Falar mal de uma banda com “status inatingível” como o Pearl Jam pode dar merda. E mesmo que você jure de pé junto que é sua banda preferida, afinal, o povo vai chiar, vai duvidar de você, vai tirar conclusões precipitadas. Bem, é disso que é feita a crítica musical, e se não é polêmica, não é boa.
Alguns questionamentos sobre o artigo "Pearl Jam e a Decadência" foram levantados, e certos aspectos ficaram mal explicado ou mesmo obscurecidos pelo meu texto, levemente disléxico às vezes.
Derrubar Eddie Vedder é complicado, porque mexe com os brios das pessoas, amedrontadas em ver um herói seu caindo por terra. Ora, e será que elas não estão amedrontadas justamente porque ele não é mais o que era? Será que Vedder só é tido em tanta estima simplesmente por ter sido o que foi? Repito, ele era o símbolo do rockstar que todo mundo queria ser: Maluco e porra louca, sim, mas articulado e engajado quando sentava à frente de alguém com um Q.I. de uns dois dígitos que tentasse ou quisesse entendê-lo. E agora, o que ele é?
Muita gente ridicularizou (ou só tentou, quando Tico e Teco estavam sonolentos) o texto naquela parte em que a paixão ostensiva do ex frentista pelo surf era questionada. “Vedder sempre surfou, nhé nhé nhé!”. E eu não sei? Mas precisa fanfarrear tanto? Esse culto exagerado ao próprio hobbie, inclusive, é mui contraditório. Eddie ultimamente parece um daqueles caras, tipo Donavon Frankenreiter, que só consegue vender disco se mostrar que sabe subir numa prancha e que tem casa no Havaí. E são os próprios fãs mais puristas que falam que o Pearl Jam não deve satisfação pra ninguém, que não precisam fazer tipo e nem vender disco. Cadê a coerência aí?
Os menos puristas, os que admitem que uma banda tem que vender discos, sim, discordam de mim ao dizer que a nova verve política de Vedder e seus companheiros serve pra vender disco, realmente, mas que ela não é nem um pouco enfadonha. Qual o que! Se os discursos políticos do Pearl Jam não são chatos, minha noção de diversão anda bem distorcida. Quem lembra daquele bootleg deles que chamava “No Fucking Messiah”? A atual fase de Eddie Vedder toma conta de desmentir esse título, seja o sentido dele qual for. O cara está crente de que é a solução perfeita e a curto prazo do problema dos Estados Unidos e faz questão de deixar isso bem claro quando, de uma forma muito bem humorada, muito en passant, anuncia suas músicas políticas ou fala mal de alguém (Da política, claro! Ele não quer ter inimigos no meio da música, ele é Mr. Nice Guy) com aquela propriedade, com aquele know-how falso que tanto me enoja. Dos shows da turnê 2006 do Pearl Jam, só me lembro de ter percebido sinceridade, e, consequentemente, sentido simpatia num discurso do frontman
Rock sempre teve a ver com sinceridade, nunca foi um estilo que demandasse “estar por dentro”, se incluir. Você pode não tocar nada, mas ser criativo, e você já é um rockstar. Vedder parece que desaprendeu isso. Abnegou da música em prol da panfletagem, quis entrar pro grupinho dos garotos legais. É como se ele se obrigasse a escrever sobre os mesmos temas que todo mundo está escrevendo em vez de ir de acordo com seus sentimentos, suas vontades. Repito o que eu disse anteriormente para uma das pessoas que comentou o fatídico texto: Eu duvido que a essa altura o Eddie fosse capaz de escrever uma música como Sometimes sem se sentir um porco alienado. E não é nada disso, o talento não corresponde a demanda, a inspiração não vem sob condições. Isso que Vedder sente é medo.
Eddie Vedder se revelou, na verdade, um belo cagão. Nunca teve colhões pra sair em carreira solo, nunca os teve pra montar uma outra banda e não está os tendo agora, quando escreve música política no “vai-da-valsa”. É fácil se apoiar no Pearl Jam, uma das últimas bandas intocáveis, difícil é colocar teu nome na capa de um disco e falar tudo o que você sente sem mais quatro caras dividindo a conta do pato. E não é que o Vedder não contribuiu, e muito, para o Pearl Jam ser o que é, mas usar a banda como salvaguarda é o maior sinal de que, talvez, ele não a ame mais como a gente ainda ama.
Outra engraçada do último ano: EV simulando uma limpeza de bunda com as páginas da Rolling Stone que tinham a matéria com ele. Molecagem sem classe e constrangedora. A senilidade teatral de Vedder chegou a níveis que ultrapassaram o limite seguro, protestando contra uma matéria que ele mesmo contribuiu e autorizou! Ou será que obrigaram-no a participar da revista, como parte de alguma conspiração? Será que apontaram uma arma na cabeça da mulher dele (Aliás, mais alguém lembra? “Model, role model, roll some models in blood”)? Bem provável que não.
Qualquer um que tenha polegares invertidos sabe que as atitudes de Vedder andam tão fora de moda quanto polainas. Dizer que o Pearl Jam já é carta fora do baralho é doloroso e precipitado, mas se as coisas continuarem assim, vislumbro um fim melancólico pra uma das bandas mais emocionadas e sinceras que eu já ouvi falar.
Oh, e só uma recomendação. Corta essa de “It’s Evolution, Baby!”, isso aí é clichê e me faz pensar que você não é uma pessoa interessante.