Tuesday, December 11, 2007

James Murphy e o Homem Moderno

A primeira vez que eu tomei conhecimento da crítica musical foi em 2002. Pré-adolescente, eu assistia na MTV um especial de fim de ano, na época que a MTV Brasil ainda tinha alguma moral (ou talvez só tivesse pra mim, pivete), e entrou o Fábio Massari falando o quanto o Songs for the Deaf, do Queens of the Stone Age era um dos discos legais do ano. Um must-have. Eu não sabia exatamente quem era o Massari e o que ele já tinha feito, mas sabia que era um cara que entrevistava músico famoso e devia ter um passado muito true, por causa daquela cicatriz na boca. E me senti extremamente feliz por ter comprado, por livre e espontânea vontade, com 12 anos apenas, um disco que ele endossava daquela maneira.

Depois de um tempo, as coisas mudaram. Minha forma de ver as coisas ficou mais cética, e a crítica em si já parece ter aberto e fechado ciclos em mim diversas vezes. Por exemplo, já achei que seria legal demais viver como o Lester Bangs (e talvez eu fosse ainda mais ingênuo quando pensava desse jeito), e já percebi que não tenho talento nenhum para isso. Hoje em dia, ficar pensando muito na análise de música não é mais alguma coisa que me empolga. Até por isso, escrever isso aqui está muito estranho para mim. É como se tivesse voltando num ponto e brigando por ele sem realmente sentir mais nada. Mas eu precisava, porque ainda uso do assunto que eu falo. Quando leio a Uncut, quando leio um livro de artigos velhos do Simon Reynolds, quando discuto sobre bandas no Orkut ou quando sigo uma indicação para pegar um disco. Mesmo tendo aprendido nesse meio tempo que não é nenhum crime escutar uma "banda ruim", eu continuo considerando certas opiniões especializadas. Para o bem e para o mal.

E foi assim que conheci LCD Soundsystem. Ainda munido de algum preconceito compreensível com "sons modernos", demorei a aceitar o que é fato: James Murphy é Deus. Fiquei relutando em escutar, mas o consenso foi tão consensual e massivo que não resisti. Fui atrás. Não preciso nem ficar descrevendo o que é a música dele por muito tempo. LCD Soundsystem é igual ao rock que você sempre escutou, com as melodias e batidas e tudo que você necessita (até solos!), só que com um instrumental sampleado e sintetizado. E, como se isso não bastasse, ao ouvir, apenas ouvir, você aprende a desprezar a desconfiança que tinha antes com sons eletrônicos.

Eu vejo o mainstream hoje em dia dividido entre a música "orgânica" e a música "artificial". Revistas como a Uncut promovem o revival do folk e do rock clássico e, do outro lado, temos bandas dançantes e produtores badalados. A figura do produtor, na era do sampler e do download, se glamourizou. Timbaland, Bob Rock, Rick Rubin e até mesmo o próprio James Murphy são agora mais famosos do que muitos dos artistas que produzem, e um timbre diferenciado, ou um eco bem localizado são às vezes mais apreciados do que um riff. Pode ser sinal dos tempos modernos, ou pode ser (e me desculpe pelo jargão proto-futebolístico) apenas o reconhecimento de um trabalho que faz, sim, milagres. Se Era Vulgaris é um dos meus discos preferidos no ano de 2007, além do surto criativo de Josh Homme, muito disso se deve, tenho certeza, à produção de Chris Goss. Porque um bom produtor, mais do que colocar os trecos tecnológicos nas músicas, é alguém que inspira e dá uma direção ao artista.

Por outro lado, o trovador também está em alta. Como se desafiando toda a gama de opções "artificiais", ele pega um violao, um piano e um acordeon e faz as melodias mais bonitas que você pode encontrar. Ressucita Tom Waits, Bert Jansch e Nick Drake (sem que todos estejam propriamente mortos) numa era em que só o Kraftwerk e o Brian Eno parecem importar. É o escapismo perfeito pra quem não acha que deve suportar tudo isso.

James Murphy é um pouco dos dois. Apaixonado pela sua cidade, ele cria um vínculo passional com o ouvinte e mostra que sabe do que está falando. Pode ser um contador de histórias como Devendra Banhart e também pode controlar uns aparatos eletrônicos como um membro dos Chemical Brothers. E ainda produz os próprios álbuns, o que elimina o dilema do "produtorversusartista" e o eleva a um nível mais complexo como músico. Timbaland consegue ser popular com o que faz, mas há quem diga que é melhor produtor. Rick Rubin é provavelmente o melhor produtor de discos de rock do mundo, mas sua banda nunca foi popular. Murphy une tudo isso e em prol de si mesmo.

Talvez ele seja a evolução do popstar. Talvez ele seja só o homem moderno. E talvez o cara seja a ruína da música. Mas o que importa mesmo é que Sound of Silver é do caralho, amigo.

Tuesday, November 20, 2007

Eddie Vedder - Into the Wild (Ou Como o Vocalista do Pearl Jam Recuperou Seus Colhões)

Há algum tempo, eu escrevi atacando Eddie Vedder e a malemolência que vem acometendo o Pearl Jam pós-Riot Act. Eram dois textos, e vamos dizer que acertei num ponto e errei em outro, ambos essenciais. Errei ao dizer que Eddie Vedder estava acabado e enterrado, mas acertei ao questionar o motivo dele não fazer um álbum solo. Na verdade, se eu tivesse algum dia encontrado-o, a primeira coisa que perguntaria a ele seria por que ele nunca fez um disco solo. Porque o Pearl Jam é uma banda super harmoniosa e respeitosa na relação intra-membros e etecétera, mas ainda assim, não é a expressão 100% pessoal do artista.

Passou um tempo e Eddie, sempre solícito, aceitou fazer a trilha sonora de um filme de seu amigo de longa data, Sean Penn. Into the Wild conta a história de Chris McCandless, um rapaz que desistiu da vida comum e confortável num subúrbio americano para se enfurnar numa paisagem erma no Alaska. Talvez Penn tenha escolhido Vedder justamente porque, há algum tempo, ele e seu Pearl Jam ameaçaram, de forma simbólica, fazer o mesmo que nosso protagonista. E Eddie talvez tenha aceitado porque, apesar de sempre ter flertado com essa deserção da sociedade, nunca teve coragem de fato para fazer o que fez McCandless.

E não estou aqui chamando Eddie Vedder de covarde. Muito provavelmente, se esconder num bloco de gelo não é a decisão mais sensata e corajosa a se tomar. Mas é instigante pensar numa pessoa que tomou uma decisão tão insólita e impetuosa e se colocar ali, mesmo que apenas no campo do pensamento. E para o velho Edward, o assunto instiga especialmente. Quando ele canta uma música como Society, de Jerry Hannan, evoca, de forma ambígua, Into the Wild, sim, mas também a si próprio, onze anos atrás. Em 1996, quando Sometimes tocou pela primeira vez na primeira audição de No Code em algum lugar, o Pearl Jam abnegava de vez o grunge, com um mergulho dentro do “eu”, solipsista na definição. Isso inspirou fascinação - e algum rancor - em milhares (milhões?), mas não mais do que no próprio Vedder, que, a cada album, explora de novo a retórica “E como seria viver isolado?” Representando sempre “o lado do bem”, ele já se aventurou também pelo “lado do mal”, em Soon Forget, a história do homem ganancioso escondido do mundo por causa do seu dinheiro. Mas percebe como o isolamento é recorrente, mesmo visto de outro prisma?

Into the Wild como tema foi, portanto, a chance perfeita para Eddie colocar pra fora seus pensamentos sobre isso sem parecer um cara de meia idade dizendo que quer deixar tudo pra trás e está muito tristonho e frustrado. Quer dizer, o cara tem mulher, filha, casa, carro, comida, roupa lavada, a cervejinha de sexta-feira e amigos famosos. Seria patético (e é, se você se força a pensar assim) cantar essas músicas de um modo pessoal. Mas é tentador para ele, porque está fascinado com isso.

Musicalmente, o disco é bom. Passa um clima de desolamento e de introspecção que funciona demais com a idéia de um sujeito indo pro Alaska, longe de tudo. Ele termina de se firmar como o melhor compositor de melodias da sua geração. No Ceiling é um grande momento do álbum, viajante, mas curta e precisa em seus noventa e pouco segundos. Hard Sun, algo próximo da primeira, arre, faixa de trabalho, também é boa música. O refrão, endossado pela vocalista do Sleater-Kinney Corin Tucker, é saudável, ensolarado, hippie, tipo a trilha sonora perfeita do “vamos partilhar a lentilha e o cortador de unhas”.

Há alguns momentos ruins, sim. The Wolf é a faixa mais desnecessária de Vedder desde Arc. Aliás, é como uma cópia de Arc, aquela música sombria, esquisita, com nove berros representando e relembrando as vítimas do festival de Roskilde de 2000 (particularmente, acho Love Boat Captain uma homenagem bem melhor). Mas o desespero e os berros comuns entre as duas se relacionam no momento em que a renúncia do convívio chega à renúncia da vida. Com o perdão do spoiler, no fim de Into the Wild, Chris McCandless morre.

Então, se correlacionarmos a exclusão da sociedade com a morte (e no fragilizado mainstream atual, desaparecimento significa morte, sim), The Wolf torna-se mais do que uma música dispensável. Talvez seja o momento em que Eddie chega mais perto de ser Chris, um virando o alter-ego do outro. A música continua sendo chata, mas ganha um sentido. Passa.

A pura verdade é que Into the Wild representa a volta de Eddie Vedder à introspecção como tema central de um álbum seu, e também representa a continuidade de seus colhões, artísticamente falando. E é por isso que a trilha pode ser considerada bem-sucedida: dá o clima perfeito pra história e também coloca o artista dentro dela. É uma relação de simbiose, mas no fundo eu acho que quem se deu melhor nessa foi o próprio Vedder.

Tuesday, November 13, 2007

Células Intumescidas

Ultimamente tenho sentido uma raiva incontrolável. Nem raiva, aliás, a raiva é consequência de alguma coisa. A verdade é que, pela primeira vez na vida, me sinto como um daqueles garotos americanos que aparecem um dia com uma uzi e matam meio colégio. Não que eu vá fazer isso, mas eu começo a entender um Jeremy da vida. Claro que meu problema é induzido por mim mesmo, vem de eu não ter meus amigos e família por perto, por estar num outro país, tendo um ano pra recomeçar e conquistar qualquer coisa. Um cotidiano. Mas eu rebato essa indiferença, essa falta de confiança e esse incômodo que os outros parecem sentir em relação a mim com agressividade. Com palavras brutas, ironia, sarcasmo. E quando essas coisas são ainda mais mal interpretadas, eu preciso de uma nova injeção de ódio pra combater. Uma bola de neve.

O que é que eu faço então? Minhas sensações são amplamente estimuladas por essa animalidade febril que eu demonstro. E é incrivelmente delicioso. Talvez eu seja um psicopata, mas toda essa confusão, todo esse ódio me deixam como uma criança descobrindo o mundo, os cinco sentidos. Todo frio, dor, embaraço, felicidade, surpresa, sabor, conhecimento parecem intumescer minhas células, me fazer maior, melhor.

É inacreditável o quanto eu estou mais corajoso, o quanto eu quero cada vez mais e mais experimentar coisas novas, e ao mesmo tempo buscar um meio de sair dessa situação desagradável de não ter nada nem ninguém.

E isso tem trilha sonora, ainda. Estou atrás de tudo que eu puder escutar de novo, desenvolvi uma obsessão doentia com uma lista de melhores de 2007. Como se eu realmente tivesse que fazer isso, e virou uma questão de honra. Mas é claro que é só uma desculpa das minhas entranhas pra ouvir mais, e mais, e fazer mais videoclipes na minha cabeça enquanto escuto música no ônibus (hoje de manhã foi Radiohead). Me dê Sigur Rós, me dê Pelican, me dê Foo Fighters, Bruce Springsteen, Devendra Banhart, Explosions in the Sky, Gogol Bordello, me dê até Velvet Revolver. Quero mais.

Friday, October 19, 2007

Travis e Ave

Uma coisa em comum entre os dois shows que eu estive aqui na Dinamarca até agora foi a qualidade das bandas de abertura. Na primeira vez, Marvel Hill, abrindo para os milenares tiozinhos do DAD, conseguiu ofuscar a atração principal com uma apresentação esquisita, eletrônica demais para o público presente e com um baterista que literalmente exalava fumaça.

A banda que eu vi hoje à noite, no entanto, tinha uma missão um pouco mais difícil do que superar as macaquices de meia-idade do Disneyland After Dark. Quer dizer, Travis pode não ser mais aquela anda que fazia chover em Glastonbury, mas ainda é boa música. Sério, Selfish Jean põe no chinelo, fácil, qualquer single dos Klaxons ou Kate Nash. Não?

De qualquer modo, essa banda de hoje, Ave, à primeira vista parece demais Arcade Fire, mais do que seria saudável: Nove músicos no palco, terninhos, trocentos instrumentos clássicos... Mas é bom quando o som começa e você vê que as aparências enganam. Eles estão MUITO mais nessa de “Art Rock” (ui) do que o Arcade Fire. Oscilam naquele vaivém, hipnotizando a platéia com uma cantiga ao som do piano ou sintetizador e de repente acordam, irrompem em notas e batidas. Na verdade, em determinado momento, quando eu já estava com um pouco de, cof cof, medo deles, o baterista explodiu numa manifestaçäo sonora que foi das maiores que eu já vi ao vivo, possuindo a banda, engrandecendo, completando tudo aquilo de novo. Caralho, tomei um susto.

Uma coisa que aprendi com DAD e Marvell Hill é que quando você está num show e não exatamente sabe cantar as músicas junto dom a banda, sente necessidade de uma imagem, de algo visual que complete sua experiência, naquele momento muito mais sensorial do que racional – como escutar um CD novo folheando o encarte. Os músicos do Ave parecem estar cientes disso e montam um verdadeiro banquete visual. São dezenas de pequenas coisas para prestar atenção: Velas e abajoures espalhados pelo palco; Máscaras nos rostos das três garotas que tocam violoncelo e violino; Uns quadros de paisagem encostados nos instrumentos e caixas de som; Uma maçã que o guitarrista (separado do Frusciante no nascimento) parece estar muito interessado em comer; Uma máquina de escrever que realmente é usada como instrumento em certo ponto; O vocalista em si, que canta sentado numa cadeira, como se fosse um doente terminal, se controcendo, e depois levantando, e andando pelo palco gesticulando, e depois tocando trompete e piano; E no alto, o mais importante, um telão com imagens precisamente escolhidas para cada música, como se fosse um clipe.

Como banda iniciante e, portanto, filha da internet que é, o Ave sabe que apenas a música não é mais atrativo hoje em dia. Baixar bootlegs é mais fácil que tocar guitarra e não é mais preciso estar lá. É, é uma pena, mas é assim que é. E, portanto, para valer mesmo a pena, para moleques como eu, ou da minha geração, uma apresentação não pode ser menos que catártica.
Com suas explosões musicais e sons de máquina de escrever, Ave está no caminho certo, parece.

E o Travis, bom, foi grande. Ao som da música-de-treino-do-Rocky-Balboa, eles chegaram por trás da platéia com roupões coloridos de boxe, e passaram por todo mundo antes de pularem pro palco. Abriram com Selfish Jean, tocaram os hits esperados (e minha favorita pessoal, Love Will Come Throught), zoaram o tecladista sueco e mandaram aquele cover esperto de Britney Spears. Ótimo show, em muitos (quase todos) aspectos melhor do que os das outras três bandas citadas aqui, mas Travis é isso aí. Tem alguma coisa pra teorizar? Praticamente nenhuma.

Monday, October 08, 2007

Sobre Coisas Boas

Há uma coisa que eu sei que não sou, um jornalista musical. Não tenho idade pra isso e nem o diploma, e nem o conhecimento. Quem acompanha meu blog ou as coisas que eu escrevo e falo, de certa forma, acompanha meu crescimento como escritor (cof cof), como amante de música, e tudo mais que meus textos possam passar.

Por isso mesmo não tenho vergonha em dizer que hoje comprei minha primeira Uncut. Nem que eu não conhecia nenhum dos artistas do CD que o Devendra Banhart compilou para a revista. Podia ficar aqui citando todos os prós da revista e ficar em devaneios do tipo “será que uma revista dessas daria certo no Brasil?” “Eles fazem isso e aquilo e é genial”. Mas o problema é que não é muito comum eu me interessar por esse tipo de coisa (o que me desqualifica ainda mais como jornalista-wannabe). O que me pegou mesmo hoje foi o CD. Porque se você for pensar, entre as duas artes subjetivas que são a escrita (nesse caso, a do jornalismo musical da Uncut) e a música, a música é ainda mais subjetiva, ainda mais incerta, ainda te leva mais pra lá e pra cá do que a outra. Não requer sua concentração, a conquista.

Quando eu escuto alguma coisa como Echoes ou Since I’ve Been Loving You, eu fico realmente emocionado, a música toca no meu peito de verdade, eu sinto aquele amor por ela, aquela empolgação e aquele agradecimento aos deuses por poder estar escutando aquilo. E quando o que está tocando no meu som é alguma coisa como Nirvana, Wolfmother ou esse CD do Devendra, com seus braços-direitos-acid-folk, eu sinto que é possível. São moleques como eu, com um instrumento, chique ou rudimentar, fazendo música básica e bonita, e tão eficiente quanto a dos gênios que colocam as notas mais perfeitas com os timings mais perfeitos.

Quer dizer, eu peguei meu violão, toquei minhas poucas composições e realmente considerei, sei lá, gravar um demo e mandar pro Devendra. Quem sabe eu não faça isso?

Provavelmente não e sabe lá como é que vão ser as coisas daqui pra frente, näo é? Não sei como eu vou evoluir ou o que eu vou pensar ou o que eu vou fazer... Seja como for, vou continuar sempre escrevendo, sempre tentando externar todas as bobagens e raros (pseudo) lampejos de genialidade que aparecem na minha cabeça. E, deixando o lado “sou escritor beatnik fodido e estou cagando pra você” pra lá, espero que você se mantenha acompanhando nisso.

Tuesday, September 25, 2007

Segunda e Terça

Escrevi durante umas aulas frustrantes. É toda a minha produção em quase dois meses. Quase um épico.

24/09/2007

I
Quando eu me sento na privada pra cagar, não costumo pensar muito na merda. Acho que pouca gente de fato pensa. Acontece que quando se está atolado nela, na merda, você não tem outra alternativa.
Porque o cheiro de bosta é horrível, te fode por dentro e não há nada mais importante naquele momento do que tirar os toletes de barro da sua cara.
E o que me revoltou hoje foi algo mais ou menos assim:
- Bem, Morten, sexta-feira você me disse que ia ao cabeleireiro.
- Pois é, acho que dá pra ver - ele mostra o cabelo ridiculamente pintado de castanho escuro, com um sorriso orgulhoso.
- Então quer dizer que você recusou uma ida ao bar pra fazer essa coisa medonha? Cara, você é uma aberração.
- Você só diz isso porque seu cabelo é feio.
É. Foda-se.

II
Podem dizer que eu tento copiar o velho Bukowski. Isso se algum dia alguém ler algo meu pra poder dizer alguma coisa. Talvez eu tente, e essa é a beleza do negócio. Se eu aprendi alguma coisa com o velho, foi que ficar com muito medo das pessoas é uma grande bobagem. Ele provavelmente condenaria meu trabalho, mas me daria uns tapinhas nas costas por ter feito o que eu queria, mesmo sabendo que era porcaria.

25/09/2007

I
Não sei qual a minha opinião sobre esse Peter. É velho, ensina física, tem cara de bicha e há quem diga que é pedófilo. Acho que é só bicha. Mas não enche o saco. Acho que é importante que um professor não encha o saco. É como se ele não estivesse implorando pela nossa atenção. Passa a impressão de estar seguro.
Ontem uma professora velha exigiu nossas anotações, pra ver se estávamos tomando notas direito. Para mim, um ato de desespero. Era matemática e eu poderia estar anotando. Mas eu preferia desenhar. E eu decido o que é melhor para mim, porque sou eu que sofro as consequências, só eu.
Ela arrancou os desenhos da minha mão, puta da vida. Perguntei se pegaria uma nota legal por eles. Ela disse que não. Essa professora é como a própria matemática: já está fazendo hora extra na Terra.
Uma pena.
Mas compreensível.

II
Se eu tivesse que escolher duas pessoas desta classe pra formar algo como um "casal nojento" ou "casal sebinho nas dobras da bunda", seriam o tal do Kasper e a tal da Louise. Esse Kasper eu näo duvido que já tenha lambido um bueiro. Näo que seja um Casanova. É que ele curte fazer coisas estranhas com a boca toda hora. Boca que parece um prepúcio inchado ou infecçionado. É o tipo de imagem que não é legal. E é o tipo de coisa que eu imagino quando vejo alguém fazendo beat box.
Adivinha: ele faz beat box.
Já a outra é provavelmente o ser mais grotesco que pisou nesse mundo. Esqueça o Pé Grande, a Britney Spears pós-Federline e aqueles hindus que limpam a bunda com a mão. Aliás, me surpreenderia se me dissessem que ela limpa a bunda. Além da personalidade babaca, contribui para a minha ojeriza aquele cabelo amassado e ensebado, com cara de cipó e palha, que não vê shampoo desde 1992. E ela tem aquela cara engordurada, cheia de maquiagem, ou de resíduo de maquiagem (sempre lembro das propagandas do Leite de Colônia).
Eu näo sou o cara mais arrumado do mundo. Também devo ser um nojo pra muita gente, mas no fim, eu só estou no meu direito de malhar o próximo, assim como Jesus queria. Rapaz, estou verborrágico hoje.

Monday, July 30, 2007

Hvad Hedder Du?

Agora que a nossa busca quixotesca por medalhas, assim como fazia o Mutley, acabou, o acidente da TAM ficou (que surpresa!) inexplicado e o cadáver do ACM já está fedendo, levanto a mão e peço a palavra.

Quinta feira devo ir embora, então. E os posts aqui ficarão escassos.

Vou sentir falta demais de todo mundo, vou até chorar. Mas daqui um ano volto com AQUELE sotaque nórdico para o prazer geral da nação. E não vou parar de ouvir música. Quiçá saiam umas resenhas durante o exílio, não é?

No mais, espero que esse blog tenha divertido vocês nesse ano e meio mais "agitado", apesar dos erros factuais, gramáticos e algumas explosões de humor mal desenvolvidas.

É isso aí, beijo do gordo (hoje fui dispensado do exército por pesar mais do que eles aguentam HOHOH).

Thursday, July 19, 2007

Mundo Perverso

Em 1969, quando Tony, Geezer, Bill e Ozzy escreveram Wicked World, muito provavelmente não pensavam em aviões enfiados em prédios. Sua visão se limitava às agruras da guerra. Que a guerra é horrível, nós todos sabemos. Mas não sei se é por só estar vivenciando tudo agora ou se é por de fato as coisas estarem piores, para mim há algo sugerindo que o mundo perverso começou há pouco tempo. Pode ser equívoco meu, mas parece que antes as pessoas morriam e pronto. As tragédias aconteciam por pura falta de destreza, de tecnologia, o mundo era mais inocente.

Hoje, as coisas parecem, justamente, e a palavra é essa, perversas. Não é só morrer. Estar num avião pilotado por um xiita louco significa deixar como legado da sua morte uma guerra no oriente e um pavor generalizado entre os seres humanos. Antes, pessoas eram mandadas pra guerra por causa da soberba dos reis, e presidentes e militares. Como é que eu vou dizer isso? Não é que suas mortes tinham menos significado, mas quando você vai pra guerra tem mais chances de morrer. Quer dizer, NÃO morrer é a exceção que comprova a regra. Agora, tudo é parte de um quebra cabeças funesto. Não é que você perece por fazer parte de uma inocente conspiração Rússia x EUA, ou porque um maníaco resolveu atirar na sua cabeça. Você morre engolido por um buraco que aparece por baixo do asfalto, quando o engenheiro que projetou a obra tinha sido contratado pelo estado, com toda a tecnologia e know-how ao seu dispor. Sinal dos tempos, as mortes ficam ainda mais tolas e quem está vivo fica, assim como eu, achando que a Guerra Fria, que aterrorizou tanta gente por 40 anos, é brincadeira de criança.

Essa tragédia com o avião E prédio da TAM (que macabro!) pegou no fundo do meu estômago. Foi o que abriu meus olhos pra essa brutalidade do mundo. No momento que o acidente aconteceu, eu estava no carro, com a minha mãe, indo para São Paulo. Minutos depois, alheios, recebemos uma ligação da minha avó, contando o que aconteceu e falando para evitarmos os arredores do aeroporto. Depois, meu pai. Ele já adiantou, antes que precisássemos ver na TV, aquele lance das ranhuras na pista. Esqueceram de colocar as ranhuras aderentes, para dias chuvosos, na pista auxiliar do Aeroporto de Congonhas, reformada única e exclusivamente para desafogar a pista principal e aquietar, na medida do possível, o caos dos controladores de vôo que vem incomodando o país há alguns meses. Quer dizer, pros políticos, pra Infraero, o importante era jogar o pepino pra algum outro otário. Quiseram solucionar o problema do céu (e bem mal solucionado) sem pensar que na aterrissagem, talvez, alguns 186 filhos-da-puta azarados pudessem morrer. Deus abençoe esses políticos! Pode ser que a causa do acidente nem tenha sido ESSA negligência e pode até ser que tenha sido uma cagada do piloto ou um problema mecânico, mas só o levantamento da questão, a menor possibilidade disso ter acontecido, já corrobora a hipótese. Percebe a ironia? Por causa de um caos aéreo que começou depois das investigações acerca de um acidente horrível, outro acontece, e ainda mais trágico, no meio de uma cidade gigante, acertando um prédio e matando mais umas pessoas que nem sonhavam em pegar um avião. Pra piorar, aconteceu no solo, onde deveria ser seguro. Recentemente, eu andei de avião. Por mais confiante e ciente das estatísticas aéreas (é mais fácil você ficar tetraplégico num acidente de carro do que morrer voando pelo céu) que você possa ser, sempre sente algum alívio quando as rodas tocam o chão. “Agora não tem mais como dar zica”. Então, quão cruel é ser arremessado contra um bloco de concreto segundos depois de sentir esse alívio, esse aconchego quase maternal? Quão cruel é ser acertado por um avião desgovernado quando se pensa estar seguro, em terra, protegido por paredes grossas de concreto?

Muitas coisas mudaram desde que Wicked World foi escrita. Mas talvez a principal seja que os políticos não escolhem mais quem vai “sair e morrer” (A politician’s job they say is very high, ‘cos he has to say who’s gonna go out and die), só preparam as armadilhas.

Friday, July 13, 2007

13 de Julho

Dia mundial do rock. É macaquice demais pensar que isso significa alguma coisa e eu até pensei em fingir que não vi, mas é aquele negócio: se você ignora alguma coisa deliberadamente, já deixou de ignorá-la há muito tempo. E eu realmente não consigo esquecer que tem gente comemorando isso. Ou pelo menos notando.

O dia do rock geralmente serve pra denegrir ainda mais a imagem dele. Estereótipos, piadinhas, frases prontas... O tipo de coisa que constrange qualquer um que tenha um mínimo de bom senso. Acaba sendo mais o dia dos metaleiros virgens do que qualquer outra coisa. Esses sim se deleitam com o dia do rock. Aproveitam pra mandar aquelas frases geniais tipo “o mundo só será legal quando o último pagodeiro morrer enforcado pelas cordas de uma guitarra”. Dores de estômago aqui.

Acho que o principal problema do rock and roll e seus subgêneros é serem vistos como “rock”, e não como música. Isso dá margem pra muito imbecil “roqueiro”, sei lá, achar que está num nível acima dos outros. E também dá margem pra cronistas-babacas e reaças em geral acharem que, na verdade, o estilo está abaixo dos outros. “Isso não é música, é barulheira”.

Segundo o dicionário do tio do Chico Buarque, música é “arte e ciência de combinar sons de modo agradável ao ouvido”. E, sendo “agradar” um verbo subjetivo, qual a grande diferença entre Maria Bethânia e Cannibal Corpse? Algum desses não é um combinado de sons?

Equivaler o rock ao restante da música não só seria algo honesto como também nos pouparia de bandas cover “celebrando” o dia do rock ("SUPER PROMOÇÃO GALERA!!! RICARDO SEIXAS E NORMAN PRESLEY PRESTANDO HOMENAGEM AOS REIS DO ROCK NESSE DIA 13 DE JULHO! MULHER FREE ATÉ MEIA NOITE!") e de headbangers achando que ouvir Rhapsody vai realmente trazer algum malefício para os “pagodeiros”.

Sunday, July 08, 2007

Post-típico-de-blog

Nos últimos quase 20 dias não postei nada. Por uma profunda falta de inspiração e também por desmotivação. Não só pelo baixíssimo número de comentários, mas também por estar direcionando toda a minha motivação para as tarefas pré intercâmbio. É complicado.

Mas ganhei um Mp4 e as músicas fluem direto pra sua cabeça e reverberam no seu cérebro. Assim é mais fácil memorizar um disco e até estabelecer uma conexão mais forte com ele. Como só arranjei o bicho ontem, até agora só escutei 4 coisas diferentes. O Shadows Collide With People, do Fruscia fica ainda mais genial com os fones enfiados nos ouvidos. Carvel ainda é a minha preferida, mas Omission sintetiza melhor do disco. Começa de um jeito, muda completamente no refrão, vai, vem, e há aquele monte de detalhes como zumbidos e coisas assim... É fácil e é complexa.

Aí, escutei também o Beggars Banquet e o novo do QotSA. Dá pra ouvir cada respiração dos Stones e no caso do Era Vulgaris, os riffs urgentes ficam ainda mais robustos. Gostei desse negócio de Mp4.

Além dessas, tenho escutado muito Kashmir. É dinamarquesa e deve ter até alguma fama porque até o Bowie e o Lou Reed aparecem num disco dos caras. A verdade é que eu to começando a projetar a banda alto no meu gosto. É mais simplista que a conterrânea Mew, lembra um pouco Travis, Unified Theory, coisas assim. Escute o Zitilities.

Thursday, June 14, 2007

Queens of the Stone Age - Era Vulgaris

Quando Lullabies to Paralyze saiu, em 2005, quase todo mundo concordou que o disco era muito bom até a faixa 10 e depois se perdia. Disseram que “o Queens of the Stone Age agora tem 3,75 discos bons” e torceram para que o próximo álbum não seguisse pelo caminho das 4 últimas músicas. Seguiu, contrariando a expectativa comum. Mas foi uma coisa boa! Era Vulgaris não é apenas uma continuação de Lullabies to Paralyze, é a evolução dele.

Eu explico: por exemplo, Into the Hollow é irmã de Long Slow Goodbye, mas é bem melhor. E isso porque Josh Homme teve tempo de concatenar melhor as idéias, amadurecer esse novo som que ele vinha pretendendo para sua banda desde a saída de Nick Oliveri e ainda considerar de vez as influências novas que encontrou. E que influências! É como se Trent Reznor, do Nine Inch Nails tivesse emprestado um braço seu a serviço do QotSA.

Pois é, nos últimos anos, Josh Homme tocou com Foo Fighters, Mastodon, U.N.K.L.E., Strokes e Eddie Vedder, Chris Goss, Death From Above e Peaches, só pra citar alguns. Seriam influências (imaginando que essas colaborações trouxessem algum elemento novo de volta para ele) suficientes para desfigurar o som do trabalho novo do Queens. Mas não, Homme conseguiu juntar tudo isso em benefício próprio. As batidas eletrônicas do U.N.K.L.E., da Peaches e do NIN, por exemplo, serviram para encorpar ainda mais os característicos riffs, que antes se apoderavam do quarto em que você estava; agora tomam a casa toda.

É claro que os riffs continuam lá, ainda mais robustos. Sick, Sick, Sick, o primeiro single, é, hum, pulsante. Te dá uma inquietação nos braços e pernas e deve ser muito boa para dançar. Sabe como é, eu não danço. A música ainda conta com a participação de Julian Casablancas, o que deve recrutar alguns fãs para o QotSA, como aconteceu no Songs For The Deaf, que tinha Dave Grohl na bateria. Escolhe bem suas amizades, esse Josh Homme.

Depois de se apresentar para o mundo de uma forma mais ampla, em 2002, a cada disco a banda assume uma forma nova de promover seus trabalhos, e os integrantes vestem-se de uma persona totalmente nova. Em 2005, eram lobisomens atrás de sangue jovem. E em 2007, é genial como um logo novo, um boneco-ventríloquo retardado e uns utensílios domésticos de desenho animado estampados no site e na capa do álbum te deixam irremediavelmente curioso. Quem fica curioso compra discos.

Legal que mesmo no meio dessas infindáveis referências, musicais e estilísticas, o CD tem uma unidade como não se via desde que Nick Oliveri saiu. As músicas se completam e formam um bloco só. A falta do careca não é mais sentida como algo estrutural, e sim nostálgico, para quem gosta daquelas músicas furiosas com seus berros punk. E nostalgia é só um detalhe, principalmente quando se percebe que a principal mensagem desse Era Vulgaris é o crescimento do Josh. Ele finalmente encontrou seu direcionamento musical, e pela primeira vez sem a ajuda de ninguém ou sem fazer algo muito básico ou manjado. E isso por si só já o redime das últimas músicas do Lullabies e da ausência de Oliveri – se é que tem que ser redimido por isso.

E o cara ainda está cantando melhor do que antes!

E talvez a coisa se sustente tão bem desse jeito porque o QotSA sempre foi uma banda sem medo de mudanças. As saídas de integrantes sempre foram, de modo geral, discretas e naturais. Na única vez que esse caldo entornou, quando o Nick saiu brigado, o resultado foi justamente aquém do esperado. Tudo bem, merda acontece. Mas é que agora Joshua é um homem casado, com uma filha. A maturidade que se espera depois desses acontecimentos chegou para ele, e mesmo com algumas mudanças no line-up da banda – saíram Allain Johannes e Natasha Shneider e entraram Michael Shuman e Dean Fertita – ele manteve-se focado naquilo que queria fazer.

Quer mais dessa maturidade? A letra de Into the Hollow é, pra mim, sobre um cara que sempre fez as piores escolhas e encontrou agora alguém pra o seguir. Não nas escolhas ruins, mas segui-lo apesar do seu passado. Pode ser que não seja isso, interpretações sempre são perigosas. Mas que há um crescimento aí, há. Em I’m Designer, o vocalista dispara “My generation’s for sale” [Minha geração está a venda] e depois discorre sobre isso. Bom, antigamente o QotSA não estava lá muito preocupado com sua geração fútil. Depois, ele vem e diz “Wanna see my past in flames” [Quero ver meu passado em chamas] em Misfit Love. Isso é tema recorrente, mas Josh está bem resolvido com seu presente, com sua banda e com sua vida.

Assim, quando o disco acaba, você percebe que o “Queens Lite” (alcunha dada por Nick “Dark Side of the Force” Oliveri) conseguiu se encontrar, realmente. E que a volta de Nick virou um detalhe, e por isso mesmo é mais fácil de acontecer. Se você era fã da banda e sofria com essa indefinição, pode estourar uma garrafa de champagne.

Adendo:
Tinha pensado no parágrafo acima como conclusão do texto, mas isso me incomodava. Parei de escrever isso aqui por uns 10 dias. Pensei, pensei, escutei o disco até enjoar, até arranjei uns outtakes bem fodas pra incrementar a pasta de MP3 (a saber: covers do Billy Idol, Tom Waits e Elliot Smith, a versão definitiva de Fun Machine e uma versão acústica de Suture Up Your Future). Aí que percebi. Porra, ta na hora de esquecer o Oliveri. Mesmo. Qualquer que tenha sido o problema que os caras tiveram, isso já foi superado, pelo menos musicalmente. E é assim que importa. Se não, periga de nós parecermos com aquelas amebas que ficam realmente tristes porque uma banda acabou ou porque seus integrantes brigaram ou pegaram dengue. Fodam-se, caras, eu estou cagando para as suas vidas.

Saturday, June 02, 2007

Mais 2007 (Uns discos)

The White Stripes - Icky Thump
Não sei o que foi que o Álvaro Pereira Jr. tinha ingerido quando afirmou que o single novo dos White Stripes "parece apenas um Led Zeppelin". Provavelmente nada, com certeza ele só ouviu pouco Zeppelin quando era adolescente. Tudo bem.
Mas esse é realmente o disco mais, errr, roqueiro da dupla. Dizem por aí que foi o primeiro trabalho deles sem que as músicas fossem compostas apenas no piano. Não é um De Stijl, mas é melhor que o Elephant, por exemplo. E as músicas novas apresentam umas texturas diferentes: gaita de foles em "Icky Thump" e sons orientais em "Conquest", "Prickly Thorn, But Sweetly Worn" e "St. Andrew".
Fora isso, tudo se mantém igual. Meg continua parecendo um metrônomo (irresistível, é verdade) e Jack é o mesmo presunçoso poser de sempre (por exemplo, duas músicas no disco contêm Blues no nome).



Silverchair - Young Modern
Legal como esse disco começa. Dançante, como avisou Daniel Johns.
No Diorama, a banda emulava um pouco dos Beatles e um pouco do rock pop dos anos 90. Agora, transitam entre pop cafona oitentista ("Straight Lines") e até mesmo - pasme - Backstreet Boys ("The Man That Knew Too Much", menos o refrão). "Those Thieving Birds (Part 1) /Strange Behaviour /Those Thieving Birds (Part 2)" é um quase-épico (ou coisa do tipo) e é a melhor do álbum. Escute-o com o terno amarelo-banana, as ombreiras e as polainas vestidos.

Friday, May 18, 2007

Mano Brown Odeia Playboys

Nas últimas quase duas semanas, todo mundo falou do tumulto que ocorreu durante o show dos Racionais MCs na Virada Cultural. Falaram tanto, mas tanto, que a coisa se transformou num problemão. Até a MTV reservou um de seus programas pra falar sobre o assunto. Mas eu, bom, eu nem mensurei muito o tamanho da coisa. Talvez porque seja retardado, ou desligado, ou ache que tumultos são uma coisa corriqueira nesse mundo fodido que nós vivemos. Mas, certo mesmo, é que, após ver uma coluna dedicada ao tema até mesmo no Omelete, me senti irresistivelmente impelido a falar sobre o assunto. Não por eu manjar muito da coisa. Mas pela simples necessidade, quase básica, de dar pitaco em assuntos polêmicos.

Não que tumultos sejam uma coisa normal ou aceitável, mas pra mim, confusão num show de rap, com um monte de “playboy” assistindo (afinal, era um show gratuito na Praça da Sé, ia gente de todo tipo), é uma coisa bastante esperada. O rap dos Racionais (assim como grande parcela do rap nacional) não se comunica com quem não é da periferia, e pretende continuar assim. E isso reflete nos seus fãs – ou “trutas”. A hostilidade criada em torno do grupo e dos admiradores vai sempre resultar nessa explosão de ânimos quando os hostilizados dividirem o mesmo ambiente dos hostis. Difícil é tomar simpatia pelos hostilizados.

A princípio, esses são mesmo os mais pobres, esmagados por um sistema que dá poucas chances de ascensão social e cada vez mais marginaliza os menos afortunados. Nada disso é mentira. Mas o modo violento como eles olham, se referem e até mesmo tratam os “playboys” (se bem que pros “manos”, qualquer loiro de olho azul é automaticamente um repressor ofendendo suas famílias) faz com que a distância entre essas pessoas seja ainda maior – e com mais espinhos pelo caminho. Qualquer um com uma roupa mais bacana sente-se constrangido pela própria existência na presença desses caras. É o preconceito do desfavorecido contra o favorecido. Justificado, justificadíssimo, mas tão perverso quanto o outro.

E no meio disso tudo aparece o rap brasileiro (paulistano?), disparando contra tudo e todos, e levando consigo um sem-número de moleques que acreditam naquilo e repetem as idéias, como um mantra. Não sou ingênuo para achar que a polícia é santa, mas o que faz um gambé quando, ao ordenar disciplina, ouve urros de protesto do público e recebe indiferença dos artistas? Desce a mão, mesmo. E é inocência pensar que não fariam isso.

Se o show em questão fosse do Marcelo D2, por exemplo, acredito que não teria havido essa confusão. Porque o D2 conseguiu, enfim, transformar seu rap numa coisa vendável. Ele se auto intitula o tal pesadelo do pop, mas ele é extremamente pop. Brilhante! Um monte de branquelo rico escuta aquilo se achando o malandrão, o anti-pop, o mano do gueto, e aí o Marcelo vende pra cacete. Mais ou menos como funciona há um bom tempo nos Estados Unidos. Melhor: ele incutiu umas doses de música brasileira na sua música e com isso se livrou do estigma de ser um clone dos rappers americanos e ainda conseguiu uns fãs de samba. Em 2005, levou o VMB de melhor clipe de MPB!!! Em 2006, voltou a levar, mas dessa vez como artista de rap.

Então, voltando ao hipotético show do D2, o ambiente seria muito mais miscigenado, e os manos que estivessem ali não se sentiriam tão donos da música, da banda e, conseqüentemente, tão invadidos. Aproveitariam a música congregados aos playboys e pattys e sambistas universitários de calça de saco de batata. Viu que poético?

Nisso, os Racionais seguem separados do resto do mundo. E vão continuar, enquanto se mantiverem irredutíveis em relação à sua posição (musical e comportamental) de parco alcance. Enquanto isso, não se surpreenda com tumultos e bombas de gás lacrimogêneo.

Monday, May 14, 2007

10 Álbuns pra Comprar

Basicamente a idéia é essa, mesmo: 10 discos que você indicaria para alguém que só baixa MP3 comprar, e que mudariam o conceito dessa pessoa em relação a "pagar por música". Foi isso que o Bruno do Rock Magazine me pediu para fazer, colaborando com uma grande matéria que eles estão preparando para o seu blog. Como é coisa pouca, ficam aqui os 10 plays que eu indiquei (acho que não vai estragar a surpresa). Misturei os critérios "preferência" e "importância histórica" pra montar a lista.

Black Sabbath - Black Sabbath
Foi aí que o heavy metal começou, com a idéia simples de uma "banda de terror". The Warning tem um dos melhores solos de toda a carreira de Tony Iommi.

Pearl Jam - No Code
O distanciamento do Pearl Jam com o grunge produziu o melhor disco entre as bandas de Seattle daquela época, e possivelmente é meu favorito até hoje.

Led Zeppelin - Houses of the Holy
O rock direto do Zeppelin se encontra com o pop, reggae e o lado sombrio de John Paul Jones. Tem a melhor dobradinha incial de um disco: The Song Remains the Same e Rain Song.

Secos e Molhados - Secos e Molhados (I)
Toda a força e a quase paradoxal sensibilidade do Hard Rock setentista americano muito bem representadas por uma banda brasileira.

Jeff Buckley - Grace
O disco me emociona demais e dá até um aperto no coração que um sujeito promissor desses tenha morrido tão cedo. Vai de Zeppelin a Edith Piaf sem nenhum esforço.

The Rolling Stones - Beggars Banquet
Eu odiava Stones. Até ouvir o Beggars Banquet.

Chico Buarque - Construção
Chico Buarque parte da mesma insubordinação do rock pra fazer seus clássicos. Construção será sempre um disco muito mais transgressor do que muito metal extremo e HC pirulito que ouvimos por aí.

Queens of the Stone Age - Queens of the Stone Age
Já estava com um outro disco na mão quando vi esse pelo mesmo preço na prateleira da loja. Não pensei duas vezes para trocar. You Can't Quit Me, Baby é simplesmente apoteótica!

Matanza - Música Para Beber e Brigar
Não importa que não tem classe e a crítica odeia: escute no máximo, até o ouvido sangrar!

Pink Floyd - Meddle
O progressivo só se tornou tão chato porque não ouviram Echoes o suficiente.


Five Leaves Left do Nick Drake seria um décimo primeiro, fácil.

Tuesday, May 08, 2007

Quadradinhos Multicoloridos

Vivemos numa época fodida. Eu sou um moleque – sim, um moleque que mal saiu das fraldas – e quando me meto a escrever sobre rock, é sob a nuvem do apocalipse que paira sobre ele mesmo. Sim, acabou a época do rock. Acabou a época de tudo. O que são os anos 00? Uma geração sem face comandando um mundo de muitos quadradinhos – pixels – multicoloridos.

Quem tem liberdade pra escrever sobre música, filmes ou livros? Ninguém, é o que eu te digo. A auto sustentabilidade da cultura já escorreu pelo ralo há algum tempo, e nós estamos aqui, sem nada, calados, esperando pela próxima empresa pra pagar por uma propaganda-reportagem. E sem cultura não há nada.

Lembram de Reações Psicóticas? No prefácio à edição brasileira tem um quote do próprio Bangs, datado de 1980: “Você acha que, continuando assim, a única coisa vendável vai ser a biografia-putaria de uma celebridade?” Maldito Lester. É claro que há 27 anos já estava óbvia essa descaracterização do mundo. Mesmo assim, maldito Lester. Realmente, hoje em dia só se vende isso, só se lê isso. Biografia-putaria.

Estou cansado de sempre me deparar com essa angústia em relação aos tempos e nunca conseguir me expressar em relação a isso. Meus textos saem truncados, pobres, como agora. A verdade é que os moleques da minha idade me cansam e suas atitudes me acertam em cheio na cara, e eu perco um ou dois dentes a cada soco desses. Acho que baixar MP3 compulsivamente, ou ir a um show de uma banda que você nem gosta pra impressionar alguém (os garotos-legais ou as garotas-bonitas) ou simplesmente não ler significa mais do que a retórica da automatização do ser humano ou da falta de tempo. Significa que nós estamos cada vez mais espertinhos e letárgicos. Como é que se faz dinheiro hoje em dia? Especulando na bolsa de valores, jogando bola ou ganhando em cima dos danos que a humanidade (antigamente tão imbecil quanto hoje em dia, mas um pouco menos preguiçosa) causou ao meio.

Então, as coisas tomam forma de pílula, cada vez mais. A internet possibilitou isso. Informação rápida, especulação rápida, dinheiro rápido, cérebro molenga. Eu era um garoto inteligente até os 14 anos, quando comecei a usar a internet. Hoje sou burro e indolente. E não consigo parar. Mas ainda acredito em ouvir uma música porque eu gosto e em ler um livro que possa mudar minha vida. Yeah, Salinger fez isso por mim, mas não fez por um monte de moleques, que nem sabem quem é ele. Devem existir ainda duas opções:

- A cultura como meio material acabar. Filmes e programas de TV por streaming, música exclusivamente por download e até shows transmitidos via web, sem nenhum contato com público, a não ser pelos 20 figurantes contratados pra dar “clima” de concerto. Quem sabe?

- Descobrir que, apesar de tudo, existem alguns fodidos cagados que pensam como eu escondidos por aí. Então a tal “cultura como meio material” é que se tornaria a alternativa, invertendo totalmente a situação de, hum, 10 anos atrás, quando a internet ainda era o segundo plano.

São duas opções bem idiotas. E eu, como não sei me adaptar, continuo me lamentando por ter nascido desgraçadamente perto dos desgraçados anos 2000.

Se os 80 foram bregas e os 90 nulos, os 00 chegam com um glamour minimalista, quase incolor e quase tão pouco glamouroso como se esse glamour não existisse. O que eu quero dizer é que o mundo nunca foi tão rico, mas também nunca foi tão limitado, inócuo. Existem umas amarras aí, e eu não sei onde elas começam, e nem onde terminam.

Um conhecido meu colocou uma vez na sua descrição do Orkut alguma coisa como “eu só quero me divertir num mundo em que as pessoas não sabem mais fazer isso”. É por aí. Não vou ser hipócrita em vir citar o Oscar Wilde com aquela coisa de “viver” e “existir”, e nem vou dar uma de comunista em pleno século XXI para reclamar de uma possível limitação imposta pelo consumo excessivo e monopólio do capital (bem possível, aliás). Mas me reservo no direito de dar uma de Arnaldo Jabor e dizer que as pessoas são estúpidas, não devem ser e se continuarem sendo, elas estarão erradas, e eu certo. E gente estúpida não sabe se divertir.

Eu acho que sei me divertir.

Ou talvez não. Aos olhos da nossa época, provavelmente não. Há um modelo hermético a ser seguido, ou então você não se diverte, esse modelo limpo como um corte de lâmina bem afiada. E toda essa limitação não justifica o nosso passado, quer dizer, onde é que ficam as pessoas realmente excêntricas agora? Antes pelo menos elas conseguiam umas garotas (ou uns caras) e dinheiro pra pagar o aluguel. Agora elas são cortadas, nem as editoras e gravadoras e estúdios querem os mal enquadrados. Parece que essa “classe” dos anos 00 simplesmente eliminou as décadas anteriores, e o ser humano finalmente chegou àquele ponto que vinha ameaçando desde o começo do século XX: achar que a fórmula já está pronta, e descartar todo o resto.

Foda-se.

Friday, May 04, 2007

Wasted Generation

Sabe o que eu acho foda no filme Rockstar? É que aquilo é real demais. Um carinha que idolatra tanto uma banda que nem acha necessário escrever as próprias músicas. Seu talento é desperdiçado em cultuar um ídolo. Cara babaca. Quem põe os ídolos acima de si mesmo não pode ser um ídolo, ele mesmo.

Meus amigos, quando vêem o filme, cheio de guloseimas, dizem: “Caralho, mas que foda!”. Claro, não é em qualquer longa metragem que você vê o Zakk Wylde atirando numa placa de trânsito... Mas eu continuo me sentindo meio deprimido quando vejo um cara desses, seja real ou ficção.

Complicado é entender (e engolir) a atração de uma mina foda como aquela que a Jennifer Aniston interpreta por um bananão cover version daqueles.

É, tá cheio de gente retardada nesse mundo, mesmo.


Ainda bem que o carinha se toca no final.

Thursday, April 26, 2007

"Mais cem mangos, otários!"

No último dia 23, Los Hermanos anunciaram sua separação – ou “recesso por tempo indeterminado”, como definiram. No bilhete (nem se dignaram a escrever uma carta-despedida pros fãs tão fervorosos) dizem que “A pausa atende a necessidade dos integrantes de se dedicarem a outras atividades que vieram se acumulando ao longo desses dez anos de trabalho ininterrupto em conjunto.”.

Justíssimo. Deve ser maçante passar tantos anos tendo que se dedicar a uma única atividade, ainda mais se essa atividade for trabalhar numa banda famosa como a deles. O que não parece ser lá muito justa é a decisão dos barbudos em dar um último show para os fãs. Um não, dois! Como uma despedida... Quanta perspicácia! Eles realmente parecem ansiosos para engrenar essas “outras atividades”, não é?

“A banda vai acabar, mas não poderíamos perder uma última oportunidade de arrancar uns reais de vocês, otários”, dizem nas entrelinhas. Talvez isso seja uma vingança, ou uma forma de lucrar com os fãs retardados que tanto prejudicaram a imagem da banda desde 2001, quando saiu o Bloco do Eu Sozinho, agindo como se fossem apóstolos de uma entidade messiânica.

Não sou um grande conhecedor dos Hermanos. Comprei o primeiro disco a preço de pinga e me interessei pela banda. Depois, quando arranjei o Bloco do Eu Sozinho, percebi que se tratavam, sim, de uns bastardos talentosos. É um discaço, mesmo! Mas sempre tive preguiça com eles, justamente, talvez, por esses fãs. Agora eles estão provavelmente fuçando na bolsa da mãe atrás de dinheiro para esses últimos concertos. Precisarão: Cinqüenta pratas por meia entrada para cada dia.

Mas será que eles merecem tal comoção? Qual o serviço dessa banda para a música? Desde o fatídico lançamento do fatídico Bloco do Eu Sozinho (citado já pela terceira vez aqui!), um sem-número de garotos e garotas indie começaram a desenvolver verdadeira paixão por samba, por Chico Buarque, por Cartola. Foi isso que eles fizeram, apresentaram a música brasileira pra garotada que, no máximo, ouvia Weezer. Agora, quantos se aprofundaram nisso ou realmente gostaram da coisa, é outra história.

É um trabalho notável, pouca gente faz isso hoje. No mainstream “roqueiro”, então, só eles, mesmo. Então, por que parar? Rodrigo Amarante vai se dedicar à sua Orquestra Imperial, Marcelo Camelo provavelmente vai se envolver com produção e talvez lance algum trabalho solo, Barba e Medina também vão flutuar por aí. Todos apoiados no seu trabalho prévio com o Los Hermanos, gozando do status vanguardista que criaram, mas sem dar continuidade ao trabalho.

Espero que enquanto estiverem ouvindo sua música favorita no dia do último show, cem reais mais pobres, os fãs se dêem conta desse refugo.

Saturday, April 21, 2007

Ei, camarada! Enfie sua erudição no cu!

Odeio quem sabe apreciar um bom vinho. Odeio quem gosta de colocar um bom Jazz na vitrola e saborear um belo charuto cubano. Não suporto quem leva a namorada pra jantar num lugar chique e sabe fazer comentários pontuais sobre a comida.

Gosto mesmo é de gente cuspindo sangue ou esporreando nas calças de tanta dor ou felicidade. Quem gosta de expressar aquilo que sente sem se incomodar com expressões como “dicotomia” ou “auto referência” é quem eu costumo prezar.

A vida é simples, caramba! Por que as pessoas insistem em desfilar sua erudição por todos os lados? Por que a existência virou uma batucada com as mãos e um sorriso de canto de boca num terno impecável? Se você está fazendo dinheiro com isso, está tudo certo, mas e se não? Por que as pessoas acham que filmes, música e livros são apenas trampolins pra satisfazer as vaidades de um camarada que não se contenta em simplesmente saber?

Eu não sei quando foi que as pessoas deixaram de ser auto-suficientes, talvez nunca tenham sido. Mas essa necessidade em provar pros outros que sabe tudo me enoja. Quando vão descobrir que a graça de tudo é aproveitar, e não demonstrar o quanto se está aproveitando?

Friday, April 20, 2007

Exclusivo: Dagoberto tem duas cabeças!

É revelada uma anomalia durante coletiva que apresentou o craque oficialmente como novo jogador do tricolor.

Durante a tarde de hoje, mais uma novela futebolística chegou ao fim. Dagoberto, finalmente liberado do Atlético-PR, foi apresentado como novo reforço do São Paulo Futebol Clube. Mas, mais do que era previsto - entrevista, vestir a camisa do clube, pose para fotos -, um segredo sobre o atacante de 24 anos foi revelado. Dagol sofre de uma rara disfunção, a bicefalia geriátrica, que consiste numa segunda cabeça, geralmente de aparência mais velha do que a principal, ligada ao pescoço do enfermo.

- É um problema que nunca foi muito grave para mim, sempre pude esconder a segunda cabeça, que na verdade é uma grande companheira, ou melhor, companheiro. Ele se chama Twinkles, é um bom amigo e não vai atrapalhar em nada meu trabalho no São Paulo, cheguei aqui pra somar - garante o jogador.


O superintendente de futebol Marco Aurélio Cunha afirmou que não será nenhum incômodo para o clube a condição especial de Dagoberto:

- O São Paulo é um time tão diferenciado que é o primeiro a ter um jogador com bicefalia geriátrica. Daqui a pouco vai ter time querendo que a Fi
fa reconheça que teve um jogador com esse problema antes de nós - disse o cartola, alfinetando o rival Palmeiras, que há pouco tempo teve concedido pela Fifa o reconhecimento do primeiro título mundial interclubes.

Para quem ficou curioso, o Spreading Lies conseguiu em primeira mão a foto do jogador com sua segunda cabeça. Mas já avisamos que são imagens fortes, e não aconselháveis para cardíacos, grávidas e para quem sofre de problemas de labrintite.


Monday, April 09, 2007

Rápidas

- Ultimamente (ou então eu só notei agora) as propagandas têm tido seus últimos milésimos cortados, acho que pra encaixarem os segundos que são comprados pelos anunciantes. Não gosto disso, acho que a mensagem não é passada direito. E propaganda é mensagem, não é? A palavra não é degustada pelo ouvinte, e um "Aprecie com moderaçã" não atinge as pessoas como um "Aprecie com moderação...". Porque as emissoras não fazem 30 segundos e uns milésimos pelo preço de 30 segundos? Tempo é dinheiro, mas já tem tanta promoção inútil por aí mesmo... É, não manjo de ganhar dinheiro, mesmo!

- Jaded, Stuck in a Moment e Immitation of Life sao as 3 músicas que mais me lembram o curso de desenho que eu fazia com uns 11 anos (tocavam no radinho da sala de aula). Foi quando eu comecei a prestar atenção em música. Aqueles dois anos valeram a pena pra uma coisa que eu não previa. Um pouco da graça da vida é essa imprevisibilidade.

- Estou viciado no Beggars Banquet. Quando eu escuto certas músicas dos Rolling Stones, custo a acreditar que eles já conseguiram fazer um álbum com 10 obras primas. Mas conseguiram. Sensacional.

Ouvindo: Cyprus Avenue - Van Morrison

 
Clicky Web Analytics