para a vida adulta para essas pessoas com quem eu convivo. Junto com isso houve discos que serviram como trilha sonora (é brega falar assim, eu sei) para todas as descobertas, conquistas e incontáveis decepções que passamos. Com isso, seria no mínimo pusilânime da minha parte, que tenho um blog musical, não enumerar meus 15 álbuns favoritos entre 2000 e 2009. Mesmo que com um certo atraso atraso, (a maioria das pessoas descoladas fez suas listas da década antes de 2009 acabar!) consegui juntar algumas coisas legais.
Antes de tudo, pensei em escrever uma pequena resenha para cada álbum listado aqui, mas seria uma perda de tempo daquelas. Além de ser inexplicável e injustificável o quanto os três primeiros lugares, por exemplo, significam para mim e o quanto eu gosto deles, meu ranking é, acima de tudo, irrelevante. Nunca terei o alcance da NME, da Rolling Stone, do Pitchfork com um blog desses. Por isso, optei por uma lista pessoal, idiossincrática, egoísta. E sem distinguir a música brasileira da música internacional, como é feito por aí. Metade por acreditar que música não tem barreiras de nacionalidade e metade por ainda me considerar imperdoavelmente ignorante em relação à música do nosso país.
Essas listas maiores, por conta de seus inúmeros votantes, acabaram, de certa forma, no lugar comum, resumindo bem o que foi a década (e esse clichê tem sua óbvia importância): uma frente indie, metida a eclética, que podia misturar Kraftwerk com Erkin Koray e uma ascenção do Hip Hop semelhante à do rock nos anos 70, que resultou em experimentações e junções pouco óbvias, além de uma cena underground cada vez mais forte. O quadro Hip Hop x Indie já aparecia lá pela década de 80, quando os primeiros raps políticos eram a alternativa ao post punk afetado. Se é verdade que a moda gira num ciclo de 20 anos, tudo se encaixa direitinho aí.
Pessoalmente, foi o período em que tudo começou. Dos dez aos vinte anos, descobri muita coisa e aceitei que não sou nenhum universo particular, nenhuma Entidade Especial, como a gente tende a pensar em algum ponto da puberdade. Dito isso, observe como a minha lista pessoal é calcada em poucos estilos musicais, como estou sujeito ao que é popular, como meu primeiro lugar é especialmente óbvio para quem me conhece ou acompanha este blog.
Ainda assim, foi possível me enredar por muitos caminhos, movimentos, épocas. Tudo isso por causa da ação fundamental da internet, particularmente a tal web 2.0. As infinitas ferramentas possibilitaram que nos livrássemos das últimas amarras de uma era em que ouvir mais de uma coisa era feio. Em suma, se musicalmente houve pouca novidade nos anos 2000, com as novas mídias, pudemos assimilar definitivamente o legado do nosso passado. O CD (e as mídias em geral) morreu, mas cada vez mais música é disponibilizada, a cada semana eu fico sabendo de um artista obscuro que foi fundamental para que tal banda ou movimento existisse.
Dois exemplos fáceis para te convencer que acabamos de passar pela "Década da Síntese": nenhuma cantora pop trouxe uma revolução como a Madonna nos anos 80 e na verdade, todas elas seguiram à risca os paradigmas estabelecidos pela mãe da Lourdinha. Só que, mesmo assim, com suas curvas, sensualidade e até mesmo por causa das maiores facilidades para produzir música pop, a Beyoncée dá UM PAU na Madonna. Ela foi capaz de absorver os ensinamentos da predecessora, juntar com sua sexualidade gritante, uma estética Hip Hop pré-estabelecida e fez mágica. Alguém acha o clipe de Erotica mais sexy do que Naughty Girl? Eu não, hein.
O segundo exemplo trata dos "comebacks" de bandas que não param de ser anunciados desde 2007, mais ou menos. Algumas delas ainda não estavam separadas por seis anos completos (Blink 182). Isso significa que, agora, mais gente escuta e entende coisas tipo bandas de Shoegaze (eu, por sorte, sou ignorante o suficiente para continuar detestando) e que, sem gastar dinheiro com CDs e LPs, as pessoas vão a mais shows, tornando a turnê de uma banda já quase esquecida algo rentável. Significa também que royalties não sustentam mais nenhum marmanjo e que voltar com sua banda antiga pode garantir uns trocados. Por isso também que os anos 2000 foram os anos dos workaholics, a década do trabalho.
Minha visão é essa. Não tenho muitas referências para trabalhar, uma vez que sou só um moleque de 1989. De qualquer jeito, só descobriremos o que valeu a pena e o que vingou daqui mais dez anos.
Sem mais delongas, a lista:
15. Silverchair - Diorama (2002)
14. Yeasayer - All Hour Cymbals (2008)
13. Twilight as Played by The Twilight Singers (2000)
12. Mark Lanegan Band - Bubblegum (2004)
11. Elliott Smith - Figure 8 (2000)
10. LCD Soundsystem - Sound of Silver (2007)
9. Curumin - Japan Pop Show (2008)
8. The Streets - Original Pirate Material (2002)
7. Death From Above 1979 - You're a Woman, I'm a Machine (2004)
6. Los Hermanos - Ventura (2003)
5. Gnarls Barkley - The Odd Couple (2008)
4. Kashmir - Zitilites (2003)
3. Radiohead - Kid A (2000)
2. John Frusciante - Shadows Collide With People (2004)
1. Queens of the Stone Age - Songs for the Deaf (2002)
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Jambo Ookamooga
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Sunday, January 10, 2010
12 Horas
4 anos escrevendo aqui. Que merda de desocupado eu sou.
Enfim, aniversário e quem ganha o presente é você. Escrevi esse continho dia desses. Não está lá muito bom, eu não tenho lá muito estilo, mas é o que tem. Beijo.
Normalmente, demoro os mesmos 5 minutos para deixar para lá. A esta altura, o normal era já ter voltado pra casa, olhar sereno, quase achando graça. Já teve até vez que voltei com flores, que me renderam uma trepada de reconciliação bastante proveitosa. Dessa vez, no entanto, um rancor esquisito tomou conta de mim. Sempre tive medo de rancor, não queria ficar como meus pais, que faziam uma briga durar um mês, que estavam sempre remoendo suas raivas e arrependimentos. Mesmo assim, continuei dirigindo até o outro lado da cidade. Parei numa loja de conveniência e comprei o diário de esportes. Pouco mais de um real por notícias que eu já tinha lido mais cedo. É a força do hábito ou é burrice?
Tanto faz, parei no bar e pedi uma Brahma. Podia com Bohemia, Original, mas algo me dizia que era dia de Brahma. Depois dessa primeira, vieram a segunda, a terceira e a quarta, todas de 600ml. Meia noite e dezessete ela me ligou. Não discuti, disse que estava bem e que não sabia que horas ia voltar. Disse também que não tinha ido pro puteiro (achei um absurdo que desconfiasse disso, não fazia meu estilo ir pro puteiro de birrinha - ainda que já tivesse dado minhas escapadas antes), mas que se ela continuasse a encher o saco, eu pegava e ia pra zona. Monte de bravatas, ainda sou imaturo o suficiente para esse tipo de coisa.
Não sei por que brigamos tanto. Quando a conheci, me pareceu a mulher mais bonita que eu já tinha visto e falávamos e queríamos e queríamos falar das mesmas coisas. Depois deu tudo meio errado, era compatibilidade demais, talvez. Ou talvez tenham sido as barrigas. Deus – nós éramos tão mais bonitos antes! No caso dela, pode ter sido a bebê. As mulheres ficam lindas depois de virarem mães... mas ela nunca emagreceu. Acho que é um tipo de futilidade da alma, mas todo mundo quer uma miss mundo ou um mister universo. A verdade definitiva sobre a humanidade? Nós sempre nos achamos grande coisa.
Claro que não foi só isso. Foi o emprego dela, e o meu também, as discordâncias em relação à bebê, meus amigos grosseiros. Enfim. Depois cansei de beber. Não vejo graça em beber sozinho, nem acho bonito ser alcoólatra. Paguei a conta, saí, duas e cinqüenta. Hora de voltar para casa. Elas já estariam dormindo. Mas não parecia certo. Andei pela rua, voltei para o carro, bêbado, mas consciente, em totais condições de guiar. No final, dirigi até o porto e parei. Acabei dormindo e acordei com a buzina.
Nove e quinze. Ninguém veio encher meu saco. Também, era domingo e o porto estava vazio. Morar “perto do mar” foi idéia dela. Maldita. Nove e trinta e três. Trinta e dois anos. Cada vez menos cabelo. Ainda dentro do carro, lesado, um dos meus amigos grosseiros liga. Nove e meia não é hora de gente direita ligar, mas o bom senso inexiste. Me chamou para jogar bola. “Jogar bola”! Nesta idade! Sou muito moleque mesmo. Aceitei, porque a ressaca hoje é piedosa (e parece que sempre foi assim). Voltei para casa, ela fingiria que não aconteceu nada. Almoçaríamos. Mais tarde, cerveja e futebol; a vida não estava ganha, mas quase.
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Jambo Ookamooga
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Thursday, January 07, 2010
Top 10 2009 - Os Discos (parte 3)
Esqueci da última parte e fui viajar. Perdão.
Faltaram resenhas mais legais pros três primeiros lugares, mas escrevi isso na pressa, às seis da manhã. Por outro lado, quanto melhor um álbum, menos você precisa explicar porque ele é bom. Ruim mesmo só foi descobrir tarde demais que For Long Tomorrow, da banda japonesa Toe, merecia estar neste top 10.
3. Dirty Projectors - Bitte Orca

Loucura as vozes das vocalistas Amber Coffman e Angel Deradoorian. Mais loucura ainda as composições de Dave Longstreth, também vocalista e líder da banda. Maluquice total, um negócio até meio desconfortável, inadeqüado, misturado com as melodias mais bonitas do ano. Dirty Projectors representa uma face mais "orgânica" da cena do Brooklyn, mas com as mesmas inovações dos "eletrônicos" Animal Collective e Apes & Androids, mais belas vozes, mais títulos estranhos e duas minas lindas.
Me parece o bastante. A trinca Stillness is the Move, Two Doves e Useful Chamber vale a orelhada atenta.
2. Wado - Atlântico Negro

Além de ter escrito a música do ano - Pavão Macaco - o barriga verde/alagoano Wado me cativou por não se valer daquela coisa de usar "música regional" para ser respeitado. Pode até ter carimbó, afoxé, whattafuck, mas o mais legal em Atlântico Negro (e em todo o trabalho do Wado, em geral) é que essas coisas são apenas parte da diversão. As melodias, estruturas e roupagem pop falam por si, transcendendo a dinâmica "regional", "brasileira".
Em outras palavras, Wado é genuinamente brasileiro sem apelar para a demagogia ufanista "vamos valorizar a música nacional". Porque legal mesmo é fazer um troço universal.
Some isso ao português hilário do começo do disco que me faz rir e uma das capas mais bonitas do ano e você tem o segundo lugar.
1. Them Crooked Vultures - Them Crooked Vultures

David Eric Grohl. John Paul Jones. Joshua Michael Homme. Tá bom, né?
Ficou abaixo do que a gente esperava? Ficou. Mas melhora a cada audição. E num ano sem nenhum grande destaque, não tem como virar as costas pra eles (não sem levar um pescotapa).
Pra finalizar, a melhor frase de 2009 está no disco: "if sex is a weapon, then smash! boom! pow!"
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Jambo Ookamooga
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Sunday, December 27, 2009
Top 10 2009 - Os Discos (parte 2)
E aí? VAMOS LÁ, RAPAZEADA?? A segunda parte ficou mais indie. Mas hoje em dia, quem é que consegue fugir disso?
7. Animal Collective - Merriweather Post Pavilion

O que eu mais gosto no Animal Collective é sua habilidade com os barulhinhos. Como uma banda só com alguns sintetizadores e outros brinquedos eletônicos e uma guitarra (pelo menos foi isso que eu vi ao vivo) pode fazer um som tão completo e popular continua sendo um mistério para mim. Mas mais do que isso, evidencia uma genialidade que está mais baseada em usar os aparatos eletrônicos da forma certa do que num feeling musical "puro", como acontecia antigamente. Resumindo, o Animal Collective faz a música do futuro.
Não bastasse isso, Merriweather Post Pavilion é o disco de 2009 da maior banda da geração hipster americana, que tornou-se mais conhecida neste ano e tem tudo para crescer ainda mais em 2010. Mesmo deixando tudo isso de lado, My Girls destrói tudo e sozinha já meio que garantiria um lugar aqui para a banda. Agora que o Yeasayer foi pro saco, é minha aposta no meio indie.
6. Arctic Monkeys - Humbug

Andam responsabilizando o - opa! - produtor Joshua Homme pela mudança drástica no som do Arctic Monkeys, mas desde 2008, com o disco de estréia do Last Shadow Puppets, Alex Turner já apontava para onde queria seguir. Desde o título, Humbug, o novo trabalho da banda de Sheffield é diferente. Um amigo meu chegou a dizer que esperava alguma coisa como 'The Rocambolic King of the Cobra Slaves From Kuala Lumpur', ou algo tão estrogonófico quanto. Porém, com uma palavra antiga que significa farsa, a banda nomeia um disco tão discreto e oblíquo quanto possam querer sugerir.
Em Humbug, portanto, a tarefa de Josh Homme foi canalizar toda a vontade de mudar e emprestar alguns timbres classudos ao Arctic Monkeys. O resultado é uma mistura de Last Shadow Puppets com o clima meio sinistro dos últimos trabalhos de Homme, mais a piscadela insolente dos macacos ingleses. My Propeller, Dangerous Animals, Dance Little Liar e Pretty Visitors são os melhores expoentes dessa brisa toda. Não se acanhe, hoje em dia já é chique ceder ao hype.
5. Pearl Jam - Backspacer

Eu bem que achava que um hiato faria bem ao Pearl Jam, mas não imaginava que o resultado chegaria ao nível de Backspacer. O nono disco da minha ex-banda-favorita-de-todos-os-tempos é basicamente o que eles estavam meio que tentando fazer há quase 10 anos. Se a inspiração para experimentações introspectivas - como Sometimes e Sleight of Hand - e épicos tipo Rearviewmirror parece ter acabado (ou foi uma escolha deliberada? É minha maior dúvida em relação ao Pearl Jam), que pelo menos eles fizessem bons trabalhos com os punks mezzo pop mezzo anos 80 que vinham tentando fazer. Porque o "Abacate" (o auto-intitulado "Pearl Jam"), de 2006 trazia alguns belos fiascos, tipo "tio, pare de passar vergonha". Como é que se diz hoje em dia? "Fail", não é? Desta vez, no entanto, deu certo.
A primeira metade do álbum traz músicas rápidas e vigorosas que podem até se equiparar a clássicos da banda como MFC e Hail, Hail. Minhas favoritas são Got Some e Johnny Guitar. Depois, há uma sequência de experiências bem-sucedidas, como a valsinha Speed of Sound e o crescendo emocionado de Untought Known. Ainda arrumaram espaço para um marketing pessoal de Eddie Vedder: as duas baladas do disco são cópia exata do estilo musical (folk? ukulele-rock?) de seu disco solo, mas isso não atrapalha. Pelo contrário, são belas melodias que completam o disco direitinho.
No fim, o principal mérito de Backspacer foi me fazer voltar a respeitar o Pearl Jam. E tomara que continue assim.
4. Danger Mouse and Sparklehorse Present: Dark Night of The Soul

Deus abençoe Brian Joseph Burton. Se no ano passado ele conseguiu soltar o melhor álbum de 2008 e um dos melhores da década com o Gnarls Barkley, em 2009 não fez nem um pouco feio. Desta vez, junto com Sparklehorse (e perdoem eu não saber nada sobre o cara e nem até onde vai sua participação no projeto) e com projeto gráfico de David Lynch, Danger Mouse se embrenhou por caminhos diferentes do mundialmente famoso Gnarls Barkley. Dark Night of The Soul é mais maluco, mais nóia, mais sombrio, mas também é mais Beatles pós-67, as sensações de amor, angústia e sensualidade alternando e misturando.
Para viabilizar essa piração, algumas pessoas foram chamadas: Iggy Pop (cantando, oportunamente, que é uma mistura de deus e macaco), Flaming Lips, Nina Persson, Julian Casblancas, e mais um monte de gente diferente que contribui para essas oscilações esquizofrênicas de humor ao longo do álbum. Inclusive, com seu suicídio recente, a participação de Vic Chesnutt, a mais desconfortável e misantropa de todas, fica parecendo um tipo de despedida macabra.
Mas antes de tudo, o que mais chama atenção é o bom gosto do trabalho e a sua coerência. Não surpreende. Há pouco tempo, Danger Mouse foi considerado o melhor produtor da década pela Paste Magazine e agora prepara Broken Bells, com o carinha do The Shins (que canta uma das melhores em Dark Night of the Soul). Já temos um candidato a melhor álbum de 2010.
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Jambo Ookamooga
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Saturday, December 26, 2009
Top 10 2009 - Os Discos (parte 1)
Neste ano, além de demorar para elaborar minha lista final de melhores do ano, resolvi dedicar uma resenha mais caprichada para cada um dos eleitos. Por isso, dividi a postagem em 3 partes e espero que a segunda já seja publicada amanhã. Depende da minha capacidade de escrever as coisas. Complicado...
Não achei 2009 um bom ano, nem de longe. Pode ser porque ouvi pouca coisa (sendo que no final acabei correndo para ouvir alguns lançamentos e quatro discos listados aqui eu só fui ouvir no último mês).
Acho que precisava ter escutado mais hip hop e música brasileira, mas a vida continua. Flaming Lips, Pelican e Dizzee Rascal provavelmente teriam entrado se eu tivesse ouvido seus lançamentos. Black Drawing Chalks e Cidadão Instigados não me enganaram (muito por causa dos seus vocalistas; já vi os instrumentistas de ambas as bandas ao vivo e é coisa fina). Emicida lançou uma mixtape, que hoje em dia já é disco, longa demais e só por isso não entrou.
Mãos à obra?

Mesmo que o álbum não fosse bom desse jeito, ousado instrumental e estilisticamente como é, dois motivos ainda me deixariam inclinado a arrumar um lugar para a cantora nesta lista. O primeiro é puramente temporal, quase técnico: não incluir algum representante dessa cena em que ela se encontra (a mesma em que estão Curumin, Kassin, Thalma e até rappers como Emicida e Kamau) seria virar as costas para o inegável: a música brasileira está renascendo - e com criatividade. O outro motivo é meramente masculino. Como disseram por aí (acho que foi o Alexandre Matias), a Céu não se identifica com o estereótipo da cantora de mpb durona e sapatão. Ela está mais para a irmã gatinha do seu amigo que fuma maconha e escuta os CDs de reggae do irmão mais velho. Aí meu coração amolece.
9. Slayer - World Painted Blood

Nessa linha de pensamento, World Painted Blood encaixou direitinho em 2009. É Slayer puro, pesado e com Tom Araya cantando como nunca, mesmo beirando os 50 anos. E eu valorizo demais uns tiozões tocando thrash metal sem parecerem ridículos (o Kerry King meio que é ridículo, mas a gente finge que não vê).
8. Mastodon - Crack The Skye

O último do Mastodon, Crack The Skye, parte de onde seu antecessor, Blood Mountain, parou. Explico: o álbum de 2006 começa impiedosamente bruto, pesado, os 12 braços do baterista judiando a bateria. Conforme vai avançando, vai ficando mais etéreo, cada vez mais viajandão. Até as participações especiais mostram isso. Scott Kelly, do Neurosis, Josh Homme, do QotSA, Cédric Bixler-Zavala e Ikey Owens, do Mars Volta, na ordem.
Crack The Skye é exatamente a mistura perfeita do começo e do final de Blood Mountain e é tão bem resolvido que chega a ser claramente pop (tão pop quanto o metal pode ser). Atente para Oblivion, Divinations e o épico dividido em quatro partes The Czar.
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Jambo Ookamooga
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Friday, December 11, 2009
O Novo Trabalho do Yeasayer é um Belo Cocozão.
Falando sério: estou de luto pelo Yeasayer.
Porque parece que eles não assimilaram esse hype todo em cima das bandas do Brooklyn e quiseram fazer alguma coisa estranha que no fim é só ruim. Essa coisa se chama Odd Blood, seu segundo disco.
Eu gosto de Apes & Androids, de MGMT, Dirty Projectors e Animal Collective (que, se não é da cena hipster do Brooklyn geograficamente, está lá com o coração) assim como gostava do Yeasayer de All Hour Cymbals, justamente pelo fato de cada uma ser diferente da outra! Todas com o mesmo jaco colorido e o Nike Dunk de cadarço fluorescente, mas cada uma com uma contribuição diferente, numa mistura doida e improvável, do eletropop-lucio-ribeiro (MGMT) à freakagem sensível (Dirty Projectors).
Triste que o caminho que o Yeasayer escolheu pra capitalizar na visibilidade dessa cena hipster tenha sido misturar um pastiche oitentista/pós punk nas suas camadas de sintetizadores. As mesmas que casavam tão bem com aquela doideira world music cheia de ecos.
Chega a me ofender que uma música ridícula como Love Me Girl seja da banda que eu tinha certeza absoluta que seria a melhor banda dos anos 10 (anos 10 é muito classudo, né?). Daquelas que ninguém dá bola, mas que quem escuta sabe que é fodida. Tipo, em outras palavras, o Yeasayer tinha tudo pra ser a "minha" banda. Sem nenhuma síndrome de underground aqui, só estou externando aquele egoísmo que todo ser humano sente o tempo todo.
Além de Love Me Girl, temos ainda Madder Red como música muito ruim. Fora isso, quase todo o resto é simplesmente plástico descartável (mas lembre-se, as pessoas boas reciclam). Boas mesmo, só Ambling Alp e O.N.E. Mesmo assim, não representam o que a unhinha do dedinho carcomido de Wait for the Wintertime (ou No Need to Worry) respresenta. E, numa comparação ainda mais direta, é uma afronta que Griselda seja a faixa de encerramento, quando a banda já teve uma música-epifania do nível de Red Cave fechando um álbum.
Talvez o problema seja a comparação com All Hour Cymbals, a estréia do grupo. Tudo daquele disco parece superior a Odd Blood, e isso é sempre um problema gravíssimo. Talvez a produção desse segundo disco seja melhor, mas até aí, era o Bob Dylan que dizia que uma canção boa não dependia de produção ou algo parecido?
Seja como for, é besteira ficar chorando as pitangas, se martirizando. "Olhem pra mim, a minha principal aposta mandou mal pra dedéu, olhem como sou azarado!". Não. O caminho é escutar All Hour Cymbals esperando que o terceiro disco seja legal. Se não der certo, aí sim é hora de desistir e seguir em frente. A próxima cena sinishhhtra pode ser aquela dos subúrbios de Kiev.
E essa é uma lição valiosíssima, crianças!
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Jambo Ookamooga
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Monday, November 16, 2009
Só Iggy Pop Importou no Planeta Terra
Já perdi o timing, obviamente, mas é de bom tom registrar a primeira - e provavelmente última - vez que eu vi James "his Igness" Osterberg ao vivo.
Chegou 2009 e nem cogitava ir ao festival, apesar da boa organização e das lembranças legais de 2008. Maxïmo Park? Primal Scream? Copacabana Club? Ting Tings?? (essa até me ofende) Eu não acho que tenho cara de palhaço. Você acha?
Mas é que eu amo o Iggy Pop. Costumo dizer que se eu tenho um dilema moral, eu saio dele perguntando "o que Iggy faria?". Quando fecharam a volta dos Stooges com o Williamson para a edição 2009, tive que desmarcar meus planos de ver Faith No More no Maquinária (o festival concorrente, com atrações bem mais legais, mas sem Ele) e engolir o lineup anêmico do PT. Tudo bem, colocaram o Playcenter como o local da farra indie e deixaram o público andar nos brinquedos do parque. Além disso, Macaco Bong e N.A.S.A. completariam o dia com um bom nível.
Faltou combinar com os russos.
Um problema de saúde me fez chegar bem meia bomba no festival, sem condições de brincar no Evolution ou no Chapéu Mexicano e tarde demais para ver o show que dizem ter sido sensacional do Macaco Bong. Esse problema (até hoje não me curei e não sei exatamente o que é) me faz ver duplo e eu tinha que ficar fechando um olho para o mundo fazer algum sentido pra mim.
Nesse estado pouco confortável, a primeira banda que acompanhei, Maxïmo Park, me pareceu uma pegadinha das menos inspiradas. Daquelas forjadas, tipo João Kléber. De forma bem insistente, perguntava pras pessoas: Isso aí é sério? Aposto numa pegadinha mesmo, só que de Deus: era um cover muito mal feito do Kaiser Chiefs, que eu conseguira fugir um ano antes. Realmente, não dá pra engambelar o destino.
Depois, Primal Scream e Sonic Youth são dois lixos tão superestimados que fizeram shows tão qualquer-nota que não tem lá muito o que dizer. Primal Scream me animou de leve só quando tocou Deep Hit of Morning Sun, e eu fiquei imaginando que tesão seria se, ao invés deles, fossem os Gutter Twins tocando a sua versão. Do Sonic Youth, só me perturbou muito ver uma mulher que parece a minha mãe segurando uma Fender Jaguar.
Só que aí entrou o Iguana e sua gangue. Numa pegada meio masoquista, eu tinha pagado 95 reais já prevendo que tudo poderia ser um desastre até ali e me conformava, desde sempre, que Stooges é Raw Power, então não pedia qualidade musical da performance de qualquer forma.
Pedrinho é sensato pra chuchu, mesmo!
A banda estava obviamente desentrosada e meio fora de forma, mas o grande O fazia uma performance digna dele mesmo. Pulou na platéia - muito bem seguro por uma corda, mas minha sensatez envolvia não esperar um Metallic K.O. - , chamou uns 50 sortudos pra cima do palco durante Shake Appeal, jogou o microfone no chão, arremessou uma muleta pro alto e mostrou sua bela bunda enrugada e decrépita. Todo aquele teatro delicioso que tem que acontecer enquanto o Iggy fizer shows, até os 173 anos, se for preciso.
O setlist foi curto e eficiente. Foi aquilo que eu e você queríamos, sem The Weirdness, Préliminaires, Candy, ou qualquer outro acidente de percurso. Tivemos I Wanna Be Your Dog, Raw Power, Loose, Gimme Danger e metade de Raw Power e Fun House. Iggy e Williamson, patifes, ainda conseguiram encaixar algo do seu antigo projeto, nunca lançado, chamado Kill City. Confesso que boiei.
Os quase 70 anos pesaram. Depois de uma hora e uns dez minutos, a banda pediu arrego e anunciou a última, num esforço bem voluntarioso e espontâneo. Lust For Life não parecia ter sido ensaiada, mas teve energia e diversão.
Saí do show satisfeito, mas com a certeza de que Iggy and the Stooges não foi a redenção do Planeta Terra, nem a banda gigante que o provedor nos deve (deve só porque se propôs a isso) desde que trouxe o Pearl Jam. Mas provaram para todos os shoegazers e neoravers e chupadores de pinto que poluíram meu 7/11 o quanto ainda são mirins.
No final, conferi um trecho de N.A.S.A. e tive que cair fora. O cansaço era tanto que achei mais negócio colar nos meus amigos que iam me dar carona. Foi nessa hora que descobri o quanto é nocivo um lineup cocô. Se o que você quer ver é só no final, as apresentações inúteis te deixam bichado para o que realmente vale a pena.
Olhando pra trás, conquistei meu objetivo, que era ver o porra louca mais idiota da face da Terra. Mas se for fazer um balanço geral, assim, tipo numa frase... Sei lá, viu? Sei lá mesmo.
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Monday, September 28, 2009
Futebol 2010 em Caps Lock
Mais uma conversa genial no MSN entre eu e meu amigo Lipe. Cuidado com o Gambá FC, galera!
pedro diz:
fiz um time forjado no fifa
solid gold fc
time: palop, dani alves, miranda, lugano, ashley cole, frings, fabregas, lampard, diego, zlatan e amauri
INVENCIVEL
felipe diz:
HUA olha isso
pedro diz:
APELAUM? RS
felipe diz:
é o são paulo pra libertadores 2010
pedro diz:
NADA
É O CORINTHIANS
DO CENTENÁRIO, CARA
HAUHAUHAUHAUHAUHAUHAUHA
felipe diz:
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
ESQUECEU DO DENTINHO, VACILAO
pedro diz:
E DO JORGE HENRIQUE
VOU TIRAR ZLATAN E LAMPARD RS
felipe diz:
ISSO RSKKSKSKSK
NADA MAIS JUSTO
pedro diz:
E AINDA RESCINDIR O CONTRATO DO VAN PERSIE E DO FORLÁN, QUE TAO NA RESERVA, PRA COLOCAR DEFEDERICO E BILL!
felipe diz:
E DESISTIR DE GAROTOS BADALADOS COMO MESSI E AGUERO PARA INVESTIR EM TALENTOS MIRINS COMO BOQUITA E JUCILEI
pedro diz:
RSRSRS
NAO CURTO ARGENTINOS, PAU NO CU DELES
SOU MAIS SOUZA E MORADEI DO QUE ESSA DUPLA DE ARGENTINOS
felipe diz:
E FALTOU RIQUELME HEIN MANO
CAMISA 10 DO CENTENARIO
KKKK
pedro diz:
JA DISSE QUE NAO CURTO ARGENTINOS, SE FOSSE O ANDRÉS SANCHEZ, CONTRATAVA O MICHAEL JORDAN
OU O ZIDANE
RS
felipe diz:
OU O EUSÉBIO
CRAQUES PORTUGUESES ESTAO SUPER NA MODA
pedro diz:
EUSÉBIO MATOSO RS
felipe diz:
VIDE LUIS FIGO E CRISTIANO RONALDO
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Jambo Ookamooga
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7:44 PM
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Monday, September 21, 2009
Curumin e os Caminhos da Música
Fizemos esse trampo pra faculdade há quase um ano. A proposta era fazer um vídeo com um músico que misturasse música eletrônica e samples ao seu som. Escolhemos o genial Luciano Albuquerque, mais conhecido como Curumin, pra mim o melhor de todos da música brasileira atual.
As imagens e entrevistas foram gravadas durante um dos shows em série que o Curuma fez toda quarta-feira de outubro de 2008 na Galeria Olido, aqui no centro de SP. O som do cara é tão urbano e, ao mesmo tempo, tão melódico e miscigenado, que o Largo do Paissandu, Galeria do Rock, AV. São João, Rua 24 de Maio e etc. formaram o cenário perfeito.
Essas apresentações na Olido tinham cara de reunião de amigos, com umas incursões de scratch e discotecagem ENTRE as músicas. Sensacional, vi duas vezes. No dia que gravamos o "programa", ainda tivemos a sorte de pegar o Kamau e o Emicida improvisando umas rimas. Ainda teve o Marcelo "Mac" Costa dando sua opinião sobre a nova música.
Muito doido.
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Jambo Ookamooga
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Wednesday, September 09, 2009
Dia dos Beatles
Me parece inútil tentar balbuciar algo sobre os Beatles neste 9 de setembro, quando todo mundo - vários com bem mais propriedade do que eu - está falando deles. Mas justamente por ter tanta gente dando pitaco, acho que é uma desculpa bem legítima pra tirar a poeira disso aqui.

Se parece bobo que o Dia dos Beatles tenha sido "inventado" pela EMI e pela Electronic Arts, não dá pra dizer que é injusto. Aliás, levando em conta o que os Beatles representam, a ENTIDADE que são seus discos e músicas e sua onipresença na cultura pop, talvez o dia de hoje devesse ser feriado. O aniversário de Jesus Cristo é, afinal. Messias por messias, sou mais os quatro de Liverpool, que terminaram de consolidar o Rock and Roll como a música mais importante de todas.
Estou mentindo? Então me aponte um ritmo com o alcance e, principalmente, o apelo do rock. Antes disso, tente lembrar de todos os estilos que afluíram do rock e quantos ritmos foram misturados a ele para criar "algo novo e ainda assim, pop". E qual outro movimento musical abriga, ao mesmo tempo, disparidades como Coldplay e Black Sabbath, Ramones e Mr. Bungle?
O fato de os Beatles, assim como o Rock and Roll, terem ido do Please Please Me ao Sargent Pepper, de Blue Jay Way a Helter Skelter, só os impulsiona ainda mais para cima, ou para "the toppermost of the poppermost", como os próprios diziam no começo, ainda em Hamburgo.

É essa a impotância dos Beatles e das suas características messiânicas. Eles subverteram tudo o que havia sido ensinado até então, vindos de uma cidade cinza que poderia muito bem ser Osasco ou Gdànsk, mudando o mundo em favor dos jovens (ou "não-obsoletos"), sem ter uma Mensagem, necessariamente. Representavam as duas frentes do século XX muito antes delas existirem: agressividade, apatia, ativismo, interesse e velocidade (punk) e preocupação, senso de interação/conectividade, hedonismo e liberdade (hippie).
Se você é daqueles energúmenos que têm birra com os Fab Four só por causa dessa ONIPRESENÇA, fiz um top 5 (que virou, com muita justiça, um top 17) hoje mais cedo no Twitter, que pode te ajudar a corrigir essa falha absurda no caráter.
Divirta-se:
1. I Want You (She's So Heavy)
2. I'm Only Sleeping
3. Sexy Sadie
4. Blue Jay Way
5. Oh! Darling
6. Julia
7.For You Blue
8. Within You Without You
9. Strawberry Fields Forever
10. We Can Work it Out
11. I Saw Her Standing There
12. A Day in the Life
13. Golden Slumbers
14. Doctor Robert
15. Happiness is a Warm Gun
16. Good Day Sunshine
17. Dig a Pony

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Wednesday, July 15, 2009
Finalmente
Finalmente achei uma banda que presta na NAITE de São Paulo.
Culto ao Rim, ontem, no Berlin, foi sensacional. Guitarra, baixo, bateria e saxofone. É jazz, rock, malemolência e Billie Jean. Recomendo fortemente, todas as terças de julho (dá tempo, ainda tem mais duas) na casa da Barra Funda.
Provavelmente a melhor banda instrumental do Brasil atualmente, junto com o Guizado.
http://www.myspace.com/cultoaorim
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Friday, June 26, 2009
Inocente e Inconseqüente.
Confesso: quando confirmaram a morte de Michael Jackson, eu chorei. Não foi um choro alto, desesperado, como se tivesse perdido algum ente querido. Mas senti aquele calafrio subindo pelas costas e as lágrimas começaram a rolar, ainda tentando compreender o que tinha ocorrido. Ninguém imaginava que isso podia acontecer e, agora, ninguém imagina o que vai acontecer.
Em termos práticos, Michael Jackson ainda significava muito pra música pop até o momento de sua morte. A simples esperança de ver o "rei do pop" em cima de um palco cantando, fora de forma que fosse, ainda era um fenômeno muito maior do que qualquer disco novo de Lil Wayne, Lady Gaga e qualquer um desses whoevers da música pop, que você ouve, gosta e depois esquece.
Em termos metafísicos, Micheal Jackson será sempre um gigante. O jeito mais simples de provar isso pra mim mesmo é continuar sentindo aquele arrepio e o umedecimento instantâneo dos olhos ao ler as condolescências de seus amigos famosos.
Além disso, seus famosos trabalhos com Quincy Jones - e sem ele também - possuiam uma coisa que não se encontra mais na pop music (diferente de "música pop"): eram todos inteiramente bons. Não eram só os singles, era muito mais. Workin' Day and Night, Girlfriend, PYT, The Girl is Mine (hilária) e tudo mais. Tudo feito com esmero e vontade, uma comunhão de interesses pela boa música.
Apesar da aparência de plástico, surpreendentemente, Jacko ainda era um ser humano capaz de sentir e falar e comer pizza. E enquanto há humanidade, ainda há esperança. Por isso, as 50 datas na O2 Arena (que fique registrado: a quantidade de shows foi contra a vontade do músico, e o stress é o que pode o ter matado, ironicamente) diziam muito tanto para londrinos quanto para o resto do mundo. Era a chance real de ver Micheal ao vivo, em carne-e-osso, pela última vez. Ou talvez pela primeira de muitas últimas vezes, como fazem os Stones há uns 15 anos. Se Mick e seus amigos, além de tantos outros impostores muito piores, podem, nada mais justo do que o rei do pop ter esse direito.
A verdade é que Jackson ainda merecia uma chance para fazer o que quisesse, musicalmente falando. Como uma forma de mostrar o dedo pra todo mundo que tentou o jogar para baixo apenas por ser um filho da puta tão esquizofrênico quanto qualquer descoladinho que entope as veias de heroína. Para mostrar para aquela legião de crianças oportunistas e suas famílias aproveitadoras que o bem sempre vence.
Seus amigos e família eram unânimes em afirmar que Jacko se tratava de uma pessoa gentil, carinhosa e preocupada em fazer o bem. Por nem um segundo eu cheguei a acreditar que ele era um pedófilo, muito por conta desses relatos, mas também por sentir que, de longe, o entendia um pouco. Sempre foi muito óbvio que Michael era uma criança por dentro, incapaz de fazer mal a alguém, e que achava muito normal comer bolacha e ver filmes com os filhos de estranhos debaixo das cobertas, simplesmente porque crianças nunca o apunhalariam pelas costas. Quando alguém é inocente e inconseqüente a esse ponto, deve ser tão cultuado quanto o doidão que cheirava formigas.
Tem gente que afirma que, artisticamente, Michael Jackson já estava morto há muito tempo e isso é difícil de contestar. Mas a morte do ser humano e da chance de vê-lo de volta doeram muito mais. Agora é definitivo, a esperança morreu. E todo mundo sabe que ela é a última.
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Jambo Ookamooga
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Wednesday, June 10, 2009
Como Imitar Lester Bangs
No gênese do Black Sabbath, houve uma explosão sonora grande o suficiente para ter suas consequências reverberando até hoje, nos lugares mais imprevisíveis. A última onda atingiu os impostores do Arctic Monkeys, que conseguiram engambelar boa parte do mundo descolado com música descartável de adolescente entediado.
"Whatever People Say I Am, That's What I'm Not", "Favourite Worst Nightmare", tem como ser mais fanfarrão? Bem, aparentemente sim. Os arruaceiros de Sheffield foram capazes de encontrar um maníaco manipulador ainda pior do que eles disposto a produzir e, o que é ainda mais grave, encorajar sua próxima farsa. Josh Homme, ele mesmo, o picareta mais traiçoeiro da história da música americana, que transforma merda em ouro apenas sendo um cuzão egocêntrico, levou os meninos pro seu rancho no deserto e encheu-os de pó, de cogumelo, de anfeta e do que mais você conseguir imaginar.
No mínimo, eles não escutam mais Oasis sem sentir uma pontada de vergonha. No máximo, irão fazer um grande disco.
“Nós passamos o primeiro dia no estúdio trabalhando no riff mais complicado que você pode ouvir” disse Alex Turner, O Grande Bundão, “Nós usamos o riff no começo e na introdução. É como o Black Sabbath”.
"Black Sabbath".
Quem é que deu permissão a esses moleques que mal saíram das fraldas a tocar no Santo Nome? Quer dizer, não é que eu esteja aqui me declarando como o maior fiel do heavy metal, mas para um macaco ártico, é preciso cuidado até para mencionar Culture Club.
Provavelmente é obra de Baby Duck, consciente de que esse pode ser mais um passo para a conquista de um mundo livre de amarras, em que até mesmo um fedelho do norte da Inglaterra tem permissão para querer se igualar ao Sabbath (também fedelhos do norte da Inglaterra na sua época, o que talvez faça sentido nesse plano malévolo). E então ele, do alto de seu palco brilhante com lustres dependurados, poderá dizer: "fui eu quem deu tudo isso a vocês".
Duvida? Lembre-se que foi Homme que discotecou uma música de Britney Spears munido apenas de umas tatuagens legais e uma piscadela maneira.
Mas apenas a peculiar falta de senso de limite do líder do QotSA não seria nada se fosse ao encontro de pessoas/aprendizes com o mínimo de juízo. Exercitando mais uma vez a memória, o que foi aquela demonstração de megalomania chamada The Last Shadow Puppets? Entende onde quero chegar? Alex Turner não tem o mínimo respeito! Seu objetivo é chocar, é desafiar, nem que para isso seja necessário armar a maior peça de mau gosto do ano. E fodam-se as consequências.
O resultado dessa palhaçada vai se chamar Humbug e deve ser lançado em agosto. Seja como for, e teorias da conspiração à parte, confesso que tenho medo. Porque sei que estou numa encruzilhada: ou sofrerei de vergonha alheia excruciante ou terei de escutar um disco sensacional e me render a mais uma banda indie.
E, bom, ninguém quer isso, não é mesmo?
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Sunday, May 10, 2009
Começou o Campeonato Brasileiro 2009
Um bocejo. É geralmente o meu comentário acerca da primeira rodada de qualquer campeonato de futebol de pontos corridos. Paulista, Brasileiro, Inglês, Italiano, Argentino e até as primeiras partidas das fases de grupo de Libertadores e Champions League costumam ser chatas e em cima do muro.
Mas até que neste ano, conseguiram fazer um (meio) marketing legal pro nosso campeonato nacional, tornando o começo do Brasileiro algo minimamente empolgante. Faz algum sentido, se você pensar nos timaços de Corinthians, Inter, Cruzeiro, Fluminense, Palmeiras, etecétera, além do São Paulo, que ganha o mesmo campeonato jogando feio há três temporadas. Tem também Adriano, Fred, Ronaldo, Marcos, Sorín, Rogério Ceni, Ramires, Hernanes, Keirrison, comandados por Muricy Ramalho, Luxemburgo, Parreira, Wagner Mancini, Adílson Batista, Carpegianni, (em breve) Paulo Autuori e tantos outros. Quer dizer, material humano não falta.
A organização também está ficando bonitinha. Se a arbitragem não é a melhor do mundo, hedionda como era antes também não é. A fórmula de pontos corridos emplacou, o pay-per-view vende cada ano mais, sem esvaziar os estádios (pelo contrário, aliás), fantasy games, blogs, podcasts, nanopops, programas de debate são sucesso e o final emocionante do Brasileirão 2008 deixou as pessoas com boa impressão e grande expectativa.
Mesmo com tudo isso, ainda não dá pra empolgar. Cruzeiro e Vitória, neste momento, 18:33 do dia 10 de maio, são líderes porque venceram seus jogos por 2x0. Não tem como se divertir muito.
Também posso estar neste tédio por causa do meu time. Mais uma vez o São Paulo decepciona em uma estréia. E mais uma vez, mesmo com isso, tem todas as chances de ganhar o campeonato fácil, fácil. O Tricolor joga a mesma partida há quase 3 anos (conto a partir do jogo seguinte à final perdida da Libertadores 2006, em meados de agosto daquele ano). Depende sempre do adversário nos vencer, nos golear, perder pra nós ou, raramente, abrir as pernas totalmente e levar um chocolate acachapante (Mirassol, Paraná Clube, Náutico, estou esquecendo de algum?).
Como gostam de dizer, é tudo culpa do Muricy: o estilo de jogo previsível, os jogadores ruins que ele gosta, os jogadores mal escalados, as invenções táticas mirabolantes, os chuveirinhos na área... Mas what the hell. Ruim com ele, pior sem ele. Seus concorrentes não fazem melhor. O mais falado de todos, Vanderlei Luxemburgo, vem pipocando sistematicamente no campeonato nacional há uns 5 anos. Imagine os outros.
O que esperar do Brasileirão? Nada, por enquanto. Torço pra que seja um campeonato bonito, acima de tudo (e o São Paulo nem precisa ganhar, chega de levar a liga nacional como compensação para a derrota na Libertadores). Mas é claro que fica um gosto amargo quando o acontecimento futebolístico mais emocionante do domingo inaugural do Brasileiro 2009 é um pedaço de entrevista de Diego Lugano, a.k.a. O Deus da Raça, num programa da Band.
Fazer o quê, a vida continua.
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Jambo Ookamooga
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2:16 PM
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Saturday, May 09, 2009
Devo, Não Nego
Pode ser que 5 mil pessoas leiam este blog, ou só duas. Que sejam duas (é o mais provável). Eu ainda devo explicações.
E na verdade é bem simples: não tenho inspiração nenhuma pra postar aqui. Nada acontecendo que me dê vontade de escrever. Claro que tem alguma coisa acontecendo (um exemplo simples é a virada cultural), mas não é só vomitar qualquer três parágrafos e boa, um texto tem que ter estilo, inspiração, começo-meio-e-fim e tudo mais.
Minha produção criativa tem se restringido a compor e tirar músicas, já que faz nem um mês que eu descolei uma guitarra nova (Tokai ES-60, réplica de Gibson ES-335, amarela, um tesão, sustain perfeito) e ela me inspira de verdade.
Também tô com um twitter (www.twitter.com/Amendoim3), que eu já tinha faz um tempo, mas só comecei a usar mesmo mês passado (na modinha mesmo). Se quiser, é só seguir.
Pra finalizar, ainda sobre o texto anterior, se alguém tinha dúvida de que Mike Skinner é gênio, ela se dissipará ao ver o vídeo abaixo:
Sei bem que a cada uma dessas ausências eu perco mais e mais leitores, mas o que eu posso fazer? Minha profissão (ainda) não é a mais constrangedora do mundo, a de "blogueiro profissional".
Aos que continuam com o amiguinho aqui, que sobrevivam à gripe suína e fiquem ligados. Qualquer dia o Spreading Lies volta direitinho.
Beijoca.
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Jambo Ookamooga
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Saturday, April 18, 2009
Eu Gosto Porque #1 - The Streets
Foi a idéia que eu tive pra atualizar este blog quando estiver sem inspiração ou tempo ou vontade, mesmo.
Assim, eu escrevo o porquê de gostar de determinada banda ou artista e basicamente é só isso. Justificativa, exaltação do próprio gosto musical e outros motivos mesquinhos.
Tem também uma diferença: nesses determinados posts, vou colocar link de wikipédia, youtube, fotinho... Tudo pra estimular os outros a gostarem do que eu gosto. A idéia é dominar o mundo.
O que eu queria era só pedir pros 2,32 leitores deste blog pra me questionarem, quando este estiver sem atualização. É pra provocar mesmo. Tipo "isso aí é uma merda, por que você gosta disso?". Daí eu escrevo.
Sem me preocupar com tese, dissertação, conclusão. Pro inferno com essas merdas. Eu só gosto porque...

A afetação inglesa do Streets provavelmente é o que o aproxima de um moleque de classe média de São Paulo. Não tem como fugir disso, eu sou só mais um moleque quase-white-trash do Itaim, como a maioria dos meus amigos. Que toma umas, usa umas substâncias ilícitas às vezes, chega nas minas, pega de vez em quando, toma toco na maioria das vezes, sai a pé na rua pra comer um salgado e gosta de fumar um cigarro. Nada muito empolgante at all.
Original Pirate Material, o primeiro disco do Streets, e seu subseqüente, A Grand Don't Come For Free, falam basicamente disso. Tem a loucura chapada de cogumelos e álcool de Too Much Brandy (minha favorita até hoje), a violência bunda-mole tipo "cara, eu poderia te arregaçar na porrada se eu quisesse" de Gezzers Need Excitement e até um toco homérico em Fit But You Know It. Tudo aquilo que a gente vive de vez em quando num fim de semana.
Além disso, as bases eletrônicas, remanescentes da cultura rave britânica são das mais legais que se acha por aí. São loops toscos, sem muito requinte, de quem aprendeu a mexer no Fruity Loops na semana passada. Pura criatividade em favor da indolência, artimanha que quase todo moleque usa.
A mensagem, por trás de toda essa identificação com a molecada, é de positividade. Nos dois primeiros discos, a última música é otimista. Literalmente em Stay Positive ou deliberadamente estética, no caso de Empty Cans, onde Skinner briga com Deus e o mundo, mas, ao voltar a fita, a música recomeça, com a mesma situação sendo vista com olhos mais positivos e sendo solucionada, conseqüentemente. Um amigo meu jura que saiu do pó por causa dessa música. Olha que lindo.
Depois disso, nos dois últimos álbuns, as preocupações do MC são outras, mais adultas, mas o olhar de compaixão pros garotos do pub continuam, e as mensagens ainda estão lá.
Ninguém aqui tem um Bentley, um Hummer ou usa casaco de pele com boné. Mike Skinner também não (se ele tiver um Bentley agora, não tinha quando gravou suas primeiras músicas). Ele quer mais é sair e "get fucked up with the boys". É mais ou menos o que a gente faz.
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Jambo Ookamooga
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