Monday, September 28, 2009

Futebol 2010 em Caps Lock

Mais uma conversa genial no MSN entre eu e meu amigo Lipe. Cuidado com o Gambá FC, galera!

pedro diz:
fiz um time forjado no fifa
solid gold fc
time: palop, dani alves, miranda, lugano, ashley cole, frings, fabregas, lampard, diego, zlatan e amauri
INVENCIVEL
felipe diz:
HUA olha isso
pedro diz:
APELAUM? RS
felipe diz:
é o são paulo pra libertadores 2010
pedro diz:
NADA
É O CORINTHIANS
DO CENTENÁRIO, CARA
HAUHAUHAUHAUHAUHAUHAUHA
felipe diz:
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
ESQUECEU DO DENTINHO, VACILAO
pedro diz:
E DO JORGE HENRIQUE
VOU TIRAR ZLATAN E LAMPARD RS
felipe diz:
ISSO RSKKSKSKSK
NADA MAIS JUSTO
pedro diz:
E AINDA RESCINDIR O CONTRATO DO VAN PERSIE E DO FORLÁN, QUE TAO NA RESERVA, PRA COLOCAR DEFEDERICO E BILL!
felipe diz:
E DESISTIR DE GAROTOS BADALADOS COMO MESSI E AGUERO PARA INVESTIR EM TALENTOS MIRINS COMO BOQUITA E JUCILEI
pedro diz:
RSRSRS
NAO CURTO ARGENTINOS, PAU NO CU DELES
SOU MAIS SOUZA E MORADEI DO QUE ESSA DUPLA DE ARGENTINOS
felipe diz:
E FALTOU RIQUELME HEIN MANO
CAMISA 10 DO CENTENARIO
KKKK
pedro diz:
JA DISSE QUE NAO CURTO ARGENTINOS, SE FOSSE O ANDRÉS SANCHEZ, CONTRATAVA O MICHAEL JORDAN
OU O ZIDANE
RS
felipe diz:
OU O EUSÉBIO
CRAQUES PORTUGUESES ESTAO SUPER NA MODA
pedro diz:
EUSÉBIO MATOSO RS
felipe diz:
VIDE LUIS FIGO E CRISTIANO RONALDO

Monday, September 21, 2009

Curumin e os Caminhos da Música

Fizemos esse trampo pra faculdade há quase um ano. A proposta era fazer um vídeo com um músico que misturasse música eletrônica e samples ao seu som. Escolhemos o genial Luciano Albuquerque, mais conhecido como Curumin, pra mim o melhor de todos da música brasileira atual.

As imagens e entrevistas foram gravadas durante um dos shows em série que o Curuma fez toda quarta-feira de outubro de 2008 na Galeria Olido, aqui no centro de SP. O som do cara é tão urbano e, ao mesmo tempo, tão melódico e miscigenado, que o Largo do Paissandu, Galeria do Rock, AV. São João, Rua 24 de Maio e etc. formaram o cenário perfeito.

Essas apresentações na Olido tinham cara de reunião de amigos, com umas incursões de scratch e discotecagem ENTRE as músicas. Sensacional, vi duas vezes. No dia que gravamos o "programa", ainda tivemos a sorte de pegar o Kamau e o Emicida improvisando umas rimas. Ainda teve o Marcelo "Mac" Costa dando sua opinião sobre a nova música.

Muito doido.

Wednesday, September 09, 2009

Dia dos Beatles

Me parece inútil tentar balbuciar algo sobre os Beatles neste 9 de setembro, quando todo mundo - vários com bem mais propriedade do que eu - está falando deles. Mas justamente por ter tanta gente dando pitaco, acho que é uma desculpa bem legítima pra tirar a poeira disso aqui.

***


Se parece bobo que o Dia dos Beatles tenha sido "inventado" pela EMI e pela Electronic Arts, não dá pra dizer que é injusto. Aliás, levando em conta o que os Beatles representam, a ENTIDADE que são seus discos e músicas e sua onipresença na cultura pop, talvez o dia de hoje devesse ser feriado. O aniversário de Jesus Cristo é, afinal. Messias por messias, sou mais os quatro de Liverpool, que terminaram de consolidar o Rock and Roll como a música mais importante de todas.

Estou mentindo? Então me aponte um ritmo com o alcance e, principalmente, o apelo do rock. Antes disso, tente lembrar de todos os estilos que afluíram do rock e quantos ritmos foram misturados a ele para criar "algo novo e ainda assim, pop". E qual outro movimento musical abriga, ao mesmo tempo, disparidades como Coldplay e Black Sabbath, Ramones e Mr. Bungle?

O fato de os Beatles, assim como o Rock and Roll, terem ido do Please Please Me ao Sargent Pepper, de Blue Jay Way a Helter Skelter, só os impulsiona ainda mais para cima, ou para "the toppermost of the poppermost", como os próprios diziam no começo, ainda em Hamburgo.

Um game exclusivo, uma caixa remasterizada, um dia extra-oficial (por causa do numberrr niiiine?), além das incontáveis homenagens e biografias e referências através dos anos significam bem mais do que o toppermost of the poppermost. George, Paul, John e Ringo são deuses modernos, criados pela necessidade de pop, bop, rebop, poppermost, catarse, celebridade e comoção que surgiu no século XX. Deuses tateáveis, vendáveis, cujo canto do cisne não foi reaparecer dentro de uma gruta no meio do deserto, vestindo uma bata e um fraldão. Foi um show no telhado, oferecido para quem quer que estivesse passando pela rua e que, hoje em dia, pode ser visto em três partes no Youtube.

É essa a impotância dos Beatles e das suas características messiânicas. Eles subverteram tudo o que havia sido ensinado até então, vindos de uma cidade cinza que poderia muito bem ser Osasco ou Gdànsk, mudando o mundo em favor dos jovens (ou "não-obsoletos"), sem ter uma Mensagem, necessariamente. Representavam as duas frentes do século XX muito antes delas existirem: agressividade, apatia, ativismo, interesse e velocidade (punk) e preocupação, senso de interação/conectividade, hedonismo e liberdade (hippie).

Se você é daqueles energúmenos que têm birra com os Fab Four só por causa dessa ONIPRESENÇA, fiz um top 5 (que virou, com muita justiça, um top 17) hoje mais cedo no Twitter, que pode te ajudar a corrigir essa falha absurda no caráter.

Divirta-se:

1. I Want You (She's So Heavy)
2. I'm Only Sleeping

3. Sexy Sadie
4. Blue Jay Way
5. Oh! Darling

6. Julia
7.For You Blue
8. Within You Without You
9. Strawberry Fields Forever
10. We Can Work it Out
11. I Saw Her Standing There

12. A Day in the Life
13. Golden Slumbers
14. Doctor Robert
15. Happiness is a Warm Gun
16. Good Day Sunshine

17. Dig a Pony

Wednesday, July 15, 2009

Finalmente

Finalmente achei uma banda que presta na NAITE de São Paulo.

Culto ao Rim, ontem, no Berlin, foi sensacional. Guitarra, baixo, bateria e saxofone. É jazz, rock, malemolência e Billie Jean. Recomendo fortemente, todas as terças de julho (dá tempo, ainda tem mais duas) na casa da Barra Funda.

Provavelmente a melhor banda instrumental do Brasil atualmente, junto com o Guizado.

http://www.myspace.com/cultoaorim

Friday, June 26, 2009

Inocente e Inconseqüente.

Confesso: quando confirmaram a morte de Michael Jackson, eu chorei. Não foi um choro alto, desesperado, como se tivesse perdido algum ente querido. Mas senti aquele calafrio subindo pelas costas e as lágrimas começaram a rolar, ainda tentando compreender o que tinha ocorrido. Ninguém imaginava que isso podia acontecer e, agora, ninguém imagina o que vai acontecer.

Em termos práticos, Michael Jackson ainda significava muito pra música pop até o momento de sua morte. A simples esperança de ver o "rei do pop" em cima de um palco cantando, fora de forma que fosse, ainda era um fenômeno muito maior do que qualquer disco novo de Lil Wayne, Lady Gaga e qualquer um desses whoevers da música pop, que você ouve, gosta e depois esquece.

Em termos metafísicos, Micheal Jackson será sempre um gigante. O jeito mais simples de provar isso pra mim mesmo é continuar sentindo aquele arrepio e o umedecimento instantâneo dos olhos ao ler as condolescências de seus amigos famosos.

Além disso, seus famosos trabalhos com Quincy Jones - e sem ele também - possuiam uma coisa que não se encontra mais na pop music (diferente de "música pop"): eram todos inteiramente bons. Não eram só os singles, era muito mais. Workin' Day and Night, Girlfriend, PYT, The Girl is Mine (hilária) e tudo mais. Tudo feito com esmero e vontade, uma comunhão de interesses pela boa música.

Apesar da aparência de plástico, surpreendentemente, Jacko ainda era um ser humano capaz de sentir e falar e comer pizza. E enquanto há humanidade, ainda há esperança. Por isso, as 50 datas na O2 Arena (que fique registrado: a quantidade de shows foi contra a vontade do músico, e o stress é o que pode o ter matado, ironicamente) diziam muito tanto para londrinos quanto para o resto do mundo. Era a chance real de ver Micheal ao vivo, em carne-e-osso, pela última vez. Ou talvez pela primeira de muitas últimas vezes, como fazem os Stones há uns 15 anos. Se Mick e seus amigos, além de tantos outros impostores muito piores, podem, nada mais justo do que o rei do pop ter esse direito.

A verdade é que Jackson ainda merecia uma chance para fazer o que quisesse, musicalmente falando. Como uma forma de mostrar o dedo pra todo mundo que tentou o jogar para baixo apenas por ser um filho da puta tão esquizofrênico quanto qualquer descoladinho que entope as veias de heroína. Para mostrar para aquela legião de crianças oportunistas e suas famílias aproveitadoras que o bem sempre vence.

Seus amigos e família eram unânimes em afirmar que Jacko se tratava de uma pessoa gentil, carinhosa e preocupada em fazer o bem. Por nem um segundo eu cheguei a acreditar que ele era um pedófilo, muito por conta desses relatos, mas também por sentir que, de longe, o entendia um pouco. Sempre foi muito óbvio que Michael era uma criança por dentro, incapaz de fazer mal a alguém, e que achava muito normal comer bolacha e ver filmes com os filhos de estranhos debaixo das cobertas, simplesmente porque crianças nunca o apunhalariam pelas costas. Quando alguém é inocente e inconseqüente a esse ponto, deve ser tão cultuado quanto o doidão que cheirava formigas.

Tem gente que afirma que, artisticamente, Michael Jackson já estava morto há muito tempo e isso é difícil de contestar. Mas a morte do ser humano e da chance de vê-lo de volta doeram muito mais. Agora é definitivo, a esperança morreu. E todo mundo sabe que ela é a última.

Wednesday, June 10, 2009

Como Imitar Lester Bangs

No gênese do Black Sabbath, houve uma explosão sonora grande o suficiente para ter suas consequências reverberando até hoje, nos lugares mais imprevisíveis. A última onda atingiu os impostores do Arctic Monkeys, que conseguiram engambelar boa parte do mundo descolado com música descartável de adolescente entediado.

"Whatever People Say I Am, That's What I'm Not", "Favourite Worst Nightmare", tem como ser mais fanfarrão? Bem, aparentemente sim. Os arruaceiros de Sheffield foram capazes de encontrar um maníaco manipulador ainda pior do que eles disposto a produzir e, o que é ainda mais grave, encorajar sua próxima farsa. Josh Homme, ele mesmo, o picareta mais traiçoeiro da história da música americana, que transforma merda em ouro apenas sendo um cuzão egocêntrico, levou os meninos pro seu rancho no deserto e encheu-os de pó, de cogumelo, de anfeta e do que mais você conseguir imaginar.

No mínimo, eles não escutam mais Oasis sem sentir uma pontada de vergonha. No máximo, irão fazer um grande disco.

“Nós passamos o primeiro dia no estúdio trabalhando no riff mais complicado que você pode ouvir” disse Alex Turner, O Grande Bundão, “Nós usamos o riff no começo e na introdução. É como o Black Sabbath”.

"Black Sabbath".

Quem é que deu permissão a esses moleques que mal saíram das fraldas a tocar no Santo Nome? Quer dizer, não é que eu esteja aqui me declarando como o maior fiel do heavy metal, mas para um macaco ártico, é preciso cuidado até para mencionar Culture Club.

Provavelmente é obra de Baby Duck, consciente de que esse pode ser mais um passo para a conquista de um mundo livre de amarras, em que até mesmo um fedelho do norte da Inglaterra tem permissão para querer se igualar ao Sabbath (também fedelhos do norte da Inglaterra na sua época, o que talvez faça sentido nesse plano malévolo). E então ele, do alto de seu palco brilhante com lustres dependurados, poderá dizer: "fui eu quem deu tudo isso a vocês".

Duvida? Lembre-se que foi Homme que discotecou uma música de Britney Spears munido apenas de umas tatuagens legais e uma piscadela maneira.

Mas apenas a peculiar falta de senso de limite do líder do QotSA não seria nada se fosse ao encontro de pessoas/aprendizes com o mínimo de juízo. Exercitando mais uma vez a memória, o que foi aquela demonstração de megalomania chamada The Last Shadow Puppets? Entende onde quero chegar? Alex Turner não tem o mínimo respeito! Seu objetivo é chocar, é desafiar, nem que para isso seja necessário armar a maior peça de mau gosto do ano. E fodam-se as consequências.

O resultado dessa palhaçada vai se chamar Humbug e deve ser lançado em agosto. Seja como for, e teorias da conspiração à parte, confesso que tenho medo. Porque sei que estou numa encruzilhada: ou sofrerei de vergonha alheia excruciante ou terei de escutar um disco sensacional e me render a mais uma banda indie.

E, bom, ninguém quer isso, não é mesmo?

Sunday, May 10, 2009

Começou o Campeonato Brasileiro 2009

Um bocejo. É geralmente o meu comentário acerca da primeira rodada de qualquer campeonato de futebol de pontos corridos. Paulista, Brasileiro, Inglês, Italiano, Argentino e até as primeiras partidas das fases de grupo de Libertadores e Champions League costumam ser chatas e em cima do muro.

Mas até que neste ano, conseguiram fazer um (meio) marketing legal pro nosso campeonato nacional, tornando o começo do Brasileiro algo minimamente empolgante. Faz algum sentido, se você pensar nos timaços de Corinthians, Inter, Cruzeiro, Fluminense, Palmeiras, etecétera, além do São Paulo, que ganha o mesmo campeonato jogando feio há três temporadas. Tem também Adriano, Fred, Ronaldo, Marcos, Sorín, Rogério Ceni, Ramires, Hernanes, Keirrison, comandados por Muricy Ramalho, Luxemburgo, Parreira, Wagner Mancini, Adílson Batista, Carpegianni, (em breve) Paulo Autuori e tantos outros. Quer dizer, material humano não falta.

A organização também está ficando bonitinha. Se a arbitragem não é a melhor do mundo, hedionda como era antes também não é. A fórmula de pontos corridos emplacou, o pay-per-view vende cada ano mais, sem esvaziar os estádios (pelo contrário, aliás), fantasy games, blogs, podcasts, nanopops, programas de debate são sucesso e o final emocionante do Brasileirão 2008 deixou as pessoas com boa impressão e grande expectativa.

Mesmo com tudo isso, ainda não dá pra empolgar. Cruzeiro e Vitória, neste momento, 18:33 do dia 10 de maio, são líderes porque venceram seus jogos por 2x0. Não tem como se divertir muito.

Também posso estar neste tédio por causa do meu time. Mais uma vez o São Paulo decepciona em uma estréia. E mais uma vez, mesmo com isso, tem todas as chances de ganhar o campeonato fácil, fácil. O Tricolor joga a mesma partida há quase 3 anos (conto a partir do jogo seguinte à final perdida da Libertadores 2006, em meados de agosto daquele ano). Depende sempre do adversário nos vencer, nos golear, perder pra nós ou, raramente, abrir as pernas totalmente e levar um chocolate acachapante (Mirassol, Paraná Clube, Náutico, estou esquecendo de algum?).

Como gostam de dizer, é tudo culpa do Muricy: o estilo de jogo previsível, os jogadores ruins que ele gosta, os jogadores mal escalados, as invenções táticas mirabolantes, os chuveirinhos na área... Mas what the hell. Ruim com ele, pior sem ele. Seus concorrentes não fazem melhor. O mais falado de todos, Vanderlei Luxemburgo, vem pipocando sistematicamente no campeonato nacional há uns 5 anos. Imagine os outros.

O que esperar do Brasileirão? Nada, por enquanto. Torço pra que seja um campeonato bonito, acima de tudo (e o São Paulo nem precisa ganhar, chega de levar a liga nacional como compensação para a derrota na Libertadores). Mas é claro que fica um gosto amargo quando o acontecimento futebolístico mais emocionante do domingo inaugural do Brasileiro 2009 é um pedaço de entrevista de Diego Lugano, a.k.a. O Deus da Raça, num programa da Band.

Fazer o quê, a vida continua.

Saturday, May 09, 2009

Devo, Não Nego

Pode ser que 5 mil pessoas leiam este blog, ou só duas. Que sejam duas (é o mais provável). Eu ainda devo explicações.

E na verdade é bem simples: não tenho inspiração nenhuma pra postar aqui. Nada acontecendo que me dê vontade de escrever. Claro que tem alguma coisa acontecendo (um exemplo simples é a virada cultural), mas não é só vomitar qualquer três parágrafos e boa, um texto tem que ter estilo, inspiração, começo-meio-e-fim e tudo mais.

Minha produção criativa tem se restringido a compor e tirar músicas, já que faz nem um mês que eu descolei uma guitarra nova (Tokai ES-60, réplica de Gibson ES-335, amarela, um tesão, sustain perfeito) e ela me inspira de verdade.

Também tô com um twitter (www.twitter.com/Amendoim3), que eu já tinha faz um tempo, mas só comecei a usar mesmo mês passado (na modinha mesmo). Se quiser, é só seguir.

Pra finalizar, ainda sobre o texto anterior, se alguém tinha dúvida de que Mike Skinner é gênio, ela se dissipará ao ver o vídeo abaixo:



Sei bem que a cada uma dessas ausências eu perco mais e mais leitores, mas o que eu posso fazer? Minha profissão (ainda) não é a mais constrangedora do mundo, a de "blogueiro profissional".

Aos que continuam com o amiguinho aqui, que sobrevivam à gripe suína e fiquem ligados. Qualquer dia o Spreading Lies volta direitinho.

Beijoca.

Saturday, April 18, 2009

Eu Gosto Porque #1 - The Streets

Foi a idéia que eu tive pra atualizar este blog quando estiver sem inspiração ou tempo ou vontade, mesmo.

Assim, eu escrevo o porquê de gostar de determinada banda ou artista e basicamente é só isso. Justificativa, exaltação do próprio gosto musical e outros motivos mesquinhos.

Tem também uma diferença: nesses determinados posts, vou colocar link de wikipédia, youtube, fotinho... Tudo pra estimular os outros a gostarem do que eu gosto. A idéia é dominar o mundo.

O que eu queria era só pedir pros 2,32 leitores deste blog pra me questionarem, quando este estiver sem atualização. É pra provocar mesmo. Tipo "isso aí é uma merda, por que você gosta disso?". Daí eu escrevo.

Sem me preocupar com tese, dissertação, conclusão. Pro inferno com essas merdas. Eu só gosto porque...

***

Original Pirate Material é um dos meus discos preferidos de rap por causa da música, claro. Mas tem outro aspecto que faz eu me identificar com Mike Skinner acima de outros MCs. É o seu inglesismo. Simon Reynolds disse uma vez que The Streets é o "rapper britânico que consegue ser excepcional e soar autenticamente inglês". Isso o diferencia primariamente dos outros rappers mainstream (mesmo contando o Dizzee entre eles).


A afetação inglesa do Streets provavelmente é o que o aproxima de um moleque de classe média de São Paulo. Não tem como fugir disso, eu sou só mais um moleque quase-white-trash do Itaim, como a maioria dos meus amigos. Que toma umas, usa umas substâncias ilícitas às vezes, chega nas minas, pega de vez em quando, toma toco na maioria das vezes, sai a pé na rua pra comer um salgado e gosta de fumar um cigarro. Nada muito empolgante at all.

Original Pirate Material, o primeiro disco do Streets, e seu subseqüente, A Grand Don't Come For Free, falam basicamente disso. Tem a loucura chapada de cogumelos e álcool de Too Much Brandy (minha favorita até hoje), a violência bunda-mole tipo "cara, eu poderia te arregaçar na porrada se eu quisesse" de Gezzers Need Excitement e até um toco homérico em Fit But You Know It. Tudo aquilo que a gente vive de vez em quando num fim de semana.

Além disso, as bases eletrônicas, remanescentes da cultura rave britânica são das mais legais que se acha por aí. São loops toscos, sem muito requinte, de quem aprendeu a mexer no Fruity Loops na semana passada. Pura criatividade em favor da indolência, artimanha que quase todo moleque usa.

A mensagem, por trás de toda essa identificação com a molecada, é de positividade. Nos dois primeiros discos, a última música é otimista. Literalmente em Stay Positive ou deliberadamente estética, no caso de Empty Cans, onde Skinner briga com Deus e o mundo, mas, ao voltar a fita, a música recomeça, com a mesma situação sendo vista com olhos mais positivos e sendo solucionada, conseqüentemente. Um amigo meu jura que saiu do pó por causa dessa música. Olha que lindo.

Depois disso, nos dois últimos álbuns, as preocupações do MC são outras, mais adultas, mas o olhar de compaixão pros garotos do pub continuam, e as mensagens ainda estão lá.

Ninguém aqui tem um Bentley, um Hummer ou usa casaco de pele com boné. Mike Skinner também não (se ele tiver um Bentley agora, não tinha quando gravou suas primeiras músicas). Ele quer mais é sair e "get fucked up with the boys". É mais ou menos o que a gente faz.

Sunday, March 29, 2009

Tuesday, March 24, 2009

Radiohead/Just a Fest - 20 e 22 de Março

O mais surpreendente dos shows do Radiohead no Brasil, para mim, não foi sua qualidade. Eu já tinha os visto no Roskilde Festival no ano passado e fiquei muito feliz em constatar que eles se esmeraram muito mais aqui na América Latina (a começar pelos setlists), mas já era esperado que fosse um show bom. É como se a banda não conseguisse fazer uma apresentação ruim, nem se quisesse – estão nitidamente presos à sua esquizofrenia musical, que transforma espasmos em entretenimento.

O que me espantou mesmo foi ver que se trata de uma banda, acima de tudo, de hits. Não é brincadeira o quanto as pessoas esperaram por Creep, No Surprises, Karma Police e pela música do Carlinhos, que faz aula de inglês (se bem que acho que hoje em dia ele já deve ter terminado o curso). Descobri também, que pra maioria do público, o Radiohead não começa em Kid A. Pra muitos, até termina. A julgar pela recepção do público às músicas do In Rainbows, além dos hits, é como se houvesse um buraco entre OK Computer e o disco das Casas Bahia.

Mesmo sendo indie o suficiente pra ter o Amnesiac como preferido, isso não me incomodou. Era nítido o quanto cada música de cada disco, no momento em que era executada, recebia o devido respeito e entusiasmo de uma platéia heterogênea - juro que cheguei a ver gente com abadá na Chácara do Jóquei -, fosse o silêncio reflexivo de Exit Music, a insanidade de National Anthem ou a beleza confusa de Climbing Up The Walls e How To Disappear Completely.

Dos shows em si, não adianta falar nada. Se você não estava lá em carne e osso, pelo menos já leu todos os reviews possíveis, tanto sobre o Rio quanto sobre São Paulo. Foram unânimes em constatar a qualidade técnica da banda e do palco (puta merda, e que palco lindo pra caralho!), os acertos do setlist, mencionando sempre os hits, e a esquisitice de Thom Yorke. Tudo verdade.

Me alegrou também ver um ou outro falando mal, já que toda a unanimidade é burra. Um conhecido meu disse que não se volta pro bis com música do disco novo e li por aí gente dizendo que o momento da banda já passou, além dos habituais comentários sarcásticos sobre a cabecice dos trabalhos pós OK Computer. Mission accomplished, Radiohead! Sério. O que essa gente não percebe é que o Radiohead não faz música pra eles. Quando Nick Hornby reclamou, lá por 2000/01, que eles não estavam fazendo música para homens que trabalham o dia inteiro e voltam pra casa cansados, estava coberto de razão.

A música pop pertence – e sempre pertenceu – à molecada e aos vagabundos, que têm tempo e disposição de entender um disco, uma tendência e evoluir junto de uma banda. Thom, Jonny, Phil, Ed e Colin sabem disso e quando mandam, noite após noite, uma música desconexa e “nem-tão-boa” como The Gloaming, estão dizendo “nosso momento de maior êxito pode até ter sido no fim da década de 90, mas nós não somos o Kiss. Não espere a OK Computer 10 years tour”.

Um show, acima de tudo, é performance, vontade. Se Jonny Greenwood vai dar seu melhor brincando com samples ajoelhado no chão, porque deveria empunhar uma guitarra e tocar uma música antiga apenas pra agradar os velhos que acham que o pop tem fórmula tipo “não se toca música nova no bis”? Se eles fossem assim, teriam feito o que fizeram pra lançar o último álbum?

O festival Just a Fest foi uma vitória do novo, pois reuniu Los Hermanos voltando sem quase nenhum sentido e aviso prévio, claramente só pela grana e pela publicidade, Kraftwerk desfalcado, mas impecável, e uma banda-catarse que levou 30 mil indivíduos à loucura com música eletrônica cabeça e esquisitice quase progressiva (além de alguns hits, é claro). É derrota demais pra quem acha que música tem que fazer sentido em pleno 2009.

Da minha parte, fiquei feliz porque vi três bandas que eu gosto fazendo seis shows bons ou sensacionais. No fim, é o que importa pra quem gosta de música, não é mesmo?

Friday, March 06, 2009

Certo, Mais Uma Vez

Pro inferno com a modéstia. Tudo que eu disse aqui ontem sobre Watchmen se confirmou. E isso sem que eu tenha visto o filme inteiro.

Explico rapidinho pra vocês. Fui todo-todo lá pro Kinoplex, até bem antes da sessão começar, ainda com alguma esperança. Mas foi bem o que eu pensava, um filme super lustroso, cheio de câmeras lentas, explosões, música incidental apocalíptica nas cenas de ação (o resto da trilha, com Dylan e toda a turma é, admito, duca) e exagero. E a história fazia sentido para mim, que li a graphic novel, mas dava pra ver que para quem não leu, faltava liga. Se o intuito era fazer mesmo um filme para fã, por que entucharam aquele monte de maneirismo hollywoodiano?

No entanto, o que me fez levantar e pedir meu dinheiro de volta não foi a perfeição técnica em detrimento da história. Eu já esperava isso e, numa pegada meio masoquista, estava gostando. O que me emputeceu de verdade foi perceber que o Brasil caga mesmo para Watchmen.

Quer dizer, eu estava no Kinoplex Itaim, um dos cinemas, a princípio, mais fodinhas de São Paulo (e, por acaso, na esquina de casa). E sabe quantas pessoas estavam ali para assistir a estréia em película da melhor graphic novel de todos os tempos? Menos de vinte, e dava pra ver que todos já tinham lido o gibi. Se fosse só isso, cagaria. Mas parece que nós não éramos importantes o suficiente para o Kinoplex (assim como não seríamos para o Cinemark, Lumière, ou o Cine Topázio em Indaiatuba, convenhamos) e a energia caiu duas vezes e dava pra ouvir um telefone tocando em algum lugar. Não obstante, a imagem estava desfocada e foi preciso interromper a projeção pela terceira vez para arrumar o problema. Foi nessa hora que eu saí da sala e pedi o reembolso.

Pau no cu. Não sou moleque.

Claro que todo estabelecimento está sujeito a problemas técnicos, mas eu corto a rola fora se alguém chegar e me disser que a mesma coisa aconteceu durante uma sessão de, sei lá, Milk, para os casaizinhos frequentadores da Pacha e teve a mesma abordagem desinteressada do Kinoplex. Esse descaso com o tipo de público que Watchmen atrai diz muitas coisas, mas a principal é que quadrinho - e cultura pop em geral, pra ser bem realista - ainda é coisa de criança pros olhos do Brasil, errr, corporativo.

Não adianta a Conrad, a Pixel, a Devir, o Omelete, etc tentarem, vai demorar tempo demais pra nos respeitarem neste monte de merda que é nosso país. Meu palpite é que isso na verdade nunca vai acontecer. Claro, vivemos num lugar em que a nossa Rihanna é a Claudia Leitte.

Às vezes fazem a gente acreditar que não, mas tem como negar que o Brasil é um buraco fundo demais?

***

Ah sim, sobre o filme, depois eu assisto. A horinha que eu vi mostrou que não vale taaaanto a pena (apesar de ser engraçado ver o Denny Duquete de Comediante) e eu ainda recebi meus 11 conto de volta. Se pá até me dei bem. Hehehehe.

Thursday, March 05, 2009

Who Watches The Watchmen?

Chegou a hora. Amanhã à tarde finalmente vou estar vendo o filme que eu mais espero há uns 6 meses, o ingresso já tá na mão.

Honestamente, não acho que deve ser um filme bom. Provavelmente se trata de mais uma megalomania tecnicamente perfeita do senhor Zack Snyder, mas a real é que isso é supérfluo. Watchmen é uma instituição acima de qualquer problema desse tipo. Mesmo imaginando algo como "300 parte 2" a tentação de ver Espectral, Dr. Manhattan, Ozymandias, Rorschach, Coruja, Hollis Mason e etc "se mexendo" é maior. O ingresso vai valer cada centavo.

Watchmen. Engraçado, não sei como (o download) foi parar na minha mão. Provavelmente foi com alguma coisa tipo "se você gostou de Preacher, tem que ler". Relutei, mas acabei admitindo: é melhor que Preacher - apesar de não tão bonita. Mais do que isso, é uma das maiores histórias que eu já li ou ouvi. Por mais que Alan Moore seja contra e haja vários indícios negativos, não tem como se empolgar com um filme de uma história tão perfeita. Nem que seja para reafirmar depois, pros amigos descolados, que "uma HQ como Watchmen é inadaptável, foi pensada pra mídia impressa e não cinema".

É o que estão dizendo por aí.

De ruim, só a pena que vai ser ver tal história flopar fodidamente nas salas do Brasil. Não quero abusar das minhas previsões (tenho acertado todas de futebol e várias de música), mas a real é que o nosso povo já está cansado de "filme de super herói" e a maioria dos brasileiros, os tais douchebags, têm uma ervilha no lugar do cérebro. Daí, até desvincularem Watchmen da imagem de "filme de super herói", se é que isso vai acontecer, ele já terá saído de cartaz. A onda agora é ver o filme que ganhou Oscar, "não esses filmes-pipoca que Hollywood nos empurra goela abaixo". He-he.

Por outro lado, Watchmen e sua história-irmã "Tales of the Black Freighter" (leia a HQ pra saber do que se trata), falam primariamente de certezas que acabam caindo por terra, depois que todo um planejamento foi feito em cima delas. Por isso é sempre bom trabalhar com mais possibilidades, e a publicidade massiva da Warner permite que isso seja feito com bastante facilidade.

Mas só teremos certeza de qualquer coisa amanhã.

Quem viver, verá.

Tuesday, March 03, 2009

Sobre Capas de Disco

No pôr-do-sol da década de 2000, garantia de capa boa é uma mão feminina apertando alguma coisa. Eagles of Death Metal e Yeah Yeah Yeahs que o digam.

Monday, February 16, 2009

Música e Falar Sobre Música em 2009

Mandei um email pro Forastieri perguntando o que ele achava do meu blog, tipo aquela música dos Raimundos, com a diferença de que ele não é a Madonna e nem estava parado no jardim e eu não sou o Rodolfo. Quis saber mesmo o que o cara teria para me dizer, já que ele manja muito mais que eu. O legal é que ele respondeu.

Daí, me disse para manter o foco e, não sei se de brincadeira, pra tentar fazer o melhor blog de música do mundo. Levei a sério e respondi que acho difícil e a conversa acabou aí. Então, achei por bem explicar para mim mesmo (e para quem lê o Spreading Lies) porque eu nunca conseguirei fazer o melhor blog de música do mundo.

Primeiro: música para mim é uma distração, um divertimento. O melhor de todos, o mais importante e, por talvez ser um moleque sem nenhuma responsabilidade ainda, eu ainda queira viver desse hobby. E viver de música é diferente de escrever sobre música.

Porque olha só: hoje em dia a música é cada vez mais desorganizada e sem lógica. Tem vários exemplos por aí. Vamos brincar de name dropping? Franz Ferdinand chegou a dizer por aí que o álbum novo (que viria a ser o recém lançado “Tonight”) seria influenciado por Fela Kuti. M.I.A. é uma cantora de origem cingalesa que mora no Reino Unido e mistura tudo, tudo, até funk carioca nas suas músicas, além de aparentemente ter forjado seu próprio fim de carreira, como fez Bowie com Ziggy Stardust. Já o N.A.S.A. mistura participações de Seu Jorge, Kanye West, John Frusciante, Ol’ Dirty Bastard, a própria M.I.A. e mais uns 30 malucos que (a princípio) não têm nenhuma correlação, sob a batuta de um DJ brasileiro e um americano.

Eu já disse tudo isso em 2008. E, assim como ano passado, continuo achando tudo isso empolgante pra cacete. Gosto de pensar em como tudo isso se formou e definitivamente gosto de escutar música multiétnica, atemporal e cheia de texturas e referências. Mas não faço questão de saber quais são TODAS essas referências, não tenho tesão em colecionar informações desse tipo o tempo todo.

Até porque sou péssimo para reconhecer essas referências, mesmo quando elas são esfregadas na minha cara. Quer dizer, o Franz Ferdinand pode até ter se inspirado em Fela Kuti, mas eu nunca vou saber isso, não só por não manjar de Fela Kuti, mas também por ser do tipo de cara que precisa prestar muita atenção para perceber onde Sabbath e Soundgarden se encontram, ou definir qual o estilo musical do Pet Sounds (alguém sabe? Se sim, por favor, conta pra mim, mas rock não é nem fodendo).

E eu SEI que eu deveria conhecer Fela Kuti, não estou aqui dizendo que é super legal ser ignorante. Mas não quero, por outro lado, apressar as coisas. Cada artista tem seu momento, sua descoberta. É gostoso se concentrar na discografia inteira de alguém insignificante tipo Silverchair simplesmente porque é a banda que te emociona no momento.

Além disso, tem hora que tudo o que a gente quer é ouvir algo já mastigado e prontinho. Por que é que todo mundo tem uma obrigação meio velada de escutar várias de bandas velhas tipo, não sei, Uriah Heep, que nunca passaram de Silverchairs do seu tempo? Será que é porque um velho da galeria do rock ou da Rolling Stone escutava no seu tempo e transformou em “must“? Nunca. Nós somos jovens, e ninguém, nem os críticos musicais, têm obrigação de se ver atados a conceitos antigos, do tempo dos nossos pais.

Eu acho que para escrever bem sobre música, uma pessoa tem que ser, acima de tudo, sagaz, destemida e iconoclasta. Isso antes de ser uma enciclopédia. Em tempos de Google, Rapidshare e Wikipédia, ter um monte de fato na cabeça torna-se cada vez mais inútil fora das mesas de bar. Precisamos mesmo é encher a boca e não enrubescer pra dizer que gostamos mais de Sublime do que de Beatles ou que Queens of the Stone Age é muito melhor do que Black Sabbath. Apesar de não pensar exatamente nada disso, entenderia perfeitamente se alguém dissesse, até admiraria. Porque nada é uma verdade absoluta em música. Nunca foi e nunca será.

Queria que mais gente jovem, mais ou menos da minha idade, pensasse assim. Queria que aparecessem uns moleques escritores que realmente desprezassem tudo feito antes de 1992. Não seria o mais correto, o mais ponderado (meu velho sempre diz que “a virtude está no meio” – hehehe), mas é necessário romper algumas amarras.

Pense bem, veja como a música evoluiu e, em contrapartida, o passo lento que a crítica musical se encontra. Será que não tem a ver com esse bando de moleque querendo saber mais do que os velhos que presenciaram tudo aquilo? Ou com o monte de referências sem rosto, impostas em ritmo doentio em todo o texto que se lê por aí?

Enquanto isso não mudar, a crítica musical só vai afundar e afundar. E eu continuarei sendo um crítico de merda. Ainda bem.

Saturday, February 07, 2009

E Hoje

Hoje tem o show de volta do Thee Butchers Orchestra.

Acho que estarei lá.

Antes mais uma banda copiando (direitinho) o protopunk na cena do que um CSS a solta nos envergonhando. Né?

Thursday, January 29, 2009

Festival de Verão de Salvador

Fiquei sabendo que ia passar Quase Famosos na Globo às 2h10. São 2h27 e não começou ainda. Tudo bem, sou insone, estou de férias, quero que se foda.

O problema é o que está atrasando o começo do filme: o tal do Festival de Verão de Salvador. Não tem graça, não dá pra brincar. O naipe das bandas e público que comparece nesse tipo de evento me enoja pra caralho. Me lembra ignorância, sétima série, bullying, primeiro colegial, tatuagem tribal já esverdeada, tatuagem em japonês, André Marques e Sarah-ex-VJ-da-MTV (mas desses eu lembro por estarem apresentando o, ah, programa), Smirnoff Ice, beijar muito, já-é-ou-já-era, galera descolada, muita energia positiva, cachorra piriguete, pitboy, O Rappa, pop rock, rodinha de violão, hit do verão.

Me doía quando, além de me constranger com tudo isso, não conseguia definir bem toda essa merda. Ainda bem que hoje em dia já conheço a palavra "douchebag".

Olha lá, começou Quase Famosos. A Tecla Sap não funciona. Merda.

Friday, January 23, 2009

Confissões de uma Groupie: I'm With The Band

Antigamente, eu tinha uma convicção muito boba, de que tudo que fosse escrito deveria possuir o estilo e classe de um Machadão ou Fante, pra citar dois nomes aleatoriamente. Claro que eu sabia que isso nunca ocorreria, mas imaginava um mundo perfeito, onde todo mundo saberia escrever bem.

Eu já tinha sacado que isso não existe, mas foi Confissões de Uma Groupie: I’m With The Band que jogou a pá de cal sobre essa idéia. Não tem cabimento esperar que autora-e-ex-groupie Pamela Des Barres escreva algo que deixaria o pau do velho Fiódor duro na tumba. É um livro que serve apenas para contar história – o que vale é a mensagem e não a forma como essa mensagem é trazida.

E a história é boa: uma das maiores groupies do fim dos anos 60 e começo dos 70 conta como era vida na sua juventude, quando saiu com Jimmy Page, Jim Morrison, Noel Redding, Keith Moon, Mick Jagger, Chris Hillman, Don Johnson, Waylon Jennings (entre outros) e conviveu com gente como os Zappa, Captain Beefheart, Gram Parsons, Alice Cooper e outras groupies famosas, as GTOs. Para voyeurs, apenas esses nomes soltos já garantem o interesse, mas Pamela vai além. Como eu – e muita gente, espero – cago e ando solenemente para a vida sexual alheia, para mim, a grande sacada do livro é a relação que é traçada entre pessoas e lugares e as milhares de referências en passant de pessoas e lugares.

Pamela estava em todas. A cena psicodélica de Los Angeles, a arte de Cynthia Plaster-Caster em Chicago, o movimento hippie em San Francisco, UK Underground, os bastidores de Altamont Speedway, os bacanais de Vito Paulekas e Carl Franzoni, a vida doméstica de Frank e Gail Zappa, etc etc etc. Ela cita tudo isso em diferentes graus de aproximação e empolgação e essa forma de contar a história é importante para dimensionarmos o tamanho de cada episódio na vida de Miss Pamela e das groupies de Los Angeles.

Confissões de Uma Groupie foi escrito e lançado em 1987, quando Pamela já estava casada com um músico (seu grande, err, sonho), vários de seus amigos e namorados já haviam morrido e seus sonhos de estrelato como atriz e cantora já estavam sepultados. Isso serve para segurar a empolgação do texto (que mesmo assim é bastante deslumbrado) e torna algumas histórias mais sóbrias. E o fato da groupie ter mantido diários durante toda sua juventude, desde a época que era apenas uma pré adolescente fã de Beatles, colabora com a veracidade e detalhamento dos relatos. Há cenas impagáveis, como quando ela e Keith Moon passam uma noite encenando sketches sexuais até o baterista do Who irromper numa crise de choro, eternamente atormentado por ter atropelado seu roadie.

O maior problema do livro se encontra justamente na narração, na forma como as informações são trazidas – justamente o que deveria ser desconsiderado. Mas não dá. Pamela floreia demais as descrições, tudo é “dourado” e “maravilhoso”, todos os rockstars parecem cascas ocas de estilo e maneirismos exagerados com um pau sempre em riste. Daí, pode-se tirar duas conclusões: a que a autora tenta caprichar suas histórias com adjetivos, para que elas pareçam mais interessantes e a que os músicos que sempre imaginamos como os mais autênticos e revolucionários da história eram apenas poseurs sem cérebro iguaizinhos aos moleques de hoje; e as míticas groupies não passavam de garotinhas estridentes e deslumbradas como as que encontramos hoje por todo lugar, de Birmingham a Valinhos.

Provavelmente um pouco dos dois, o que faz cair por terra todos os nossos sonhos lindos com os anos 60 e 70. Nesse aspecto, I’m With The Band, na verdade, presta um serviço, mostrando que nenhuma década foi necessariamente melhor ou pior que outra. As pessoas sempre foram e serão cheias de merda e talento, em igual proporção.

Às vezes, são as coisas mais improváveis que acabam com certas idiossincrasias. Essa é a beleza da vida.

Constatação

É uma delícia acordar cedo e tentar escrever alguma coisa ouvindo os mesmos discos de uma semana atrás. Este ano não vai servir pra escutar os lançamentos, fodam-se os Fleet Foxes e MGMTs de 2009.

Que alívio!

(seja como for, não sou de ferro, e o novo do Moz é bom mesmo, né?)

Tuesday, January 20, 2009

A Solução Para A África.

Depois de muito tempo sem escrever, consegui terminar dois textos em dois dias. Pensei em segurar a publicação deste segundo, mas acho que tanto faz.

Mais uma vez, não passa de um pitaco, e um pitaco bem ingênuo. Além disso, a partir da segunda parte, vão me considerar um porco direitista pior que o Paulo Francis. Quero que se foda, sem brincadeira. Quem acha legal o que acontece por ali merece o empalamento.

***

Sendo direto: a solução para a África não está em sentir pena do continente. Gente como eu e você chega lá só para sentir tristeza e imaginar mil possibilidades e soluções, que nunca se concretizarão. É duro, mas o poder não está conosco, com o povo, e essa é uma triste verdade que eu aprendi a admitir. Vivemos num mundo feio, onde, de fato, é o dinheiro que manda.

A solução para a África está na pura e simples bondade, no altruísmo. Mas não nosso (que poderíamos, sim, ser executores do “grande plano”, mas só). Dependemos, de qualquer forma, do dinheiro de bilionários, xeiques e sultões, como o daquele grande filho da puta que estava prestes a jogar 120 milhões de euros no lixo, ao comprar o passe de Kaká, iniciando assim uma reformulação no insignificante Manchester City. (Aliás, o próprio Kaká poderia parar de doar seu dinheiro para aqueles crentes safados e pilantras e ajudar a construir creches e escolas no Sudão, né?) O que é mais importante? Erradicar o Ebola no Congo ou transformar um time pau-de-bosta em potência futebolística? Agora, o que é mais fácil? E o que é mais confortável?

Isso também ocorre pelo fato de dinheiro e poder (em demasia) tornarem as pessoas más e hedonistas. Porque, além da constatação óbvia de que o investimento na África NÃO trará retorno financeiro por um longo tempo, outra razão para que bilionários e trilionários fechem os olhos para o continente é pura maldade. Em seus próprios países (Butão, Emirados Árabes, Brasil, Estados Unidos, Alemanha, etc.), há pobreza por toda parte e eles preferem continuar comprando milhões de carros, jóias e ações na bolsa.

Pense comigo: dizem por aí que Roman Abramovich perdeu cerca de US$14 bilhões com a crise financeira começada no ano passado. Duvido, mas vamos exercitar a mente. Antes, a fortuna de Abramovich seria de 16 bilhões e teria sido reduzida a 2 bilhões. Efetivamente, o que muda na vida dele? Nada, fucking nada. Imaginem que, ao invés de ter perdido 14 bilhões com a bolsa, ele tivesse doado. Mais do que isso, investido na fiscalização (porque a corrupção lá, assim como aqui, é absurda), presenciando com os próprios olhos o progresso que esses 14 bilhões trariam a algum lugar. Garanto que mesmo o coração de pedra do dono do Chelsea teria se sentido melhor e muito mais pleno. E o melhor: sem mudar nada em sua vida.

Outra solução para a África está em deixarmos o politicamente correto de lado. Foda-se a diversidade cultural, é uma situação drástica e não devemos dar trela para o monte de merda que acontece lá. Fodam-se as tribos que têm rivalidade histórica, foda-se a religião extremista do norte do continente, que continua a mutilar o clitóris de garotas na puberdade. Precisamos parar com tudo isso, colocar todo mundo em roupas confortáveis, dentro da escola e impedir que sigam com suas práticas tribais destrutivas (o que é diferente de tradição e folclore) de 20 mil anos atrás. Pode ser que envolva apenas conversa, pode ser que envolva truculência, mas estamos em 2009, desesperados para arrumar a bagunça que alguém fez ali e isso tem de ser feito.

Não importa. O que não pode continuar é a ignorância que permite que muito do dinheiro que é raramente doado à África seja usado para financiar guerras milenares entre tribos insignificantes que só fazem matar uns aos outros. Não pode continuar a barbárie justificada pela fé, que sempre manterá qualquer lugar anos-luz da civilização.

Sei que o que estou pedindo é ingênuo mesmo. É desejar mudança no âmago da consciência das pessoas. Sinto-me preso a um sentimento de impotência perante a impossibilidade de fazer qualquer coisa sem que para isso seja preciso desembolsar alguns milhões de dólares. Ironicamente, isso só vai mudar quando os milhões aparecerem e mudarem a história, num mundo onde força de vontade vai significar alguma coisa, onde a diversidade cultural poderá ser respeitada sem limites, porque não envolverá carnificina nem humilhação.

Enquanto isso não acontece, vou tentando me acostumar com o banho de sangue.

 
Clicky Web Analytics