Wednesday, November 15, 2006

You have already fooled the children of the revolution

Na última semana, um amigo meu que esteve em casa viu aberto o livro Confissões de uma Groupie (estou relendo) e, tomando ainda como exemplo um outro volume que eu lia anteriormente, Reações Psicóticas, de Lester Bangs, comentou algo como “Você lê uns livros muito nada a ver, hahaha”. Por nada a ver entenda livros de autores desconhecidos para a maioria, com temas de bibliografia menos extensa e que nunca, nem num sonho, cairiam numa lista dos “fodões” da Fuvest e da Unicamp.

Sim, eu adoro ler a respeito de rock and roll, e, sobretudo, amo rock and roll, em qualquer formato. Mas isso é coisa minha. Você pode amar ahmm... Quadros, literatura, cinema, esculturas, futebol, ginástica artística, direito, quadrinhos, oncologia e etc... Há uns dias eu assisti Basquiat e vi como as pessoas podem revolucionar seu meio com Arte. Veja bem, expressionismo e Arte em geral me interessam muito pouco, mas eu reconheço como é algo tão agitador como a música que eu tanto gosto.

O que eu acho que é meio triste é a falta de paixão com que as pessoas tratam, sei lá, tudo. Ainda na esfera musical, eu não sou ingênuo a ponto de achar que algo como Woodstock pararia uma guerra, mas creio que ouvir Marc Bolan cantando “you won’t fool the children of the revolution” ou John Lennon exigindo poder para o povo pode incutir na geração um sentimento de indignação e um pouco revolucionário, sim. Veja bem, música é uma coisa feita pra divertir, mas eu não entendo mais o que aconteceu com ela. A diversão ultrapassou tanto qualquer propósito que poderia existir que não existe mais diversão na musica popular, quase.

Não sei mais bem o que eu estava tentando dizer, mas é que eu não entendo mais nada sobre quem eu sou e o que eu quero, principalmente nesse meu lado mais chato, que é a exigência em relação à música. Se por um lado, eu acho que não se deve policiar o gosto alheio, eu não consigo ser compreensivo em relação ao estupro do rock e seu conteúdo.

Fica estranho isso tudo, mas tome como um desabafo ou uma crônica confusa de um cronista confuso.

***

Mudando um pouco de assunto... Domingo, se tudo der certo, estarei no Morumbi e se tudo der certo mesmo, verei pela primeira vez o São Paulo ser campeão no estádio. Po, é felicidade demais pra um cara só.

Ouvindo: Cosmic Dancer – Marc Bolan & T.Rex

Tuesday, November 07, 2006

Pra tirar a poeira

O primeiro disco inteiro que eu ouvi quando fiz 17 anos, nessa última madrugada, foi Diorama, do Silverchair. Isso o faz merecedor (ou melhor: é uma conseqüência inevitável que seja feito um) de um comentário. Mas não só por isso, todo disco é merecedor de um comentário, ué. Mesmo que seja pra detonar, o que geralmente é o mais divertido. Diorama poderia, inclusive, ser um disco desses, que espera para ser destruído.

Sabe como é, Daniel Johns é um cara muito azarado. Sempre convivendo com alguma doença pronta para ceifar sua criatividade e integridade física, além de declarados conflitos interiores, o que causa, a princípio, grande desconfiança sobre a qualidade de algum álbum vindouro.

Porém, saído de seu inferno particular em 2001, Daniel veio provar que, não senhor, não havia porque desconfiar. Acima de tudo, Diorama é um álbum maduro. Os adolescentes do Silverchair cresceram e agora sabem bem o que querem. O primeiro disco da banda saiu quando os integrantes tinham 16 anos, e olhe só que injusto, eles já eram rockstars com 17, a idade que eu fiz hoje. Eu estou em casa, na frente do PC, eles estavam em turnê. E todos sabem (ou imaginam) como é a vida de um rockstar em turnê. Isso desgasta a mente de qualquer um na fase mais conturbada da vida. Eu digo isso por mim mesmo. A nossa cabeça muda muito e ,oh!, como tudo é um drama e como eu sei que daqui um ano eu vou ser completamente diferente de como eu sou agora e fui há um ano. Sem frescura, isso é a mais pura verdade.

Longe de tudo isso (ou após descobrir como conviver com isso), a banda solta um disco que parece algo como um Beatles cósmico bolinado pelo Alice in Chains. Plágios constrangedores como Slave inexistem, e isso é um deleite para qualquer um. Afinal, não é mais um disco do Mad Season gravado na Austrália e sim um álbum do Silverchair.


Gostei.

Ouvindo: The Greatest View - Silverchair

Monday, October 30, 2006

Matanza - A Arte do Insulto


O Matanza é a banda brasileira de rock mais legal que existe no momento. Afirmo isso sem nenhum pesar ou incerteza. Quando uma banda tem autoproclamada moral pra te mandar tomar no cu, ou ela é a melhor, ou é a mais risível. Os brutos cariocas possivelmente são os dois. Melhor porque, numa cena musical de sentimentalismo hiperglicêmico e falso moralismo, eles têm o colhão pra falar de “bebida, mulher e porrada”, como definem. E a mais risível porque, apesar da pose de ogros sedentos por sangue de virgem, todo mundo sabe que o "gigante irlandês" Jimmy London se trata de uma pessoa razoável, polida e educada e os outros integrantes não ficam atrás.

Mas toda a teatralidade da banda é justificável. Afinal, como seria possível dizer que fulano é um “boçal, retardado mental e infeliz” sem todo um status de machões?

Mas então, diferente de outras bandas que assumem personalidades, o Matanza não é egoísta: te convoca a beber com eles e se divertir igualmente. Você é o rockstar, você é que é o bom. Junto com eles, claro.

Fui num show deles recentemente e vi na prática como tudo funciona. Enquanto os fãs se digladiam na pista, o vocalista berra a plenos pulmões os prazeres da carne e do álcool (e não importa se você vai vomitar e fazer besteira, apenas beba!). Sim, Jimmy London é, acima de tudo, um entertainer, com showbiz brutal explodindo pelas orelhas. Enquanto esbravejava insultos impublicáveis (Ou não. Pelo menos não nesse blog.), eu estendia minha mão em direção ao palco, numa idolatria quase fascista. Era a noite em que absolutamente todos eram piratas, vikings, cafetões e bêbados.

Então, para dar continuidade ao ótimo trabalho que é o disco de covers do gênio Johnny Cash em versão countrycore, o Matanza lançou, no último dia 13 de outubro, o novo “A Arte do Insulto”. Após algumas audições, é fácil admitir que as novas músicas causarão a mesma catarse coletiva que causaram no show em que eu fui (e em todos os outros, segundo relatos de fãs). A banda não tem vergonha de dizer que está ali pra se divertir e não se prende a conceitos pré estabelecidos como o “amor à música” ou “responsabilidade social” e isso é bem mais sincero do que, por exemplo, uma letra do Tihuana sobre a tal da menina prostituta infantil.

Os riffs estão mais pesados e as frases country agora praticamente inexistem (ou coexistem com o Heavy Metal). Dá pra sentir o gosto de sangue na boca, sabe? E as letras agora abrangem novos temas. A ojeriza dos integrantes da banda (o guitarrista Donida é quem escreve a maioria das letras, mas acho que reflete a opinião geral) a seres humanos (mas talvez isso seja só mais um papel que eles decidiram exercer) está mais clara. O pôquer finalmente é abordado numa música só pra ele (já havia aparecido em "As Melhores Putas do Alabama" do Santa Madre Cassino, mas não tinha uma faixa que falasse 100% do jogo) e há até uma referência sobre o “grande amor”.

Quando o disco vazou, eu tive uma certa discussão com um amigo por causa disso. Eu dizia que o Matanza caga no grande amor, ou pelo menos deveria, se tomarmos ao pé da letra esse reincidente conceito de trolls carniceiros. E então foi aí que eu percebi que nisso também mora a sinceridade da banda. Eles vestem e despem sua imagem quando querem e foda-se! E isso só reforça que eles têm colhão pra te mandar tomar no olho do seu cu a qualquer momento. Eles são o Matanza, você consome o que eles têm a dizer se quiser. Você é merda pra eles nesse sentido. Mas continua os venerando mesmo assim e isso é retribuído com esse compartilhamento da “cerveja musical” nos shows e entrevistas. Quer dizer, se você está com o Matanza e não abre, eles estarão com você também. E isso não é invenção minha. A banda já afirmou isso indiretamente algumas vezes.

Para uma conclusão, seria ideal dizer que “Matanza é uma pérola no meio da lama”, mas a banda não tem cara de pérola, de jeito nenhum. Então, acho que o ideal seria dizer que no meio de tantas Bavárias, o Matanza se destaca como uma das únicas Originais do bar. É uma péssima analogia, mas se você pegar o feeling, vai entender do que se trata.

Wednesday, October 25, 2006

Rock and Roll, o Natimorto

Às vezes eu fico imaginando quantas crianças prodígio não nasceram já mortas... Quantos seres humanos que poderiam ter feito mudanças cruciais no planeta, tanto culturais quanto sociais, políticas ou de meio ambiente, não vieram ao mundo, por alguma infeliz circunstância, já sem vida? E nenhuma dessas pessoas teve a chance de não apenas ressuscitar, mas morrer outras inúmeras vezes, para sempre voltar com novas idéias.

Mas não lamente: o rock n’ roll, aquele que nós amamos, que parece tão blindado aos infortúnios dos séculos é bem assim. Veja só, não foi a ida de Elvis para o exército, o escândalo Payola, a prisão de Chuck Berry e o boicote a Jerry Lee Lewis a primeira morte? E o descenso criativo da metade dos anos 70, o fim do punk, a era glam e o apagamento da chama de Seattle, as mortes subseqüentes?

Mas se hoje o rock é o que é, isso se deve única e exclusivamente à sua capacidade de se reciclar após cada morte, encarnado num novo maluco pronto para pôr abaixo e exaltar diferentes sons, mitos e momentos. E é essa constante reinvenção que cria novos heróis a cada ano e também os derruba. Lester Bangs dizia que “a única razão para se construir um ídolo é joga-lo por terra novamente”. Só não imaginava que, a esta altura do campeonato, seria o próprio rock n’ roll que faria o trabalho sujo.

Na Veja de 18/10/2006 há um artigo exatamente sobre essa renovação do rock e de como o reinado das bandas vem durando cada vez menos. Seria porque as ressurreições já não significam mais nada para o público, seja musical ou socialmente? Eu realmente não sei. Mas a verdade é que desde a última morte, o estilo parece ser paciente de aparelhos que apenas garantem uma sobrevida debilitada. E não falamos aqui da qualidade musical das bandas atuais (ainda há bandas boas por aí, muito boas, aliás) e sim do seu impacto. É inegável que os Strokes causaram um choque muito menor do que causaram os Beatles, o Led Zeppelin ou até mesmo o Nirvana. Uma das bandeiras do rock, continua a revista, sempre foi o objetivo inabalável de causar desconforto aos mais velhos e transgredir as velhas normas. Mas como fazer isso se hoje em dia balançar a pélvis ou cantar sobre a anarquia no Reino Unido não choca mais ninguém? Talvez o que o rock esteja demandando para renascer mais uma vez, avassalador como outrora, seja o desapego a valores ultrapassados até mesmo para ele próprio. Esquecer os aspectos exteriores que a música pode acarretar e simplesmente amá-la novamente, fazendo canções para se divertir.

O grande lance do rock and roll é que ele nunca cresceu, estava sempre falecendo antes de virar adulto. O que é esperado de nós, então, filhos do rock, é não deixar que ele se torne um marmanjo barrigudo que ainda mora com a mãe aos 40 anos de idade.

Friday, October 20, 2006

Red Hot Chili Peppers - By The Way


O primeiro show que eu vi na vida foi da turnê do By The Way, do Red Hot Chili Peppers. Como qualquer garoto de 12 anos (ou a maioria esmagadora deles), tudo que eu esperava eram hits. Antigos e novos.

Não foi um show memorável, já que eu estava longe do palco e conhecia pouco-quase-nada dos Peppers além dos próprios hits. Hoje, eu mais do que ninguém, sei como shows NÃO são feitos só de hits. Aliás, o que um show precisa é de alguns clássicos, realmente, mais algumas músicas que constroem e destroem o ritmo do concerto e surpresas, muitas surpresas. Tocar músicas que ninguém espera é uma idéia quase sempre muito acertada. Imagine-se num show do Zeppelin e de repente você é surpreendido com Hats Off to Roy Harper ou Ramble On. Huh?

Yeah.

Mas voltando a Anthony Kiedis e sua trupe, eu lembro de não ter sido um show bom. Lembro de terem tocado um cover dos Ramones (até hoje não sei qual), Suck My Kiss e Knock me Down (mas não tenho certeza dessa última). E não tocaram Dosed. A música que eu escuto agora e que tanto eu queria ver ao vivo foi simplesmente esquecida. É uma balada extremamente clichê e soa datada. Mas concentra basicamente toda a idéia do disco.

Os Chili Peppers querem parecer antigos e boom!, eles conseguem. Eles chuparam tudo que podiam dos Byrds, da Experience do Jimi Hendrix e até mesmo do Led Zeppelin e fizeram um disco divertido, limpo.

As frases robóticas e rítmicas de Kiedis ainda estão aí, ou não seria Chili Peppers. Mas todo o Funk Rock adolescente e caótico que existia até, sei lá, Blood Sugar Sex Magic não está mais aí. A banda sabe disso e não se acanha. Vai até o limite das “outras” influências que não Ramones, The Clash e Sly & The Family Stone e se dá bem. The Zephyr Song, tanto música quanto clipe, é o exemplo escarrado disso tudo.

Mother’s Milk sempre foi o ápice do som gingado e fanfarrão dos gigolôs Californianos, One Hot Minute o mais completo e Californication o que melhor representou os meus 9 anos (uma criança prodígio, praticamente). Talvez tenham sido os porquês de eu só ter descoberto o By The Way ontem, mais de quatro anos depois de ter comprado-o. Pecado. É um passo a frente na carreira do RHCP. Não chega a ser um primor como o Mother’s Milk, mas é um disco de rock bem divertido. Dessa vez os grooves dão lugar a sons de violão. Cabron é um exemplo disso. Oscila entre o ritmo mexicano e o melhor de Led Zeppelin III.

E não há mais bitchslappings como Get on Top ou I Like Dirt do disco anterior. As músicas mais animadas são mais suaves e o forte do álbum são mesmo as baladas – que vêm em peso – e as “inovações”. On Mercury faz o sujeito estalar os dedos, mexer os ombros e olhar pro lado com aquela cara de bobo típica de programas como Fame.

Warm Tape e Venice Queen são as duas últimas, e as melhores também. A primeira é totalmente “viajante” e eu juro que os meus olhos se reviram em redemoinhos infinitos à la desenho animado. E a última tem um dedilhado tesão no melhor estilo “noticiário das oito” e explode numa balada pop com violões. É, até o momento o réquiem final das pimentas, tendo em vista a bomba que é Stadium Arcadium (e eu não sei se um outro disco nesse nível vai surgir das cabeças deles).

Porque o Kiedis ainda está lá? Era o que eu me perguntava ontem. Vejam só... O Frusciante é um músico bem mais completo e canta melhor. Acontece que, além de ser o autor das letras, de ser sex symbol, fundador da banda e etc etc etc, a voz desafinada do Anthony “casa” perfeitamente com as músicas do RHCP. Ou alguém aqui acha que Under the Bridge ficaria boa na voz de outra pessoa?

Wednesday, October 11, 2006

Peixe Grande

Confesso: Peixe Grande me fez chorar. E muito. Eu nunca tinha chorado com filme algum. E não é que eu tenha me identificado com algum personagem, ou qualquer outra dessas desculpas que existem. O filme é realmente tocante.

À primeira vista, pode parecer só mais um filme divertido do Tim Burton. E é. Mas tem mais coisa, sabe? Quando os primeiros conflitos "existenciais" (não que seja a melhor palavra para defini-los) de Will Bloom começam a ficar mais nítidos, já é possível perceber que não é "só mais um filme divertido do Tim Burton". Na verdade, o filme trata de um tema que não pode ser manejado com leviandade, que é a compreensão entre pai e filho.

É difícil isso. Eu e o meu pai estamos sempre brigando e ele sempre diz que só foi entender o meu avô depois que ele já tinha morrido. Quer dizer, não é o filme que vai fazer eu entender cada atitude estúpida do meu pai, mas faz pensar, sabe?

Ao enredo, então. Edward Bloom é um homem que adora contar suas histórias fantásticas para todos, e isso irrita o seu filho, que não suporta ver o pai narrar sempre as mesmas mentiras. Por esse motivo, eles ficam por 3 anos sem se falar. Agora, Edward está com câncer terminal e o filho resolve voltar para casa e, finalmente, conhecer seu pai da forma que ele realmente é.

Basicamente é isso. Contar quaisquer detalhes seria estragar a primazia cinematográfica de Burton, que além de dirigir formidavelmente, construir cenários como ninguém e contar histórias de forma mágica, ainda conta com um time fodido na fotografia e casting. É sério. O visual do filme é irretocável e, embora eu realmente não entenda nada disso, não percebi nenhuma atuação abaixo da média.

A cena final me fez chorar copiosamente e os letreiros com Man of the Hour do Pearl Jam colaboraram para a continuidade das lágrimas (ahahah, que piegas).

Assistam.

Ouvindo: Nada.

Sunday, October 08, 2006

No feeling

Quero escrever coisas soltas. Já que ninguém lê esse blog e os seus textos vão ser raridade quando eu tiver me tornado um whatever famoso e já estiver morto, eu posso escrever O QUE EU QUISER (não que antes não fosse assim).

Então, com o olhar embargado, o homem disse, então:
- Vai chover de novo. Larga esse machado e vem pra dentro.
O filho ignorou a ordem e continuou trabalhando na terra. Furioso com as circunstâncias, o velho deu um tapa na face do garoto. Aí sim ele largou o machado. Não sabia se sentia raiva do pai, ou pena. As rugas estavam cada vez mais acentuadas na cara do homem e as marcas do sol nunca iriam sair.
Atracaram-se e rolaram pela terra, antecipando o trabalho da chuva de estragar a pequena horta.


Driblou pra esquerda, cortou o meia, tocou, recebeu de volta, fez fila com o lateral e o zagueiro, chutou por baixo das pernas do goleiro, bateu a cabeça na trave e morreu. Mas foi um belo gol.

É estranho fazer considerações sobre a imcompletude da alma. Ela pode se manifestar de tantas maneiras... Comigo, ela se manifesta de todas.

Ouvindo: The Frayed Ends of Sanity - Metallica

Friday, October 06, 2006

Escrito há algum tempo

É comum não saber exatamente a sua posição no momento em que se acorda. Mas não era esse o caso daquele homem. Esfregou os olhos, ciente de que aquele seria o dia que faria sua vida ter sentido. 25 anos validados por apenas um período de rotação na terra sobre seu próprio eixo.

Olhando para trás, ele via que nunca havia realizado nada, nem tido grandes momentos. Felicidade e tristeza quando poucas causam profunda monotonia.

Nunca havia amado alguém com força, nunca ficara estonteado pela presença de ninguém, não perdera parentes, nunca aparecera na TV, nem tinha um cachorro famoso. Os momentos marcantes na vida de um ser humano para ele não significaram nada. Talvez por ser tão acostumado com a pasmaceira da sua vida, ele também não atribuiu a devida importância àqueles momentos. Talvez por apatia, talvez por medo.

Apenas amou a música. Amou com força, com todo o seu ser. Tentou amar outras coisas, tentou amar algumas garotas, mas enjoava de tudo. Até da música em alguns momentos, sejamos sinceros. Como toda pessoa que não está satisfeita, ele culpou. Culpou a si mesmo, culpou à solidão, culpou aos amigos, culpou a Deus. Deus? Nem acreditava mais em Deus. Não precisava. Acreditar em algo que nunca o mostrou nada? Ou até mostrou, mas ele nunca foi capaz de agarrar o que lhe foi mostrado e nunca mais soltar. E daí culpava a si mesmo, outra vez.

Mas naquele dia, tudo isso ia mudar. Cumprisse o que estava para cumprir e os namoros ruins que teve, as músicas ruins que ouviu, os empregos do qual fora demitido, as horas entediado na frente da televisão e todo o ódio que sentira pelos pais nos momentos em que eles foram burros o suficiente para serem engolidos no próprio ego e agirem de maneira totalmente tirana seriam momentos sublimes. Algo na sua cabeça apontava que ele dificilmente sentiria raiva de novo. Ou decepção. Aquele evento vindouro ia sepultar os momentos ruins. Uma vida de alegrias esperava aquele homem.

Cheio de expectativa, espreguiçou-se ainda na cama. Levantou e olhou-se no espelho. Estava com a aparência digna de um vencedor. Ou pelo menos de quem estava para se tornar um. Atos como tomar banho ou escovar os dentes pareciam só atrasar a chegada do grande momento. Mas eram necessários, porque higiene e uma cara boa são imprescindíveis para vencedores. “Já sou virtualmente um vencedor, afinal. Algumas horas não podem me separar mais de ser um”, pensou.

Por causa de todo infortúnio da sua vida até o dia anterior, ainda não tinha carro. Era justificável, enfim... Subiu no ônibus em direção à glória. Podia imaginar todo o reconhecimento que receberia. Aos que o invejassem, faria questão de esfregar na cara todo o seu sucesso. Veio à mente a imagem de uma pessoa em particular, e um sorriso brotou no canto esquerdo de seus lábios.

Cada minuto era uma vida, e cada quilômetro milhares de anos-luz. Mas valia a pena esperar. Valia a pena desfrutar dos últimos momentos de vida miserável. “Sou um ser iluminado.”, pensava “Tolos não seriam capazes de tamanha sensatez”. E era de fato um homem sensato. Apesar da solidão, da apatia e eventual rancor, apresentava grande sensatez em várias ocasiões. Chamavam-no de frio, mas era pura e simples sensatez, justificava.

O automóvel parou. Estava a poucos degraus do sucesso. Fazia sol. Os céus sorriam para a coroação daquele indivíduo. Olhou para o grande bloco de concreto à sua frente. “É aqui que me tornarei alguém”, suspirou. Contemplou a rua pela última vez e entrou.

Passada uma hora, saiu pela mesma porta que entrou. O olhar estava turvo, os membros leves. Flutuava pela rua pensando como sua vida estava mudada. Não seria mais um jovem infeliz, não seria mais um homem ranzinza, não seria mais um velho arrependido. O ruído da multidão na rua era um leve farfalhar à distância. O chão não existia, assim como o céu. Ele se integrava ao mundo, assim como o mundo era a sua própria existência. Não tinha visões nem falsas sensações, era tudo real. Podia ouvir o cheiro das pessoas, e tocar a cor cinza da calçada.

Flutuou pela última vez, até que um baque o trouxe de volta à realidade. Começou por sentir a costela, depois as pernas, o braço e por fim o resto do corpo. Demorou a perceber o que estava sentindo, pois ainda estava embriagado pelo êxtase, mas, segundos depois, não teve dúvida: Era dor. Não entendia porque, mas estava deitado no chão, com dor. Pessoas gritavam ao seu redor, e ele ouvia sirenes. Sentia a realidade mais uma vez, e de forma dura. Como o homem bem sucedido que era, não admitia a situação atual, em que via primeiro o joelho das pessoas e depois suas cabeças. Decidiu, por fim, que não tinha que agüentar aquilo e se retirou. Mas por escolha própria. Vencedores como ele podem escolher, sim, até o momento de sua morte.

Morreu, é verdade, mas não sem antes se tornar grande.


Escrito em 30 e 31 de agosto de 2006. Ouvindo o sétimo álbum do Pearl Jam, Riot Act e o quinto do Led Zeppelin, Houses of the Holy. Terminei com o magnífico Dark Side of the Moon, do Pink Floyd, no dia seguinte. Escrevi a última frase no momento anterior ao solo de vocal de The Great Gig in the Sky.

Wednesday, September 13, 2006

Nicholas Rodney Drake

"Nick Drake me faz sentir triste. Me devasta. Mas me emociona também. De forma tão forte que a tristeza se torna um detalhe.
Eu imagino um gigante de 1,92m com um violão, trancado num quarto, entretendo a própria solidão. Sua doce voz sibila e tudo em volta se torna um detalhe.
Isso é Nick Drake.

E pensar que antes eu achava que Damien Rice era o ápice da emoção. Hahaha!"


Escrevi isso ontem, antes de dormir. Não sei o que tem a música dele, mas ela me suga, e há 3 dias, eu não penso em escutar mais nada (se bem que andei escutando System of a Down e Deep Purple ontem).

Enfim, os três discos são perfeitos, sem ter uma única falha.

Ouvindo: Introduction - Nick Drake

Friday, August 04, 2006

Dust - Dust


Desde que eu comecei a usar a Internet como um meio de conseguir música, sempre me foi recomendado ir atrás das coisas que aconteciam por trás dos holofotes dos anos 70. Sim, porque por trás do Led Zeppelin, do Pink Floyd, do Kiss, do Deep Purple e do Black Sabbath, haviam bandas extraordinárias como esse próprio Dust, que faziam um som tão competente quanto o das supracitadas, mas que nunca chegariam a tocar para 70000 pessoas num estádio lotado.

Isso não impediu que o som dessas bandas criasse uma horda imensa de fãs fervorosos, que colecionam cada compacto, cada versão diferenciada de cada disco. E sim, Dust, Budgie, Grand Funk Railroad e Thin Lizzy (se bem que essas duas últimas são bem mais conhecidas) são grandes bandas, capazes de possuir uma legião louvável de admiradores.

Mas enfim... Um dia, por algum motivo, eu decidi que era hora de baixar o tão falado Dust, a primeira banda do Marc Bell (a.k.a. Marky Ramone). Discografia curta, apenas 17 músicas para ser digeridas, eu não poderia ter nada a perder. Então baixei o primeiro disco.

E não é que ele se revelou um discaço? Desde o riff típicamente hard rock de Stone Woman até a "apressada" Loose Goose, o play não tem onde tirar nem pôr no que se propõe a fazer. Num disco curto, de sete músicas, a regularidade dos instrumentos e do vocal tornam a identificação com o som ainda mais fácil. A bateria não lembra em nada a dos Ramones, é mais firme e menos empolgada. A noção ritmica é maior, as batidas são mais sóbrias. E Richie Wise é um vocalista e guitarrista notório, canta de forma única e faz grandes riffs e solos.

From a Dry Camel é um dos grandes épicos dos anos 70 (mas que infelizmente passará despercebido para a maioria das pessoas) e Chasin' Ladies e Love Me Hard são dois hits em potencial. É um álbum fora do normal, extraordinário na concepção literal da palavra, em sete músicas faz coisas que alguns discos de treze nunca farão.

Um must listen.


Ouvindo: Loose Goose - Dust

Tuesday, July 25, 2006

Toca no coração

Que o No Code é o melhor disco da história pra mim, eu não tenho dúvida. Mas o Ten, caras... Toca no coração. É aquele disco tipo... Que toda vez que eu ouço, eu tenho vontade de sair por aí pulando, dançando, cantando... principalmente cantando. Todas as músicas, do começo ao fim, imitando a voz do Vedder, cabeça pra cima, olho fechado.

É uma sensação indescritível que me toma, de Once a Release.

Não é o melhor disco da história, mas é o que eu mais amo.

Ouvindo: Release - Pearl Jam (claro que eu ouvi o disco todo antes de postar)

Friday, July 21, 2006

Festival?

Olha só... tava fuçando o last.fm e achei isso, em um "Journal":

Take six bands which should play on your festival:
- The first one plays 5 songs.
- The second one plays 5 songs.
- The third one plays 7 songs.
- The fourth one plays 7 songs.
- The fifth one plays 10 songs.
- The sixth one plays 14 songs.

Pô... Legalzão... Vou tentar, só com bandas na ativa. E sem contar dinossauros que já foram excepcionais no passado.


1ª Banda: Arcade Fire

1. Wake Up
2. Old Flame
3. Neighbourhood #3 (Power Out)
4. No Cars Go
5. Haiti

2ª Banda: Kings of Leon

1. Red Morning Light
2. Soft
3. Spiral Staircase
4. King of the Rodeo
5. Trani

3ª Banda: Matanza

1. Pé na Porta, Soco Na Cara
2. Eu Não Bebo mMais
3. Todo Ódio da Vingança de Jack Buffalo Head
4. Imbecil
5. As Melhores Putas do Alabama
6. Bom é Quando Faz Mal
7. I Got Stripes (cover do Johnny Cash)

4ª Banda: Queens of The Stone Age (Com o Nick eles mereciam mais que 7 músicas, mas a formação atual não)

1. Feel Good Hit of The Summer
2. The Sky is Falling
3. If Only
4. No one Knows
5. Someone's in the Wolf
6. Better Living Throught Chemistry
7. You can't Quit Me Baby

5ª Banda: Metallica

1. ...And Justice For All
2. Sad But True
3. Disposable Heroes
4. Creeping Death
5. Fade to Black
6. Master of Puppets
7. Frantic
8. Nothing Else Matters
9. Seek and Destroy
10. One

6ª Banda: Pearl Jam

1. Oceans
2. RearViewMirror
3. World Wide Suicide
4. Love Boat Captain
5. Whipping
6. Faithful
7. Jeremy
8. Big Wave
9. Sleight of Hand
10. Off He Goes
11. Alive
12. Indifference
13. Smile
14. Black


Olhem só... Não ficou tão bom, mas tá legal. Poucas músicas, fica difícil...

Wednesday, July 05, 2006

8 Álbuns Essenciais

Meu post retirado de um tópico num fórum que eu costumava frequentar. Os 8 álbuns essenciais para mim, até o momento do post.



Levando em conta mais a importância pra mim, nem sempre a preferência.

Pearl Jam - No Code

Simplesmente o álbum que tirou todo e qualquer estigma "grunge" do Pearl Jam, tem músicas que variam de punk de 1 minuto até a uma de cadência meio bossa-nova. Meu disco preferido ever.

Queens of the Stone Age - Songs for the Deaf

O primeiro CD que eu comprei. Rock rápido, básico algumas vezes, meio épico (?) em outras (como em the Sky is Falling). Entre as músicas, há vinhetas de rádio, como se o cara fosse trocando de estação e em todas tivesse tocando Queens.

Nirvana - Nevermind

Foi o que me fez ter interesse por rock, som de Seattle, e etc. Nirvana me inspirou a tocar guitarra (mesmo o Kurt sendo um péssimo guitarrista).

Led Zeppelin - IV

Stairway to Heaven, precisa falar mais?

Red Hot Chili Peppers - Californication

Outra daquelas bandas que faz o moleque gostar de róquenrôu. O show deles foi o primeiro que eu fui, com 12 anos.

Thin Lizzy - Jailbreak

Thin Lizzy é aquela banda meio famosa, meio desconhecida que é tão boa que faz perceber que os anais (ui!) do hard rock setentista têm MUITA coisa boa.

Pink Floyd - Dark Side of the Moon

Tudo que o rock progressivo tem que ter.

Metallica - Master of Puppets

Comecei a ouvir há pouquíssmo tempo. Me fez perder o preconceito com o metal.

Monday, June 26, 2006

Pearl Jam e Lullabies to Paralyze

Se tem uma coisa boa em relação a música, é conhecer uma banda alguns meses antes dela lançar seu disco novo. Você acaba conhecendo toda a discografia (isso é, se o som te agradar) e quando não há mais nada pra conhecer, a banda lança material novo, saem notícias, clipes e isso reacende o interesse. Comigo aconteceu isso com duas bandas que hoje em dia são as minhas preferidas, Queens of the Stone Age e Pearl Jam.

Lullabies to Paralyze e o auto-entitulado oitavo disco de estúdio do PJ têm muito em comum. Demoraram mais tempo para serem produzidos do que seus antecessores, foram (ou ainda estão sendo) muito mais expostos na mídia do que os outros álbuns das duas bandas costumavam ser e, também, apresentam muita polêmica entre os fãs.

É estranho, porque são dois álbuns legais, eu sempre defendo-os quando os fãs mais radicais tentam execrá-los e cada um tem pelo menos uma música essencial na antologia das duas bandas, mas, por outro lado, eu nunca me pego com vontade de ouvi-los. Bom, às vezes isso acontece, mas não é como com o No Code ou o self titled do Queens.

Não consigo imaginar o que causa isso. Ás vezes os discos me parecem muito embalados, sabe? Os dois apresentam músicas com sonoridades novas, mas os anteriores ultrapassavam a barreira da sonoridade pra apresentar coisas novas. Eram outras facetas, representavam sentimentos novos.

Talvez seja esse o problema. Bandas boas nos acostumam mal.

Saturday, June 03, 2006

Adolescentes são estúpidos

Porque um rapaz pinta o cabelo de roxo, passa gel, poe uns bottons na camiseta e vira emo? O que se passa na cabeça de uma garota quando ela faz cara de nojo, começa a ler a coluna do Lúcio Ribeiro como se fosse a verdade absoluta e vira indie?
Sinceramente, eu vejo essa coisa toda de tribos urbanas e o caralho um puta jeito dos adolescentes se incluirem. Sim, isso é obvio. Mas porque se incluir desse jeito? Talvez se identificar com um grupo por causa da sua maquiagem e gosto musical e não pelas suas idéias. E eu não entendo a dificuldade das pessoas em expor suas idéias. Porra, já viram o tamanho desse mundão? Por mais imbecis que sejam as suas idéias, sempre vai ter alguém que vai gostar de você por elas. O mesmo vale pro seu gosto musical, seu estilo de vestuário e tudo mais.

Sabe... quando eu vejo grupinhos de alguma tribo determinada, eu tenho vontade de vomitar. Não parece em nada com amizade e sim com uma necessidade absurda de se enturmar com gente imbecil.

Uahhn... foi um bom texto de aquecimento, vamos pro review. :)

Ouvindo: Esa Tal de Tequila - Velhas Virgens

Friday, April 28, 2006

Errata atrasada

Present Tense é perfeita, Mankind é animal. O No Code não tem música ruim. Nem mediana. Nem boa. Só a perfeição. A perfeição, a perfeição...

Wednesday, April 05, 2006

Top 10 - Doenças

Uh ya yeah, primeiro top 10, depois daquele post degradante sobre as 2 bibas! ahhahahaha engraçadao, não acharam? E pra inaugurar, um tema bem bizarro: As 10 doenças que mais me amedrontam. Eu nem sei como eu fui pensar nesse tema, mas isso aqui deixou de ser um blog musical há um bom tempo.

10 - Doença de Crohn

Provavelmente eu só sei da existência dessa terrível doença por que sou fã do PJ. Sim, afinal o portador mais famoso da Doença de Crohn é o ultra super magnifico e fodão guitarrista Mike McCready (é aniversario do cara hoje, inclusive). A doença nem é letal, porque pode ser tratada, mas também não tem cura. E os sintomas não são muito legais. A doença ataca o cólon, por isso direto o cara tem caganeiras incontroláveis e imprevisíveis. E justamente por não ter cura, durante a vida toda você pode ter os sintomas. Nada legal, né?

9 - Crise de Abstinência

Tá, não é uma doença, mas é um distúrbio fodido. Ocorre pela falta de elementos químicos da qual a pessoa é dependente (drogas). O sujeito baba, vomita, tem alucinações nada agradáveis e, além de tudo, fica agressivo e intratável. Por isso eu digo: não use drogas pesadas.

8 - Depressão

Depressão, ué. Todo mundo já ouviu falar. Sua vida está tão ruim que você se vê sem saída alguma. Nada parece dar certo e qualquer coisa é motivo de choro. Você emagrece, fica com tendências de alcoolismo e absolutamente nada te anima. E não é frescura. É uma doença que deve ser tratada e que pode levar à loucura, ou suicídio.

7 - Elefantíase

Taí uma coisa que eu não desejo pra ninguém. Wuchereria bancroft, que é o causador da elefantíase, entra no corpo através da picada de um mosquito e depois se aloja nos vasos linfáticos da pessoa, geralmente encontrados nas virilhas e axilas e causa inchaço nos braços, pernas, saco escrotal e mamas (aula de biologia ajuda). Mas não é qualquer inchaço. Se as sequelas chegarem até o final, como na foto a seguir, já era tua perna, amigão.

6 - Ebola (ou Ébola)

É totalmente irreversível. E rápido também. Ultra contagioso, começa com uma febre forte, dores no corpo, para rapidamente se tornar uma diarréia incontida e vômitos sangrentos. Após algum tempo, suas fezes são pretas, devido à alta quantidade de sangue e você começa a ter hemorragias através dos olhos, nariz, boca e ânus. Ou seja, você agoniza bastante antes de morrer. (Y) A parte boa é que isso só existe na áfrica.

5 - Mal de Chagas

Simples. Você tá dormindo, a fêmea do Barbeiro te pica, você coça, empurra as fezes pra dentro da ferida e o Trypanossoma cruzi faz a festa. Ele entra na sua corrente sanguínea e chega no seu coração. E puf! - ele incha. E coração inchado já sabe como é... não funciona direito e as chances de um acidente cardio-ascular (enfarte) aumentam drasticamente.

4 - Mal de Alzheimer

É uma doença que ataca mais a família do que o doente. Você perde toda a memória recente e esquece das pessoas ao seu redor. E praticamente vira uma criança, mesmo já sendo idoso. A família sofre com o ar alheio e o enfraquecimento gradativo do doente e isso corta o coração. Afinal, você ama sua família e não quer que eles sofram isso por sua causa, né?

3 - Câncer

Hoje em dia 80% ou mais dos cânceres são curáveis e tudo mais. Mas isso não exclui o alto nível de mortalidade. Simplesmente porque nem sempre o diagnóstico é imediato e nem sempre o tipo de câncer é tratável. E mesmo que seja, isso não exclui as fortes dores, o terrível tratamento quimioterápico que causa quedas de cabelo, de peso, enjôos e outras coisas e possíveis chances de reincidência do tumor.

2 - Lesões na coluna

Sai um pouco da temática de doenças, mas a idéia de passar o resto da sua vida em uma cadeira de rodas, desenvolver escaras que podem levar à gangrena - e amputação - de seus membros e respirar por aparelhos nos casos mais graves não poderia ficar de fora desse top 10 tão tétrico.

1 - AIDS

Alguém tinha dúvida de que essa seria a primeira colocação? Um dia, por uma irresponsabilidade, uma desatenção, você é condenado à morte. Sim, porque a AIDS sempre termina em morte. Suas defesas simplesmente são reduzidas a nada e, por mais que vc tome o coquetel de remédios e etc, você vai morrer se contrair o vírus HIV. É uma doença extremamente letal e, acima de tudo, desalentadora, porque não há luz no fim do túnel e o doente sabe disso.

E esse post é pra Nah, que riu quando eu disse que tinha um top 10 de doenças e que adora me dar os OWNEDS mais lindos pq eu sou feio, banguela e pinguço (e fedorento, graças a isso).

Conto 1

Os dois nasceram no mesmo dia, na mesma cidade, no mesmo hospital. Frequentaram o mesmo jardim de infância e tinham nomes parecidos. Como não poderia deixar de ser, se tornaram melhores amigos. Jogavam futebol na mesma posição - e eram uma dupla artilheira brilhante. Na pré adolescência gostaram da mesma garota que, categoricamente, ignorou os dois da mesma maneira. Não prestaram vestibular para o mesmo curso, mas fizeram a prova na mesma sala e moraram na mesma república. Viajaram para os mesmos lugares e dirigiam os mesmos carros. Fatídicamente, alugaram um apartamento juntos e, como se fosse piada, morreram ambos no mesmo incêndio.
Ao saber de toda a história, um repórter perguntou a um pesaroso amigo próximo:
- E eles não tinham nenhuma assemelhança?
- Claro que tinham - respondeu o amigo - um era o ativo e o outro era o passivo.

FIM

19/01/2010: Anedotinha mais besta. Mas até que era bom ser besta.

Sunday, April 02, 2006

Manipulável

Hoje eu descobri como eu sou manipulável como qualquer individuo da massa... Sabe, eu não deveria pensar dessa forma arrogante, mas eu pensava. Eu estou tão sujeito à transmissao da Globo ou qualquer emissora quanto um pedreiro ou um executivo. Eu acho que se eu quisesse ser um "não-manipulável" eu ia ter que abrir mão de muitas coisas que eu considero imprescindíveis na minha cabeça fútil e adolescente. Então vamos brindar à manipulação!

Ouvindo: Better Man - Pearl Jam (Live at State College, PA 03/05/2003) -> tô com vergonha de ouvir tanto PJ.

Thursday, March 16, 2006

Spreading Lies

O yeah, o bluóg mudou de nome.

 
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